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Poema

Autor(a): PAULO FONTENELLE DE ARAUJO

A FAXINA
Arrume tua casa.
Organize uma grande faxina sem heroísmos.
Use o sabão
das superfícies nunca sujáveis.
Remova outras gorduras,
marcas de braços deixadas no corrimão.
Empregue o amoníaco,
e    o teu cérebro reagirá,
diluir-se-á,
soltará filamentos perfumados,
limpará esgotos,
até te inserir em um ambiente imaculado,
sem    secreções
sem o chorume do teu âmago enodoado

Contudo, se um resto do amoníaco refluir,
e    chegar ao teu coração,
- esponja dupla face,
de um lado músculo,
de    outro oculto -
verás que uma intoxicação não muda.

Há em ti    um desespero ativo,
mesmo pequeno, muito pequeno.

Do livro "Borboletas noturnas não existem"
E-mail: phcfontenelle@gmail.com

Publicado no site: O Melhor da Web em 25/05/2018
Código do Texto: 137501
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