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Crônicas

Autor(a): NIVALDO DONIZETI MOSSATO



UM DADO, UM MENINO E O PERDÃO
Bato a porta.
A penumbra do quarto do meu filho reflete bem meu estado de espírito: árido e escuro. Há um silêncio mórbido. As paredes impõem os limites do meu universo. Estou só. Meus pensamentos restringem-se à caixa preta de minha própria ‘aeronave’, onde divido o comando comigo mesmo.
Ligo a tv. O som alto faz estremecer as janelas e as notícias do mundo incomodam meus ouvidos: ‘carro-bomba explode no Líbano, trinta e seis pessoas morrem’. Abaixo o som. As notícias continuam: ‘sem-terras invadem propriedade improdutiva. O tumulto acaba em tragédia. Duas pessoas morrem’. A voz do ‘âncora’ do telejornal é agora minha companheira de quarto. Mais duas notícias. Desligo a tv. De novo o silêncio. O computador está ligado. Na tela de LCD alguém chama no MSN: ‘oiêêeeee! Vc ta aí?’ Não respondo. Olho fixamente para a tela na esperança de não mais ver o recado. Ele insiste: ‘Oooiiiii, tem alguém aí?’ Novamente o silêncio. Pego o controle. Ligo a tv. O telejornal continua. Mudo de canal. Abaixo ao máximo o volume. A luz das imagens faz colorir o quarto. Ligo o aparelho de som. A música tênue dá ao ambiente um pouco de paz. As imagens da tv agridem meus olhos: ‘polícia e traficantes trocam tiros na favela. Bala perdida atinge criança de oito anos’. A notícia é muda, mas as imagens falam por si. O desespero se reflete nos olhos dos entrevistados, embalado pelo ‘Jazz’ que escorre do cd. Desligo a tv. Dos olhos, duas lágrimas ganham o infinito espaço até alcançarem o chão.
Ouço passos. Desligo o som e apuro os ouvidos. Aproximam-se. Enxugo meus olhos e caminho em direção à porta, que se abre abruptamente. Uma voz gritante rompe o silêncio: ‘vôôo! Ô vôo’!
A mochila vai ao chão, enquanto a criança corre em minha direção e alça vôo em meu colo. O abraço é apertado e o beijo molhado. Numa das mãos, um pequeno dado colorido deixa transparecer uma frase escrita em seu vértice: ‘amar a todos’. Os joelhos vão ao chão. O abraço continua. Agora mais frouxo, embora não com menor avidez. A pequena mão desliza sobre a barba branca. A criança se vira e aconchega a cabeça em meu colo, assentando-se sobre meu joelho. Beijo-lhe os cabelos. As pequeninas mãos se juntam sobre o dado. Um só balanço e o brinquedo toma altura e desce. A criança pula do meu colo, apanha o dado e exclama: ‘amar por primeiro, vô! Agora é a sua vez’!
Tomei o dado nas mãos. Meus olhos se ergueram e a branca pintura do teto me fez lembrar uma tela de cinema. Numa fração de segundos as notícias do mundo tomaram vida. Olhei o dado e joguei-o longe. A criança tomou o corredor de acesso aos quartos e aproximando-se do brinquedo gritou: ‘amar os inimigos, vô’. Nossos olhos se encontraram. O silêncio se fez palavras.
As pernas trêmulas se levantaram. O corpo parecia pesar toneladas. Com passos lentos desci as escadas que davam para a cozinha. O garoto segurava minha mão, molhada pelo suor frio que escorria. Meu coração carregava o peso do remorso. À minha frente, ‘meu inimigo’ aguardava meu pedido de perdão. A criança não se deu por vencida. Soltou o dado no chão, e segurando-lhe a mão exclamou: ‘vó, o vô quer falar com você’!
Com um último esforço, a criança uniu nossas mãos, e apanhando o dado gritou: ‘vôôo, vóóo, amor recíproco! Vamos jogar de novo’?!



Texto inspirado na ‘Arte de Amar’, de Chiara Lubich, onde o ‘Dado do Amor’ é seu instrumento de socialização. O Dado traz impresso em seus vértices os principais aspectos desta maravilhosa Arte.

www.cidadenova.org.br


Publicado no site: O Melhor da Web em 16/11/2009
Código do Texto: 45662
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Comentários Recebidos
LUCIENE LIMA PRADO
Foto Internauta: nº 1588 - Luciene - LUCIENE LIMA PRADO

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Mensagem referente ao texto: UM DADO, UM MENINO E O PERDÃO
Lu
Irani tem razão. Merece aplausos, sim. Hoje acabei d eler "O menino do pijama listrado", de John Boyne. Um livro deveras emocionante. Assim que li a sua crônica, lembrei-me do menino Bruno, do livro, cujo coração é imenso. Obrigada pela viista. Um abraço.
------ RESPOSTA -------
                17/11/2009 08:43:08 - Bom dia. Parece-me que 'ganhei' deverasmente alguns amigos neste site. A melhor parte, é acompanhar o 'crescimento' das suas composições e ver que o amor permeia os escritos e contribui para que outros também cresçam. Esta é a razão maior da existência da poesia: ser amor para com os outros! Li seu soneto:SONETO À FLOR DOS TEUS SENTIDOS. Ele comprova o que escrevi acima. 'Tua alma sendo luz aos leitores'. Parabéns!

16/11/2009
IRANI GENNARO
Foto Internauta: nº 2048 - Iranimel - IRANI GENNARO

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Mensagem referente ao texto: UM DADO, UM MENINO E O PERDÃO
Irani Gennaro
Amigo!
Eu nem tenho palavras à altura para comentar sua crônica, simplesmente porque ela está perfeita, então, em se tratando de perfeição a gente não tira, nem acrescenta coisa alguma. Está ouvindo um som de palmas? Não? Mas devia, pois estou lhe aplaudindo muito. Parabéns!Você deve ser um excelente orador, pena que não posso ouví-lo, rs...Obrigada por sua visita e comentários aos meus textos, cada avaliação sua vale por uma poesia! Bom demais!
Abraços da sempre amiga
Irani.
------ RESPOSTA -------
                16/11/2009 17:22:11 - É pura bondade sua, caríssima.Talvez seja devido a sua sensibilidade de 'poeta'. abç e obrigado pela visita.

16/11/2009