Espaço Literário

O Melhor da Web



Busca por Autores (ordem alfabética)
Busca Geral:
Nome/login (Autor)
Título
Texto


Necessita estar logado! Adicionar como fã (necessita estar logado)
 
Recado
Contato

Conheça a Página de MANUELA , agora só falta você!
http://www.poesias.omelhordaweb.com.br/pagina_autor.php?cdEscritor=6281

 
Textos & Poesias || Poema
Imprimir - Impressora!
Imprimir
Escreventes (Paulinho Assunção) (+tradução italiana)
26/09/2013
Autor(a): MANUELA
VOTE!
TEXTO ELEITO
210
Após 100 votos, o Texto Eleito será exibido em uma página que irá reunir somente os mais votados.
Só é permitido um voto por Internauta por dia.
Achou o texto ótimo, VOTE! Participe!
ELEJA OS MELHORES TEXTOS DA WEB!
Escreventes (Paulinho Assunção) (+tradução italiana)

Uns, efêmeros, escrevem na areia
para que as ondas
lavem e o sal corroa
o corpo das letras,
e para que a manhã dos mares
seja testemunha,
não de frases ou palavras,
mas de restos de sargaços, de quilhas
carcomidas de barcos, de lemes
e mastros avariados, de espuma
pela boca de peixes mortos.

Outros, porque visionários,
escrevem no bronze
para que o vento, com os seus
chicotes de vento,
e o tempo,
com o seu olho insone
de tempo, sejam pelas letras
derrotados, e para que
os séculos, com seus galopes
de potro, com seus cascos de potro
cego, grafem no metal os próprios
ossos das palavras.

Uns, diletantes, escrevem
nos feriados ou então nas tardes
de domingo, e esperam,
primeiro um inchaço, depois
uma eclosão, por fim, esperam
descer do teto a matéria
gelatinosa e plástica
que lhes servirá de letras,
com as mãos eles aparam
esses nacos e essas porções
grudentas, quase bolotas,
e ainda com as mãos
eles passam a lambuzar
de norte a sul a página,
até submergi-la, até afogá-la
em gosma, para, enfim,
sonolentos, de tudo esquecerem.

Outros, porque furiosos,
escrevem com a ponta
de um punhal depositada
sobre o fígado. Convém manter
deles certa distância, embora
o risco para quem deles
se aproxima esteja menos
no punhal e mais no líquido
que eles fazem porejar da pele,
um líquido gélido e ácido,
sem brilho, porém volumoso
ao ponto de ao final do dia
envolvê-los com uma mantilha
de luto, já quando as letras
sobre a página tornaram-se
irritadiças e àsperas

Uns, precavidos, escrevem
em linha reta para proteger
suas frases dos abismos
de um lado e outro da página,
sempre avante é o que parecem
dizer a todo instante, sempre
avante com chumaços
de algodão em cada orelha,
sempre avante eles jamais
permitem que o canto das sereias
e as próprias sereias lhes venham
roçar os corpos,
e fazer dos corpos deles
um país definitivamente
conquistado.
 
Outros, porque urgentes,
escrevem o quanto antes
para que não sejam
surpreendidos pela noite em algum
ponto ermo do deserto.
Chegar o quanto antes e aonde 
quer que seja é para eles uma lei.
Talvez, por isso, as letras
que lhes saem são às vezes
dardos, às vezes flechas;
são às vezes um susto,
às vezes são sinais de rádio
a anos-luz de nós, isto é,
são fósseis de letras,
como estrelas mortas.
 
Uns, delicados, escrevem
com o braço em repouso
sobre o dorso de uma pluma,
provavelmente porque concebem
as letras como se as letras
fossem asas de libélulas.
Convém dar a eles o direito
ao silêncio, convém dar a eles
o ambiente de claustro, pois,
se o som de um clarim é capaz de
desmoroná-los,
de igual modo e efeito, o rumor
do mundo pode desintegrá-los.
 
Outros, porque bélicos,
escrevem nos gumes
de armas brancas como o punhal
ou a adaga. Esses costumam
ter olhos vermelhos e língua seca,
nunca suspiram de saudade
e quase sempre estão
de emboscada.
Convém, pois, não compartilhar
com eles a mesma rua,
o mesmo andar de edifício, muito
menos a mesma música.

Uns, gagos, escrevem
cobrindo os buracos e os intervalos
que o silêncio faz entre as letras
e vivem constantemente em estado
de síncope. São, por tais motivos,
propensos a ritmos ensandecidos
e dissolutos. Quando irados,
sovam as palavras com os punhos
ou as atiram no chão
para serem pisoteadas.
Contudo, se felizes, costumam
engenhar palavras
engraçadas, algumas magras,
outras obesas, algumas sólidas,
outras feitas de bolha.

Outros, porque larápios,
escrevem a meio caminho
entre a luz e as trevas,
uma parte do rosto sob a névoa,
a outra parte sob a sombra.
Seres noturnos e vicários,
apreciam recolher palavras na bolsa
alheia, mais pelo gosto
de desnutri-las
do que com a intenção de utilizá-las.
Não à toa, costumam possuir sinistros
depósitos de palavras em decomposição.

Uns, solares, escrevem
concedendo às palavras
respiradouros e clarabóias,
escotilhas e janelas. Mesmo palavras
mais soturnas ou mais enlutadas
recebem deles frestas de luz
nas partes onde as letras
foram cobertas pelo musgo,
pelo mofo ou pelo lodo. Amigos
do sol, esses escrevem
com assovios formados
ou em doce formação
no côncavo dos lábios.

Outros, porque melancólicos,
mais escavando do que escrevendo,
procuram as regiões sem luz
no corpo das letras,
não propriamente trevas,
mas certos carnegões ou furúnculos
ali depositados pelo tempo.
A tarefa principal deles, portanto,
é furar esses carnegões prenhes
de humor enegrecido e barrento,
fazê-los escoar a baba e o visgo
entre as frases, de tal modo que,
no fim de cada dia, densas camadas
de matéria semelhante ao piche
foram espalhadas
sobre o corpo da escrita.

Uns, feirantes,
escrevem nas manhãs dos bairros
suas palavras-legumes,
suas palavras-folhudas,
suas palavras grãos,
suas palavras-frutos.
Ou então fazem exuberar,
aos olhos leitores dos cachorros,
bandas de leitões, frangos
dependurados pelo pescoço,
suãs de novilhos, pernis de cabritos.
Convém observar a ânsia
com que oferecem consoantes
secas e vogais molhadas pelo
megafone, convém observar
como são artífices de cálculos
e contabilidades, convém observar
como estão permanentemente
em estado de prateleira.

Outros, porque tribunos,
põem as palavras na ceva
para que elas ganhem volume e peso,
e adquirem banha, e se tornem
suculentas. Só então eles
aceitam utilizá-las nas frases,
umas escolhidas pelo tamanho
do dorso, outras pela exuberância
das ancas. Convém de quando
em quando revolver o lixo
deixado por esses tribunos nos cantos
da oficina, pois, ali, entre monturos,
pedem socorro as palavras
raquíticas, as palavras
desnutridas e agônicas.

Uns, catequéticos,
fazem das palavras animaizinhos
de mando, amiúde as palavras
saem deles para missões
e incumbências, muito
freqüentemente podemos vê-las
em pregações pelas esquinas
das cidades. Convém não dar
ouvidos a essas palavras missionárias,
menos pelo que elas propalam,
mais pelo barulho ensurdecedor
dos seus latidos e relinchos.

Outros, porque ourives,
usam goivas e pontais de diamante
para esculpir o corpo metálico
das palavras. Faz bem aos olhos
e ao coração observá-los tão
enlevados neste ofício,
faz bem observá-los tão meninos
com suas palavras-anéis,
suas palavras-braceletes,
suas palavras-pingentes, todas
em estado de baile.

Uns, suicidas, são dados
encaixar cápsulas de cianureto
nos interstícios das letras, para
então ingeri-las durante
o sonho. Ou então preferem
encharcar as letras com álcool
ou gasolina, e assim, ao meio-dia
em ponto de uma segunda-feira,
e com a ponta acesa
de um fósforo, escrevem
cartas que jamais chegarão
ao seu destino, pois
incendiadas no meio do caminho.

Outros, porque acrobatas,
equilibram as palavras
em fios de aço no mais alto
ponto do circo. Algumas
palavras são postas
em fila, outras são empilhadas,
e formam torres, ou se abrem
em árvores, ou então simulam
máquinas e engenhocas.
Todas porém são obrigadas
a contorcionismos em volta
do próprio eixo. Contudo,
é aconselhável saber que,
quase sempre, o sopro
de um anjo invisível desfaz
essas formações de letras
e, sem a menor cerimônia,
as atira sobre a platéia.

Uns, nômades, louvam o próprio
ir sem rumo das palavras
por países e continentes, nem bem
elas chegam e já estão partindo,
um comichão inexplicável
movimenta ininterruptamente
esses comboios de letras, nada
os retém, nem o olhar
das mulheres que acenam
de um tombadilho, nem as crianças
em condição de abandono. Errantes,
as palavras desses nômades
estão sempre em estado de adeus.

Outros, porque estrangeiros, são
os que geram palavras
com o mal-estar do desassossego,
as palavras deles jamais
estão onde se esperaria
estivessem, sempre cometem
um equívoco de lugar e destino,
e os leitores que as lêem,
quando as lêem, costumam orar
por esses estrangeiros
como se aconselha orar
para os excomungados.

Uns, inocentes, teimam
em andar com as suas sacolas
de palavras pelas zonas de litígio,
atravessam com elas os campos
de batalha, quase sempre são
abatidos, ou então são feitos
prisioneiros, não muito
raramente são amestrados.
E enquanto há guerra
e há litígio, cumprem a ordem
de divertir combatentes
e comandantes em suas solidões
de pernas atrofiadas, de olhos
vazados, de vísceras à mostra.

Outros, porque usurários, põem
pela manhã no cofre
palavras gestadas durante a noite,
anos a fio e para todo o sempre
eles trancafiam em cofres
as suas palavras-apólices, nada,
ninguém os demove deste 
segredo, ninguém os convence
ao gesto de soltar uma palavra matinal
nos céus dos homens.

Uns, por fim,
irremediáveis e danados,
escrevem porque estão
para todo o sempre
e eternamente
dentro de um círculo de fogo.

Outros, porque limítrofes
ao círculo de fogo, escrevem
e escrevem, escrevem
para sempre escrevem, nada
mais fazem do que escrever,
sempre estiveram e sempre
estarão destinados a escrever,
não dormem, escrevem, não pulam
dos edifícios nem tomam cicuta,
eles escrevem, o fim é anunciado
pelas trombetas, eles escrevem,
as cidades são consumidas pela peste,
eles escrevem, escrevem em busca
e crentes da salvação que não há.
____________________________________

Tradução italiana de Manuela Colombo


Quelli che scrivono

Certi, effimeri, scrivono sulla sabbia
affinché le onde
lavino e il sale corroda
il corpo delle parole,
e affinché il mattino dei mari
sia testimone,
non di frasi o parole,
ma di resti di sargassi, di chiglie
consunte di barche, di timoni
e alberi maestri fradici, di spuma
uscita dalla bocca di pesci morti.

Altri, poiché visionari,
scrivono sul bronzo
affinché il vento, con le sue
sferzate di vento,
e il tempo,
col suo occhio insonne
di tempo, reprimano le parole
compresse, e affinché
i secoli, col loro galoppo
di puledro, coi loro zoccoli di puledro
cieco, imprimano nel metallo le ossa
stesse delle parole.

Certi, dilettanti, scrivono
nei giorni festivi oppure nei pomeriggi
di domenica, e aspettano
prima un ascesso, dopo
uno spurgo, alla fine, aspettano
che dal soffitto scenda la materia
gelatinosa e plastica
che useranno come parole,
con le mani afferrano
queste masse e queste manciate
viscose, quasi sferiche,
e ancora con le mani
loro si mettono a imbrattare
da nord a sud la pagina,
fino a sommergerla, fino ad soffocarla
nel catarro, finché,
intorpiditi, tutto dimenticano.

Altri, poiché furiosi,
scrivono con la punta
di un pugnale appoggiata
sopra il fegato. Conviene tenerli
a una certa distanza, benché
il rischio per chi gli
si avvicina consista meno
nel pugnale e più nel liquido
che essi fanno trasudare dalla pelle,
un liquido gelato e acido,
sinistro, però copioso
al punto che a fine giornata
li avvolge come un manto
a lutto, quando ormai le parole
sulla pagina sono diventate
biliose e agre.

Certi, prudenti, scrivono
in linea retta per proteggere
le proprie frasi dagli abissi
da un lato e dall’altro della pagina,
sempre avanti è quello che sembrano
dire ogni momento, sempre
avanti con batuffoli
di cotone in ogni orecchio,
sempre avanti loro non
consentono mai che il canto delle sirene
e le sirene stesse vengano
a sfiorargli i corpi,
e a fare dei loro corpi
un paese definitivamente
conquistato.

Altri, poiché frenetici,
scrivono quanto prima
per non essere
sorpresi dalla notte in qualche
punto remoto del deserto.
Arrivare quanto prima e ovunque
sia è per loro una legge.
Forse, per questo, le parole
che buttano fuori sono a volte
dardi, a volte frecce;
a volte sono un sussulto,
a volte sono segnali radio
ad anni luce da noi, cioè,
sono fossili di parole,
come stelle morte.

Certi, delicati, scrivono
col braccio abbandonato
sul dorso di una piuma,
forse perché immaginano
le parole come se le parole
fossero ali di libellule.
Occorre dar loro il diritto
al silenzio, occorre dar loro
l’atmosfera del chiostro, poiché,
se il suono d’un clarino è capace di
straziarli,
alla stessa maniera, il rumore
del mondo può disintegrarli.

Altri, poiché bellicosi,
scrivono sulle lame
di armi bianche come il pugnale
o la spada. Costoro di solito
hanno occhi rossi e lingua secca,
non sospirano mai di nostalgia
e stanno quasi sempre
in agguato.
Conviene, dunque, non spartire
con loro la stessa strada,
lo stesso piano di palazzo, ancor
meno la stessa musica.

Certi, balbuzienti, scrivono
coprendo i buchi e gli intervalli
che il silenzio mette fra le parole
e vivono costantemente in stato
di deliquio. Sono, per tali ragioni,
propensi a ritmi scriteriati
e dissoluti. Se arrabbiati,
prendono a pugni le parole
o le buttano a terra
perché siano calpestate.
Tuttavia, se felici, son soliti
escogitare parole
divertenti, alcune magre,
altre obese, alcune compatte,
altre simili a bolle.

Altri, poiché furfanti,
scrivono a mezza strada
tra la luce e le tenebre,
una parte del viso nella nebbia,
l’altra parte nell’ombra.
Esseri notturni e subdoli,
si dilettano a pescare parole nel sacco
altrui, più per il piacere
di lasciarle languire
che con l’intenzione di utilizzarle.
Non a caso, di solito posseggono sinistri
depositi di parole in decomposizione.

Certi, solari, scrivono
donando alle parole
griglie d’aria e lucernari
oblò e finestre. Perfino le parole
più ombrose o più lugubri
ricevono i loro raggi di luce
sulle parti ove le lettere
erano state coperte dal muschio,
dalla muffa o dal fango. Amici
del sole, costoro scrivono
fischiando arie compiute
o in via di melodioso compimento
con l’incavo delle labbra.

Altri, poiché malinconici,
più scavando che scrivendo,
ricercano le regioni senza luce
nel corpo delle parole,
non proprio le tenebre,
ma certi bubboni o foruncoli
lasciati lì dal tempo.
La loro incombenza principale, perciò,
è forare questi bubboni saturi
d’umore annerito e melmoso,
farne colare la bava e il muco
tra le frasi, di modo che,
alla fine d’ogni giornata, densi strati
di materia simile alla pece
siano stati spalmati
sul corpo dello scritto.

Certi, venditori ambulanti,
scrivono nei mattini rionali
le loro parole-verdura,
le loro parole-foglia,
le loro parole-legumi,
le loro parole-frutta.
Oppure dispiegano ridondanti,
agli occhi sagaci dei cani,
branchi di lattonzoli, polli
appesi per il collo,
lombate di vitelli, zampe di capretti.
Occorre osservare il fervore
con cui offrono consonanti
secche e vocali bagnate col
megafono, occorre osservare
come sono artisti nei calcoli
e nella contabilità, occorre osservare
come sono permanentemente
in stato di ostentazione.

Altri, poiché tribuni,
mettono le parole all’ingrasso
affinché acquistino volume e peso,
e mettano su ciccia, e si facciano
appetitose. Solo allora
accettano di utilizzarle nelle frasi,
scegliendone alcune per l’ampiezza
del dorso, altre per l’esuberanza
dei fianchi. Occorre di tanto
in tanto rivoltare il pattume
lasciato da questi tribuni negli angoli
della fabbrica, giacché, lì, tra i rifiuti,
invocano aiuto le parole
rachitiche, le parole
denutrite e agonizzanti.

Certi, catechetici,
fanno delle parole bestiole
ammaestrate, spesso le parole
escono da loro per missioni
e incombenze, molto
frequentemente possiamo vederle
in predicazione agli angoli
della città. Non conviene dar
retta a queste parole missionarie,
non tanto per quel che divulgano,
quanto per il chiasso assordante
dei loro latrati e nitriti.

Altri, poiché orefici,
usano sgorbie e punte di diamante
per scolpire il corpo metallico
delle parole. Fa bene agli occhi
e al cuore osservarli così
assorti in queste operazioni,
fa bene osservarli così fanciulli,
con le loro parole-anelli,
le loro parole-braccialetti,
le loro parole-pendenti, tutte
predisposte al ballo.   

Certi, suicidi, son soliti
introdurre capsule di cianuro
negli interstizi delle lettere, per
ingerirle poi durante
il sogno. Oppure preferiscono
cospargere le parole d’alcool
o benzina, e così, a mezzogiorno
in punto d’un lunedì,
e con la punta accesa
d’un fiammifero, scrivono
lettere che mai arriveranno
a destinazione, perché
bruciate a metà strada.

Altri, poiché acrobati,
mettono in equilibrio le parole
su fili d’acciaio nel punto
più alto del circo. Alcune
parole sono disposte
in fila, altre sono sovrapposte,
e formano delle torri, o si aprono
ad albero, oppure simulano
macchine e marchingegni.
Tutte però sono costrette
a contorsionismi intorno
al proprio asse. Tuttavia,
è bene sapere che,
quasi sempre, il soffio
d’un angelo invisibile disfa
queste formazioni di parole
e, senza la minima cerimonia,
le scaglia contro il pubblico.

Certi, nomadi, lodano quell’andar
senza meta delle parole
per paesi e continenti, non appena
arrivate, ecco che già sono in partenza,
un incomprensibile prurito
agita ininterrottamente
queste carovane di lettere, nulla
le trattiene, né lo sguardo
delle donne che salutano
dal ponte d’una nave, né i bambini
in condizioni d’abbandono. Erranti,
le parole di questi nomadi
sono sempre in stato d’addio.

Altri, poiché stranieri, sono
quelli che creano parole
con il malessere dell’inquietudine,
le loro parole non stanno
mai dove ci si aspetterebbe
che fossero, vanno sempre a finire
in luoghi e posizioni sbagliate,
e i lettori che le leggono,
qualora le leggano, son soliti pregare
per questi stranieri
come conviene pregare
per gli scomunicati.

Certi, innocenti, osano
andare coi loro zaini
di parole nelle zone contese,
con loro attraversano i campi
di battaglia, quasi sempre vengono
colpiti, oppure son fatti
prigionieri, non di rado
vengono indottrinati.
E fintanto che c’è guerra
e c’è contesa, ubbidiscono al dovere
di svagare combattenti
e comandanti nelle loro solitudini
di gambe irrigidite, di occhi
svuotati, di viscere in mostra.

Altri, poiché usurai, ripongono
al mattino nel forziere
parole metabolizzate durante la notte,
anno dopo anno e per sempre
mettono sotto chiave in forzieri
le loro parole-polizze, niente,
nessuno li smuove da questo
segreto, nessuno li sa indurre
al gesto di liberare una parola mattutina
nei cieli degli uomini.

Certi, infine,
irredimibili e dannati,
scrivono perché stanno
nei secoli dei secoli
ed eternamente
dentro un cerchio di fuoco.

Altri, poiché limitrofi
al cerchio di fuoco, scrivono
e scrivono, scrivono
per sempre scrivono, non
fanno altro che scrivere,
son sempre stati e sempre
saranno destinati a scrivere,
non dormono, scrivono, non saltano
dai palazzi né bevono la cicuta,
loro scrivono, la fine viene annunciata
dalle trombe, loro scrivono,
le città sono devastate dalla peste,
loro scrivono, scrivono cercando
e credendo nella salvezza che non c’è.














Publicado no site: O Melhor da Web em 26/09/2013
Código do Texto: 110782
AQUI VOCÊ INTERAGE DIRETAMENTE COM O(a) AUTOR(a) DA OBRA! DEIXE UM COMENTÁRIO REFERENTE AO TEXTO! É FÁCIL, É LEGAL, VALE A PENA!
Caderno Comente esse Texto - Seja o primeiro a comentar!
Obras do(a) Autor(a):


Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.