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PAULO FONTENELLE DE ARAUJO
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ANÁLISE DO POEMA "SER" DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
06/03/2018
Autor(a): PAULO FONTENELLE DE ARAUJO
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ANÁLISE DO POEMA "SER" DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

1 - Análise do poema “Ser” , levando em consideração o poema “Procura de poesia”, ambos poemas de Carlos Drummond de Andrade

SER


O filho que não fiz
hoje seria homem.
Ele corre na brisa,
sem carne, sem nome.

Às vezes o encontro
num encontro de nuvem.
Apóia em meu ombro
seu ombro nenhum.

Interrogo meu filho,
objeto de ar:
em que gruta ou concha
quedas abstrato?

Lá onde eu jazia,
responde-me o hálito,
não me percebeste
contudo chamava-te

como ainda te chamo
(além, além do amor)
onde nada, tudo
aspira a criar-se.

O filho que não fiz
faz-se por si mesmo.






O poema “Procura de Poesia” de Carlos Drummond de Andrade é um texto dividido em duas partes: na primeira a evidenciar uma contradição, Drummond nega como assunto da poesia todos os temas que constituem o seu universo poético e na segunda parte defende a idéia de que o fazer poético é desvendado como uma experiência atemporal em um ambiente comparável a um rio difícil, denominado reino das palavras.
Drummond ainda afirma, neste reino encontram-se os poemas que esperam ser escritos, estão mudos, em estado de dicionário, aguardam a realização de seu futuro criador que os deve contemplar sem desespero, sem impaciência e até sem o uso de algumas das faculdades de captação da realidade. Note-se, o poeta entra surdamente no tal reino. Ausente a audição lhe é proibido o tato, pois não deve colher o poema no chão. Ausente o tato, a visão também é imprecisa, cada palavra tem mil faces secretas sob a face neutra.
   O poema “Procura de Poesia” seria então, não um método para elaboração de versos, nem a constatação de que para a poesia é desnecessária a determinação de temas, mas a indicação de que é débil e solitária a experiência poética e nebuloso o lugar onde se ambienta o ato da criação poética, lugar este onde o poeta só garantirá, ao adentra-lo, que será testemunha de uma possibilidade, de um vir a ser.
O Poema “Ser” parece concentrar todas as sugestões do poema acima e mais, o título - além da concretude da palavra “Ser”, ente vivo animado – traz também uma contradição, pois o poema constrói-se exatamente sobre uma condição de não existência. O título supõe a negação do poema, característica que se afirma e encaminha o leitor para o sentido oculto do texto e isso se assemelha às primeiras estrofes de “Procura de Poesia” que negam a obra poética de Drummond afirmada mais tarde pelo próprio ato da procura do ato criador.
O poema “Ser” publicado no livro “Claro Enigma” é uma homenagem póstuma de Carlos Drummond, que era agnóstico – alguns o julgavam ateu - ao filho que nasceu morto, embora a poesia, como dita nos versos de “Procura de poesia” prescinda de incidentes pessoais e da revelação da morte. Pelo contrário, ela existe como possibilidade, algo que pode ou não se realizar e tal poema realiza-se plenamente e em dois níveis: no nível das palavras que tomaram forma e também na manifestação do objeto de ar que constituiu esse filho - que também é palavra - encontrado pelo poeta em um reino diferenciado, semelhante ao reino das palavras do poema anterior, aqui com outro nome: o além, além do amor.
Em todas as estrofes observa-se a manifestação desse filho, com a exceção dos dois primeiros versos, em que o poeta esgota as informações objetivas daquele ser: houve um filho que não foi feito.Seria homem, no entanto, mesmo este “seria” e este “homem” já constituem uma outra natureza que se manifesta através dos verbos relacionados durante todo o poema. No terceiro e quarto verso, por exemplo, o filho corre na brisa – o filho é o ato de correr e é brisa, não tem carne, não tem nem nome.É objeto de ar.
Nas estrofes seguintes o filho prossegue em sua constituição de verbo e se um verbo exprime processo, ação, fenômeno, mudança de estado, o filho é e seria a ação do verbo, talvez fenômeno e de tal forma incisivo na existência do poeta, que parece se inverter a relação pai e filho, relação de proteção do mais velho para mais novo, o eterno educar de uma geração a outra. No poema é o filho que apóia (abraça) o pai com o seu ombro nenhum; o filho que responde através do hálito; o filho que chama o pai de um lugar além, além do amor, (um advérbio de lugar sugerindo a materialidade do amor, substantivo abstrato por excelência) que permanece suspenso, não correspondendo a qualquer espécie de paraíso, todavia algo indefinível, a totalidade do nada.
A relação chave do poema, contudo, o sentido profundo do texto, não é o encontro do pai com o homem, o filho que não vingou, mas sim a manifestação desse filho que, na sua fenomenologia, torna-se de súbito, todas as coisas que aspiram a criar-se ou que, perdidas, devem ser um marulho em nós de um mar profundo (verso de outro poema de Drummond) exprimindo a eterna aspiração humana de permanecer como essência.
O poema fala de permanência e fala também de todas as “coisas findas, muito mais que lindas’ (outro verso de Drummond) que também é um dos temas recorrentes da obra de Carlos Drummond de Andrade. O que se acabou é o que permanece na memória: estranho paradoxo.
O poema termina declarando a força da essência pelo qual o filho se constituiu – ele se faz por si mesmo -    sempre reafirmado outro caminho Drummoniano que vai da negação à reinvenção: a positividade é extraída de uma atitude de oposição sistemática, circunstância também observada no poema “Procura da poesia” .
A obra de Carlos Drummond se mostra coesa no belo e profundo poema “Ser” e como segue as sugestões do primeiro poema aqui analisado, ouso fundir tais sutilezas para afirmar que o pai do poema “Ser” penetrou surdamente no reino do filho; o filho jazia sem desespero e era calma e fresca sua carne nenhuma. O filho se realizou e se consumou e correu na brisa. Era palavra e hálito. Depreendeu-se do limbo, da concha abstrata? O pai não sabe. Aceitou o    filho que, também o chamava e o chama ainda além, além do amor, rio difícil – bem sabe o poeta- não obstante, algo permanece entre os dois, pai e filho, que se inventa continuamente.









Publicado no site: O Melhor da Web em 06/03/2018
Código do Texto: 136701
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