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A ANTIGA GAROTA DE IPANEMA
09/03/2018
Autor(a): PAULO FONTENELLE DE ARAUJO
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A ANTIGA GAROTA DE IPANEMA


      De manhã, morar na cidade do Rio de Janeiro e andar pela praia de Ipanema é algo luminoso e inspirador, mas quando anoitece e você está sozinha em um conjugado, sendo recém-casada, a sensação que chega é outra. Sobe dentro da gente um medo de perder o controle, desesperar    por causa da porta do    apartamento aberta.

      Mônica pensa assim e sai da cama para verificar a tranca da porta. Fechada. Ela respira fundo. A porta fechada garante a tranquilidade da sua noite até o marido voltar.

      Amanhã Mônica caminhará pelo bairro, visitará a banca de flores na rua Visconde de Pirajá, achará o mundo que se enche de graça, como fala a canção da Bossa Nova. Um segredo que vem por causa do sol, do vento batendo nos rostos... Agora quando anoitece é diferente – pensa Mônica. Este apartamento pequeno vira o alvo de ladrão, um bandido que andou à espreita e quer entrar nesse conjugado pela porta principal...    toda aberta.

      Mônica levanta da cama novamente para verificar a tranca. Talvez haja uma falha em todos os ferrolhos do mundo. Talvez ela tenha aberto a porta pensando que estivesse fechando e se não fechar neste momento... o prejuízo será inevitável, porque o ladrão subirá as escadas. Trará uma flor, o malandro. O que não significará nada, pois ele levará tudo: as joias do seu porta-joias, os seus sapatos, todas as lembranças boas da cidade do Rio.

      -    Meu Deus... está fechado! A chave está na fechadura...

      Ah, o Rio de Janeiro de manhã em 1963 vale uma canção. A canção diz que todas as mulheres do mundo são amadas porque elas são um pouco cariocas. Mesmo as casadas são cariocas, mesmo as que nasceram em outra cidade e esperam a volta do marido depois das nove. É preciso ter medo apenas à noite, pois a escuridão é um problema.    Deixa os apartamentos abertos e as janelas faíscam; provocam nas mulheres com dois meses de casadas, com 22 anos de idade, uma aflição por não serem mais solteiras, por lembrarem de um tempo em que portas eram problemas da casa dos pais.

      Agora os acessos pertencem a mulher casada e estão abertos. Eles abriram com o vento.

      Mônica se levanta novamente para fechar o seu apartamento do bairro de Ipanema. Poderia empurrar o sofá. O bandido entrará mesmo assim e o que ela fará, se mora no terceiro andar? O ladrão sabe que esposas não voam. Esposas nem sabem girar ferrolhos.

      A porta está bem trancada, com duas voltas. Foi por acaso a tranca. Mônica não lembra quando fechou.

      Amanhã a previsão é de sol no Rio. Um sol limpo que cintilará o Morro Dois Irmãos. Mas o problema vem com a noite quando este apartamento que foi alugado tão barato fica aberto. E fica aberto porque o aluguel é barato. Tudo tão alumiado.

         O apartamento deve estar aberto- conclui Mônica e isso por causa do lixo de hoje, jogado na lixeira do prédio. Foi tanto lixo que algo sobrou: a porta suja e marcada. Ladrões não se incomodam com as portas do Rio de Janeiro, porque    sabem que as sujas foram deixadas abertas pelas mãos das esposas recém-casadas.

      Mônica se levanta no escuro. Já sabe o caminho. O porta está fechada. Fechada. Trancada com aquela chave em que o chaveiro é um barquinho azul.

      Já estamos na primavera do Rio de Janeiro. Isto significa que os maridos estão na rua. Mônica decide voltar para cama, aumentar o volume do rádio e rezar. Toca a canção do "Lobo bobo". Mônica apenas reza e pensa: " Ah, minha reza foi tanta que a porta se abriu. É o fim! O fim entrará sem bater. De que vale esta certeza? Mas Deus perdoará a sua pobre filha que sempre amou os pais, casou por amor, porque o seu noivo parecia um lobo bom, mas agora depois da tragédia, do roubo seguido de morte, ele se casará com outra mulher, mais jovem, dona de chaves mais seguras... e sua primeira esposa não será nem lembrança, nem canção.

      - O que você faz encolhida debaixo dos lençóis? – pergunta o marido.

      Mônica responde chorando:

      - Eu não me casei pra ficar sozinha neste apartamento! Eu não sou uma porta, bandido!

DO LIVRO: "TOUROS EM COPACABANA"


Publicado no site: O Melhor da Web em 09/03/2018
Código do Texto: 136738
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