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Luiz Celso - LUIZ CELSO DE MATOS
LUIZ CELSO DE MATOS
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Texto mais recente: SENTENÇA CAPITAL



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SENTENÇA CAPITAL
20/04/2009
Autor(a): LUIZ CELSO DE MATOS
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SENTENÇA CAPITAL

SENTENÇA CAPITAL



por Luiz Celso de Matos

Baseado em uma história real.


No pequeno consultório, após os costumeiros diálogos iniciais de boas vindas, é feita a entrega dos exames previamente solicitados pelo médico. À medida que vai lendo o laudo dos exames, a fisionomia do médico vai adquirindo uma expressão mais austera. Joana, a trêmula esposa de Setembrino, olha de soslaio para o marido, já prevendo que a conversa que adviria não seria a desejada. Sente que tem de ser forte, apesar da enorme vontade de cair em prantos. Ela adorava Setembrino.
O médico, após ter criado um clima de suspense, e com uma cara que não parecia em nada com Madre Tereza de Calcutá, comunica:
— Era o que eu temia. O senhor está portando uma bomba relógio interna, sem hora marcada para a detonação. Caso ocorra a explosão, não haverá chances de o senhor chegar até uma unidade hospitalar. São dois aneurismas abdominais: um na artéria ilíaca e outro na artéria aorta.
Rápidas gotículas de suor apareceram na testa do involuntário homem-bomba.    Sim, foi desta forma que nosso enfermo sentenciado sentiu-se. Um terrorista sem os direitos assegurados a qualquer fundamentalista de meia-tigela. Nequinha de pitibiriba de virgens, paraíso, Rolls-Royce na garagem celestial etc. Era explodir, sem chances mínimas de sobrevivência, deixar uma bela viúva cheia de dívidas, e partir para o temível desconhecido.
Ao pensar nisso, Setembrino, transfigurou-se. Parecia um daqueles caubóis mal- encarados que acabaram de sair de um zonão barra-pesada, sem poder ouvir Boate Azul, de Bruno e Marrone, e tomar a saidera. Mantinha os dentes cerrados. Antes de fixar duramente os olhos sobre o médico, alisou seus grossos bigodes. O médico ao ser encarado, sentiu uma ligeira sensação de desconforto e viu-se na obrigação de tirar rapidamente os olhos de cima das grossas coxas de Dona Joana. Porém, na realidade, Setembrino, estava fazendo uma    rápida reflexão. Ele acabara de sentir-se parte integrante de uma frase do nosso amado presidente que, numa entrevista aos jornalistas, causou frisson aos mais pudicos da nação. Aliás, uma curta expressão que o médico desta história provavelmente não leu ou ouviu. Segundo Lula, jamais um médico iria chegar para o paciente e dizer:
— Ô meu! Quer saber? “Sifu”!
Com esta sensação, e para dirimir eventuais dúvidas, Setembrino, com cara de time que está partindo inexoravelmente para uma segunda divisão, perguntou ao médico:
— Doutor, seja sincero, pode falar. “Tôfu”, né?
O médico, suspirando aliviado e com a bola retomada, fez de conta que não ouviu e preferiu bater papo com Dona Joana, que, aliás, era um verdadeiro pitéu.
Setembrino, enxugou o abundante suor, afrouxou a gravata, deu uma levantada na coxa direita, ajeitou o saco e mesmo sem pipocas, deixou rolar um rápido filme pela sua cabeça. O tempo de aluno-interno em colégios religiosos. As orações, os catecismos, as ameaças de ir para o inferno devido aos maus pensamentos e os pecados consigo mesmo. Pensou na Confissão. Teria que procurar um padre antes do estouro da maldita bomba.    Contaria tudo ao confessor. Sentiu-se mais aliviado com a possibilidade da remissão. Por mais que tivesse de se abster dos chopinhos, do cigarro e das revistinhas de sacanagem, o céu deveria ser melhor que o inferno. Concordou consigo mesmo, movendo lentamente a cabeça de cima para baixo. Sua esposa observando-o concordar com sei lá o quê, parou a conversa com o médico sentenciador e quis saber o que estava acontecendo.
— Tô bem! Tô bem! Mas me responda, doutor, quanto tempo tenho ainda de vida?       —questionou Setembrino.
— Mas quem falou que você vai morrer?
— Ora, não vou?
— Não sei! Pode ser que sim, mas pode ser que não, em medicina nada é absoluto. Risco o senhor corre, mas não significa que vai morrer.
— Então não vou precisar me confessar?
— O quê? Pergunta a curiosa esposa.
— Nada, nada. Só tava pensando.
Nessas alturas, Dona Joana se encrespou:
— Agora quem quer ouvir a confissão sou eu. Desembuche! Garanto que esta confissão tem haver com aquela biscate loira do quinto andar. É isso, né? Ou é aquela revendedora do... Pode falar...pode falar... Veja lá!    Se eu te pego, eu te capo, Setembrino!!!


13/1/2009 22:11:37


Publicado no site: O Melhor da Web em 20/04/2009
Código do Texto: 18260
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