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Textos & Poesias || Tradicionalistas
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### O PIÁ ##
27/03/2008
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### O PIÁ ##


((( piá=guri=menino )))


 


Piazito criado guacho
Sem nunca conhecer afagos
Vivia rolando por estes pagos.


A mãe morrerá de parto
Num rancho quase tapéra
O pai...
O pai jamais o quizera.


Parentes nunca conheceu.
E entres estranhos cresceu.


Aos dez anos de idade
Ja era peão de estância
Dos homens...
Dos homens conhecerá a ganância.


Bonbacha velha rasgada
Que ganhava da peonada
Pés no chão, dormia no galpão
Com ódio no coração.


A vida lhes negará tudo
O tempo nada mudou
Então o piá de recados
Um taura moço ficou.


Certo dia aborrecido
Com a vida que levava
Andou tomando uns tragos
A mais...
A mais do que sempre tomava.


E no bolicho do Adão
Tava grossa dircurssão
Derrepente...
Derrepente fechou a pauleira.
Bhá...
Voava mesa banco cadeira
Saiu tiro e facada
E o taura moço e valente
Lutou com a peonada.


No outro dia o acharam
Quase morto o infeliz
que não morreu por um triz.


No hospital da cidade
Uma semana delirando
Então foi com a morte
Que o taura ficou peleando.


Com uma facada nas costas
E com uma perna quebrada
Que lhe falou o doutor
Tinha que ser amputada.


A enfermeira que o cuidava
De tristeza, até chorou
E pelo taura...
Pelo taura se apaixonou.


Da enfermeira apaixonada
O primeiro presente ele ganhou
Foi um par de muletas
que de imediato ele recusou.


POis na sua rude imaginação
Era muita humilhação
Andar assim amparado
É o mesmo que andar amarrado.


Voltou ao rancho taperá
Que um dia lhe viu nascer
E ali quiz morrer
E lá esta enterrado
O pobre taura desgraçado.



###   TANIA SANTOS   ###



Publicado no site: O Melhor da Web em 27/03/2008
Código do Texto: 1920
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