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O Caboclo e o Amarelo
12/05/2009
Autor(a): ISLAN LISBOA
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O Caboclo e o Amarelo

Na pequena cidade de Santana do Ipanema, sertão de Alagoas, vivia Zé Francisco, cabra valente, amansador de burro bravo. Acostumado no eito e temente a Deus, era afilhado de senhora Santana. Sua fama corria a cidade. Não tinha boi que ele não derrubasse a unha. Casado com Dona Feliciana, que não era tão católica quanto o marido, às vezes o acompanhava nas novenas, rezas e procissões. Mulher franzina, descorada, não tinha um pingo de sangue nas faces e sua saúde era precária.
Certa vez, Zé Francisco vinha chegando da Feira do Passarinho, quando de longe viu o bêbado Jamaica ser arremessado para fora da bodega de seu Biu. Jamaica, figura folclórica na cidade, vivia contando causos em troca de uma lapada de cachaça. Até os moradores mais antigos não lembravam a última vez que o viram sóbrio. Zé Francisco desceu do cavalo e levantou Jamaica pelo braço falando:
−home, quantas vez eu já lhe disse? Se aprume! O que foi?
−Um amarelo do sul, me chamô de cabra safado mentiroso e me empurrô pra fora da bodega!
De fato era costume dos sertanejos denominar de amarelos os homens da cidade grande, já que no sertão a lida em baixo do sol forte, o trabalho no cabo da enxada, queimava-lhes a pele, dando-lhes uma coloração avermelhada. Tinham também o hábito de chamar de “sul” a capital do estado.
Com o relato de Jamaica o caboclo ficou perplexo, não gostava de injustiça, sentido o sangue no olho, entrou na bodega perguntando:
―Eu queria sabê quem empurrô o bêbo!
Do fundo da bodega levanta um cabra cumprido, cuspindo grosso no chão, olha Francisco no olho e diz: −Fui eu! Esse cachacêro safado tava com latomia no meu ouvido, contando história de um tal de Zé Francisco, que agarrou um boi que tava solto na feira, e derrubou o bicho puxando pelas ponta. Pode?
−Pode sim seu moço! O tal sou eu e a história é verdadêra!−
O amarelo do sul olhou o caboclo de cima a baixo e soltou uma longa gargalhada, que era mais por zombaria do que por outra coisa.
−E é tu?− Desdenhou o sujeito. − Desse tamanho? Cabra pequeno nasceu foi pra botá carga em jumento.
O caboclo de fato não era muito alto, quase de estatura mediana, tinha um porte sólido, esculpido pela vida dura que levava na labuta diária. Queimado pelo impiedoso sol sertanejo, suas mãos eram calejadas e grossas como a palma que cortava para alimentar o gado alheio. Indiferente a estatura do amarelo, Francisco não contou história, deu-lhe um chute bem no meio das pernas, fazendo aquele homem se ajoelhar.
―Agora você tá do meu tamanho!
Dito isto desferiu um soco, que fez escorrer uma fita vermelha de sangue, manchando o bigode do sujeito.
−Levante, sacuda a puêra, e peça desculpa pra Jamaica. Bora! Avia!
E foi o que o sujeito fez.



Publicado no site: O Melhor da Web em 12/05/2009
Código do Texto: 24799
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