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Confusão na bodega ( trechos da Peleja)
25/05/2009
Autor(a): ISLAN LISBOA
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Confusão na bodega ( trechos da Peleja)

Com sua cabeça em brasas, o caboclo decidiu tomar um trago na bodega.
Ao adentrar aquele ambiente que cheirava à hostilidade, sentou-se no balcão. Não disse uma palavra sequer. Seu Biu, dono do estabelecimento, encarou-o. Experiente, conseguiu decifrar a expressão abalada do caboclo.
―Tome Francisco... Essa misturada é da boa! Tem maracujá dentro dela.
O caboclo tomou o conteúdo do copo de uma só vez. Fez careta, sinalizou para que a garrafa ficasse perto dele. No canto uma voz familiar lhe chamou atenção.
―Mas olha só quem está aqui! Era a pessoa que eu queria encontrar...
De imediato não conseguiu identificar seu interlocutor que aos poucos foi se aproximando. Era um homem jovem, com sinais de embriagues, roupas em desalinho e cabelo despenteado.
―A sua mão está melhor? Ta me reconhecendo não, seu catingueira? Deve ser porque estou sem farda.
Era o soldado que o prendera.
―Olhe seu moço... Eu num tenho nada contra o sinhô! Só que hoje eu num tô num dia bom e minha paciência ta numa péia de nada...
―Numa péia de nada? O que isso significa? Alguém tem um dicionário da língua da roça?― Zombou.
―Seu Biu, diga quanto é, que eu vô-me embora!
―Essa é por conta fio!
Respirou fundo e passou pelo samango. Antes que pudesse sair, nas suas costas ele gritou:
―Vocês das brenhas são metidos a valentes, cheios de pose... Mas no fundo são todos uns frouxos!
Imediatamente alguns homens na bodega levantaram. Vaqueiros destemidos, gente perigosa. Fizeram menção de pegar suas facas, escondidas em todos os lugares em que o sertanejo sabia guardá-las. Para eles, Zé Francisco fez um sinal, pediu que sentassem. Deu meia volta.
―Vá pra casa seu polícia! Por que o sinhô ta querendo pendenga?
―Eu vou lhe falá por que! Eu... Fui chamado à atenção por sua causa seu matuto! Que merda você é nessa latrina de cidade?― Gritou.
A paciência do caboclo esgotou-se. Era hora de responder no mesmo tom.
―Eu sou um sertanejo porra! Sou um bruto, um catinguêra! Mais se tu quisé vive na nossa terra vai tê que respeitá a gente!
O samango agarrou uma garrafa perto dele, quebrou-a e partiu como um veículo desgovernado para cima de Zé Francisco, que por sua vez para esquivar-se do golpe fatal, pegou uma cadeira e atingiu o soldado com toda a força que possuía. Este foi ao chão, momentaneamente ficou aturdido pela pancada. Seu excelente condicionamento físico fez com que se levantasse em pouco tempo. Com muita destreza conseguiu acertar o caboclo, fazendo com que ele caísse por cima de uma mesa, indo parar no solo. O jovem soldado fez uso da vantagem e chutou por diversas vezes Zé Francisco.
―Você está no lugar que merece! Seu merda! Seu merda! Ta pensando o quê? Que ta lidando com um boi!
Neste instante o caboclo agarrou a perna do samango, conseguiu conter seus golpes, aos poucos foi levantando e logrou suspende-lo sob seus ombros.
―Boi? Boi eu derrubo na unha!― Bradou.
Dito isto arremessou o soldado contra uma mesa que, para desespero de seu Biu, ficou em pedaços. Desta vez ele não levantou mais. O bêbado Jamaica que também estava no local, utilizou o momento de distração e aproveitou para consumar sua vingança contra o indefeso soldado. Foi seu Biu quem deu o alarme:
―Jamaica! Tenha vergonha... Pare de mijá no home!
―Aqui é terra de cabra macho... Viu? Amarelo fio da peste... Agora levante! Que quem vai te dá uma pisa sou eu!
Dito isto saiu triunfante da bodega. Trôpego, sua cabeça pendia para um lado e o corpo para outro. Ao longe já se ouvia o barulho das sirenes da polícia.
―Melhô tu ir pra casa Zé! Daqui a pouco isso vai ta cheio de samango! Os colega dele num vão gostá...
―Num sou home de saí correndo seu Biu! Além do mais eu só me defendi! Esse cabra safado fio da peste queria-me cortá!
―Mas vá home de Deus! Vá que eu explico tudo!
O caboclo obedeceu. Julgou que não seria sensato permanecer ali. Até que tudo fosse devidamente explicado, o fato poderia render-lhe infortúnio.
No dia seguinte procurou indenizar o dono da bodega pelos estragos, ficou sabendo que nenhuma acusação seria feita para ele, haja vista que agiu em legítima defesa. O proprietário fez questão de ressaltar ainda um comentário que ouviu do delegado onde dizia que aquilo, dada a arrogância do jovem soldado, seria apenas uma questão de tempo para acontecer.
Depois de sair do hospital, com algumas costelas quebradas e com dentes a menos o rapaz foi transferido de volta para a capital, onde responderia internamente por seus atos. Sua ficha, que se orgulhava de ser “impecável” agora estava maculada. Sobre aquela gente que ele tanto odiava, aprendera uma lição.



Publicado no site: O Melhor da Web em 25/05/2009
Código do Texto: 27648
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