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vedovello - DECIO VEDOVELLO
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A Chuva
01/08/2009
Autor(a): DECIO VEDOVELLO
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35270 A  Chuva vedovello - DECIO VEDOVELLO
A Chuva

      Foi um pouco depois do aguaceiro que veio
lá pelo fim da tarde.
      São Pedro arrastava os    móveis no céu fa-
zendo o barulho dos trovões que encobriam    as
súplicas dos regatos e as    lamúrias das lava-
deiras do rio.
      O bondinho já não corria nos trilhos e as
ioles e catraias foram recolhidas nos galpões
do clube de regatas e os chorões vergaram ge-
mendo à fúria de Notos e Euro.
      A noite veio junto com as negras cortinas
das nuvens.
      Todas as rezas , crendices e Santas foram
lembradas,principalmente, Santa Clara e Santa
Bárbara; as beatas e carpideiras caipiras co-
briram as cabeças com os aventais,como se fo-
sse luto pela desordem que viria.
      Pela margem do rio subia uma procissão de
sacis e sapos, no    ritual do juramento para o
dilúvio que antecede o adeus.
      E a chuva veio numa ira desesperada,aviso
da ecatombe que se anunciava.
      As águas subiram e cobriram as pedras    do
rio,até as da cachoeirinha,pinicando o violão
do Paulinho Nogueira,desafinando a sanfona do
Nicola Cego e a orquestra do Julinho.
      Açodado,fugi do rebolo das águas e me re-colhi no porto seguro do Cambuí - a figueira
da saudade que o seu João e dona Zorayde, do-
ridos,plantaram no balão da rua Maria Montei-
ro com a da Conceição.
      Outras pessoas procuraram    refúgio    sob o
teto abençoado da Igreja do Monsenhor Mariano
cujas portas jamais se fechavam.
      Choveu chumbo grosso, sapo e canivete a-
berto,e aí os criminosos aproveitaram a oca-
sião para despejarem o lixo nas águas limpas
do rio - foi aquele morticínio de lambaris ,
mandis e bagres.
      Perto da madrugada,quando as últimas leó-
nides se recolhiam na atmosfera, as ondinas ,
lacrimosas e silenciosas,recolheram o corpo
descamado da Iara daquele rio.
      A mais idosa das magas arrumou uma espi-
nha de peixe para desembaraçar e pentear    os
cabelos da morta e,com a seiva do salgueiro-chorão,pintou-lhe as faces e o lábio.
      Ao raiar do dia a Atibaíade foi envolta
em folhas de bananeira-maçã e levada com sé-quito,lá para a nascente do rio,acompanhada
pela minha dor e as dos sacis,curupiras , bo-
tos e sauins.
      Todo dia morre um regato,um riacho ou um
rio - não há mais potâmides no rio; a derra-
deira acaba de dar o seu adeus e foi se jun-
tar à Mãe d'Água,lá no Rio Verde.

      A vida será sempre assim e,é assim que se
toca a vida, repinicando nas tripas dos maca-
cos que moram nos braços das violas do cocho.


                              Rio Atibaia,2002

  

   A                                                                  



  


                                                           

  



     

  




Publicado no site: O Melhor da Web em 01/08/2009
Código do Texto: 35270
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