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Tocaia (novo trecho da peleja)
08/08/2009
Autor(a): ISLAN LISBOA
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Tocaia (novo trecho da peleja)

Enquanto estava na estrada, Zé Francisco resolveu tomar uma decisão: Iria ariscar a sorte ao lado de Rosa. Transformaria a prostituta numa mulher de respeito, a colocaria dentro de uma casa, criaria o menino e quem sabe teria os seus próprios, de seu sangue, assim como desejava há tanto tempo e Feliciana não podia dar-los.
Enquanto o sol se deitava na cidade, o caboclo cruzava a ponte, tomou uma rua contrária a que morava, não queria cruzar com ninguém que conhecesse, passou diante da igreja de são Cristovão onde fez o sinal da cruz e pediu proteção. Pela manhã, logo cedo iria procurar uma casinha de aluguel, perto da barragem, onde viveria com Rosa.
Passou na casa de Belarmino onde pediu um cavalo emprestado já que era uma boa caminhada até a    Fazenda Braúna, acertou com o colega de vir buscá-lo nas primeiras horas da manhã.
Dirigiu-se à fazenda em um trote macio, seguia satisfeito com um sorriso discreto imaginando como seria sua vida com Rosa. Na estrada não se via viva alma, as únicas testemunhas da felicidade do caboclo eram os pardais que já se aninhavam de forma barulhenta para dormir nas árvores que ficavam na beira do caminho.
De repente um estampido irrompe aquele silêncio ecoando no ar e fazendo as aves levantarem voo, o cavalo de Francisco rodopia assustado. O caboclo olha ao redor com espanto procurando de onde partiu o barulho. Sentiu algo quente escorrendo-lhe nas costas, passou a mão e olhou em seguida. Era sangue.
Em casa dona Feliciana que preparava o café, teve um baque no coração, uma pontada fina, que fez com que ela deixasse a xícara cair se espatifando no chão da cozinha. Assustada benzeu-se.
―Baliado?... Quem?― Pensou o caboclo
Antes que pudesse esboçar qualquer tipo de reação, ouviu-se um segundo tiro, sem duvida de espingarda, o cavalo empinou derrubando Zé Francisco no chão. Mais uma vez ele foi atingido, caiu de cara no solo, a poeira morna cobria seu rosto, o cavalo, espantado, havia fugido. O caboclo retirou o revolver discretamente das costas, manteve a arma oculta, deitando por cima dela, até poder ver o atirador. Sua vista já começava a escurecer.
―Santa mãe... Da mãe de Deus... Valei-me.
Aos poucos foi percebendo que alguém que se acercava agachado pelo mato e nas mãos trazia uma espingarda. Pôde perceber que era um homem.
―Venha cabra safado! Venha terminar o serviço!
Balbuciou. Quando notou o atirador próximo e já se preparando para dar o tiro de misericórdia sacou o trinta e oito e fez com que a arma disparasse até a última munição encima daquela pessoa. Depois pode perceber que ela caíra inerte. Morto sem dúvida.
Tentou ficar de pé, mas não tinha forças suficientes, a respiração começava a ficar difícil, puxou cada vez, seus pulmões agora se assemelhavam a brasas. Sua vista estava turva, cada vez mais escura, fechava das laterais até o centro como uma televisão avariada. Teve naquele momento a certeza de estar morrendo. Sua boca seca na tentativa de tragar oxigênio aspirava a poeira da estrada. Pensou em Feliciana, em Rosa. Pensou em tudo que não pôde concluir.
―Morto... Quem?
Já não enxergava. Um zumbido feria-lhe os ouvidos e uma sensação de dormência tomou-lhe o corpo. Julgou ser a morte que se deitava sobre ele, abraçando seu corpo frio. Pensou em recomendar sua alma a Deus, mas nenhum som saia de sua boca e seus pensamentos confusos se esvaiam.
Silêncio.
Na cabeça do caboclo vem a lembrança da infância. Correndo pelas ruas poeirentas da cidade, montado em uma vara de marmeleiro, fazendo às vezes de cavalo, tangendo pelo caminho os bodes alheios, como quem conduzia o gado para o curral. Os tapas que levava da mãe ao chegar em casa com as canelas finas, cinzentas da cor do chão e depois o “tchibum” nas águas frias do Panema.
Frio.
Em um novo flash se vê rapazinho, roubando caju no Poço Salgado e fugindo dos tiros de soca tempero do proprietário. Depois trabalhando com o pai no alugado, limpando a roça dos outros, cruzando seus olhos com os olhos da mocinha de cabelos presos por um lenço, que vinha trazer a bóia dos irmãos e posteriormente de segurar as mãos dela na festa da padroeira. Era Feliciana.
Lembranças e memórias iam e vinham. Viu-se como homem feito suando para colocar o pão na mesa, amansando burro brado e aos poucos domando um cavalo arredio que lhe seria dado de presente. “por causa das mancha que ele tem, vai se chamá Chuvisco”
Em outro momento, tomava cerveja em um prostíbulo, ouvindo uma música que lhe agradava fez sinal para uma cabocla que estava na mesa enfrente a dele, convidando-a para dançar. Dançaram várias músicas sem se largarem, de rosto colado, até que o suor dos dois se misturasse. Quando o calor fez com que os dois se largassem, ele perguntou o nome dela: “Meu nome é Rosa... e o seu?
Uma luz.
Nela uma mulher de véu branco estendia a mão para Zé Francisco, ele não conseguia ver seu rosto, pois ela brilhava como se estivesse vestida com o próprio sol. Aos poucos ela ia se afastando dele. Até tudo ficar escuro.
Despertou ouvindo um conversê perto dele, abriu e fechou o olho rapidamente. Estava num lugar estranho com pessoas trajando branco a sua volta. De forma espalhada conseguiu identificar algumas palavras:
―Perdeu muito sangue...
―Graças a Deus primeiramente...
―Cabra forte...
Antes de perder a consciência mais uma vez, lhe veio uma certeza, depois de todas as alucinações, memórias que tivera, havia sobrevivido. Acordou com algo que lhe roçava o corpo, era o padrinho Nezinho rezando no caboclo com algumas folhas de pião roxo. Percebeu que estava em casa. Adormeceu.
O caboclo foi desperto por uma sede que ressecava sua garganta, olhou ao redor e viu dona Feliciana adormecida em uma cadeira na cabeceira da cama.
―Água...
―Hum? Francisco, tu falô?
―Tô com sede.
A esposa retirou a quartinha com água, que já estava dentro do cômodo, pois água no copo e segurou para o marido. Enquanto este sorvia, os dois se entreolharam. Dona Feliciana sorria.
―Quanto tempo eu tô assim?
―Quase uma semana... De uns dois dia pra cá tú apagava e tornava, apagava e tornava. Até se acordá agora.
―Eu pensei que ia morré... Pegaram quem atirou em mim?
―Tu que pegô!
―É o quê?
―Tú matessa o fio da peste na merma hora.
―E foi, foi? Quem era o cabra?
―Um lá do teu serviço, um tal de galego.
―Na hora que bati o olho no fio da peste sabia que ele num valia bosta!
―Mais o que importa é que graças a Deus primêramente e Sinhora Santana tu tá intêro!


Publicado no site: O Melhor da Web em 08/08/2009
Código do Texto: 36004
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