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vedovello - DECIO VEDOVELLO
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Assombração
15/09/2009
Autor(a): DECIO VEDOVELLO
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39592 Assombração vedovello - DECIO VEDOVELLO
Assombração

      Francisco Barreto Leme ao fundar,em 1741,
a vila de Campinas de Mato Grosso, não imagi-
nou que ela se tornaria uma das melhores    ci-
dades do país e hoje a maior cidade do inter-
land paulista.
      No tempo dos "barões do café",na penúlti-
ma quadra da rua Regente Feijó,havia uma casa
estilo colonial,desabitada,que granjeara o e-
piteto de "mal-assombrada".
      Abrindo um parêntese:(pelos anos de 1942,
após ter sido    exorcizada e abençoada, veio a
ser a casa paroquial do cônego Melilo, razoá-vel    jogador de    ping-pong    e futuro bispo da
cidade de São Carlos). Fechar o parêntese.
      Ninguém    gostava de    transitar pelas ime-
diações    daquele imóvel e, se o fazia ,era o-
lhando-o de soslaio,ressabiado a benzer-se    e
esconjurar:
      "Vade retro! Tesconjuro! etc e tal!"
      Certo verão,as estrelas temerosas fugiram
do céu,e a noite coberta de nuvens negras    se
asenhorou do espaço celeste.
      Aconteceu de um    relâmpago vivíssimo ilu-
minar o céu,sulcando instantaneamente as tre-
vas do firmamento, onde se englobavam as grá-
vidas Nimbus.
      Seguiu-se-lhe o estrondo grave e majesto-
so dum trovão.
      Foi como se a natureza só aguardasse    por
esse aviso para desagrilhoar as torrentes de
água que,aliviando os bojos das nubes,desaba-
ram com fragor e vieram açoitar as vidraças.
      O vento, feiticeiro, ébrio de alegria in-
fernal,que doidejava nas danças dos entes si-
nistros,fazia gemer portas e árvoredos,levan-
do pânico aos astrófobos.
      Foi obra e serviço de São Pedro, abrir os
os ralos celestes,despejando caradupas,crian-
do o dilúvio campinense, levando tudo de rol-
dão.
                  Era um Deus nos acuda!

      Um pobre caixeiro viajante,esquecido    por
todos e por tudo,se encontrou sozinho,perdido
naquele aguaceiro, molhado como "pinto calcu-
do",sem viva alma que o acudisse.
      Nesse desespero,para não ser tragado pela
enxurrada que o sugaria para o pequeno córre-
go do Tanquinho,agora crescido como um Amazo-
nas,o incauto buscou refúgio pelas cercanias.
      Ignorante    da má fama do mal falado e fa-
dado tugúrio,ao brilho dum corisco,que cingiu
o escuro horizonte com sua fita de chama,ilu-
minando os abismos da eternidade,o pardavasco
ao divisar    uma porta mal cerrada, não pensou
duas vezes,e zás...num átimo se lançou por e-
la adentro.
      "Ô de casa! Tem gente aí! Posso entrar!"
      Não obtendo qualquer resposta o desventu-
rado    procurou ditinguir o quer que fosse na-
quela negridão; cautelosamente ensaiou alguns
passos,deu umas caneladas e o mesmo número de
impropérios; às apalpadelas esbarrou num lam-
pião com restos de breu...tacou fogo na mecha
e, numa luz bruxuleante, pesquisou o ambiente
empoeirado, cheio de teias de aranhas e chei-
rando a mofo.
      Enxergou    uma    enxerga    bolorenta e fedo-
renta,um travesseiro rasgado com as tripas de
palha para fora;deu graças aos Santos;em tais
circunstâncias, o que    viesse, era uma dádiva
divina.
      Sacou fora    as vestes molhadas, despendu-
rou-as num arremedo de cabide, vestiu a cami-
sola armafanhada e encardida e se ajeitou pa-
ra descansar o corpo moído.
      O sino da Matriz (hoje do Carmo) badalou,
metalicamente, doze vezes...a chuva estrugiu mais violenta, o vento zuniu mais furioso,    a
madeira velha rangeu no forro e o estremunha-
do peregrino ouviu: "Ói que eu caio".
      Num pulo de gato escaldado, candieiro al-
çado na mão crispada e olhos acesos, ele ten-
tou ver quem se encontrava no aposento:    Nin-
guém. Coçou a gaforinha,maneou a cabeça,enco-
lheu os ombros e intentou retornar aos braços
de Morfeu... contudo não conseguiu, pois logo
voltou a ouvir:    "Ói que eu caio".
      Se medo fede,o quarto ficou empestado.
      Porém,quando a fala se repetiu pela    ter-
ceira vez,já entregando sua alma a Deus,    num
fio de voz,o infeliz trautarmudeou:
      "Pois pode cair"...e num estrondo,um des-
carnado braço caiu aos seus pés.
      Foi demais! Aturdido,pálido,tremendo como
vara verde, o coitado estatelou num canto, as
mãos segurando a cabeça zonza, os olhos arre-
galados olhando tudo e    vendo nada, o nariz a
escorrer e    a boca boba a balbuciar jaculató-
rias.
      Mais uma vez a voz soturna,lá do alto    se
fez ouvir.    Com a mente rodando como pião,im-
pensadamente,o desgraçado acatou o pedido...e
numa paura ele foi vendo despencar pés,perna,
quadril,costela e finalmente uma caveira, que
lépida se juntou ao esqueleto.
      Batendo    os maxilares a assombração, para
espanto do estarrecido interlocutor, narrou a
sua sina: amaldiçoada pelos homens de boa fé,
pois,como todo funcionário público,político e
golpista,amealhara fortuna ilícita a custa da
desgraça alheia ,fora obrigada ali ficar, pa-
gando seus pecados,a assustar as pessoas, até
que um desabrido escutasse sua confissão.
      Revirando    os olhos, que não possuia, nas
órbitas ocas e    sacolejando a ossada, o arca-
bouço de alma penada do outro mundo tirou, de
um escondido desvão,uma arca recheada de moe-
das de ouro,entregado-a de mão beijada ao es-
tupefato tartamudo,
      Soltando estentórica gargalhada,num clan-
gor de ossos, o espírito    do Barão de Mauá se
desmontou,esfumou e sumiu.
      De manhã, com o sol a brilhar no céu lím-
pido,uma carrocinha, do largo do mercadão, se
dirigiu para os lados da Estação,levando, en-
carapitado num baú,um sorridente mascate.
      Anos passados desse fato, era inaugurada
a casa de    tolerância da Lola, sendo voz cor-
rente que ali andava o dedo do "Dr Agio",ben-
quisto rufião e benemérito doador de dinheiro
a juros,aos imprudentes necessitados.

                  Lembranças da minha terra,1936

















































                             




































                                               




































Publicado no site: O Melhor da Web em 15/09/2009
Código do Texto: 39592
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