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A FAMÍLIA NO CONTEXTO HISTÓRICO DO ROMANTISMO E REALISMO
08/12/2009
Autor(a): CLEANE CARLOS SENA
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A FAMÍLIA NO CONTEXTO HISTÓRICO DO ROMANTISMO E REALISMO

A FAMÍLIA NO CONTEXTO HISTÓRICO DO ROMANTISMO E REALISMO
                 
   Cleane Carlos Sena*

RESUMO: O presente estudo pretende analisar as famílias constituídas em algumas obras de autores pertencentes tanto a escola literária o Romantismo quanto ao Realismo. Apresenta como objetivo geral detectar, não somente as estruturas familiares nas épocas como também observar quais as causa que modificaram o âmbito familiar. No primeiro, contexto as famílias tinham bases patriarcais, inicialmente eram os pais quem arranjavam os casamentos as famílias; por meio de um dote, que funcionava como um negócio entre os homens. No entanto com o Realismo, que surge para contrapor as idéias românticas. Os autores pertencentes a essa fase tratam em suas obras de famílias não mais idealizadas; o sentimentalismo, o amor já não importa tanto, visto que as famílias analisadas convivem matrimonialmente e com o adultério. Visto porque naquela época acreditava-se que não somente a leitura com a mídia e os ambientes sociais a qual a pessoa viesse a pertencer influenciaria sua moral individual.   

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo pretende abordar a família no contexto da escola literária o Romantismo, analisando o seu perfil consagrado na época, a decadência da utilização do termo, assim como a interface da mesma no contexto histórico do Romantismo e sua ruptura para o Realismo.
Apresenta o objetivo de verificarmos como este termo se estabeleceu, quais foram as medidas encontradas para a realização da família, quais os inimigos do casamento e acima de tudo demonstrar como as obras dos autores do século XIX, mais precisamente do Realismo, não se distanciaram em seus fatos desta nossa atual realidade.

_____________________
* Aluna do 8º semestre da faculdade de Letras, da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA.
2 O PERFIL DA FAMÍLIA CONSAGRADO NO ROMANTISMO

Qualquer que tenha sido a época de introdução do termo “romântico” e seus derivados, o fenômeno, em história literária e artística, hoje conhecido como Romantismo, constituiu uma grande transformação estética e poética desenvolvida em oposição à tradição neoclássica, e inspirada em modelos medievais.
O Romantismo segundo Coutinho (2002, p. 141): “[...] reflete um estado de espírito inconformista em relação ao intelectualismo, ao convencionalismo clássico, ao esgotamento das formas e temas até então dominantes”.
Desta forma, no estudo do Romantismo, há que se estabelecer primeiramente uma distinção entre o estado de alma romântico e o movimento ou escola de âmbito universal que viveu entre os meados do século XVIII e do século XIX. O estado de alma ou temperamento romântico é uma constante universal oposta à atitude clássica, por meio da qual a humanidade exprime sua artística apreensão do real.
Enquanto o temperamento clássico se caracteriza pelo primado da razão, do decoro, da contentação, o romântico é exaltado, entusiasta, colorido, emocional e apaixonado. Ao contrário do clássico que é absolutista, o romântico é relativista, buscando satisfação na natureza, no regional pitoresco, selvagem e procurando pela imaginação escapar do mundo real para um passado remoto, para lugares distantes ou fantasiosos.
Seu impulso básico é a fé, sua norma a liberdade, suas fontes de inspiração a alma, o inconsciente, a emoção, a paixão: o romântico é temperamental, exaltado e melancólico, que geralmente procura idealizar a realidade, e não produzí-la.
O Romantismo foi uma escola literária surgida no século XVIII, sobre a qual diz Rocha (1996, p. 546):

Corresponde a um gênero literário originário da Alemanha, que constitui os processos e modelos por situações ou lendas de caráter nacional. Medieval do oriente com predominância da imaginação sobre a razão.

Muito embora, o Romantismo tenha sido a escola literária da primeira metade do século XVIII, foi também um período revolucionário, responsável pelas grandes transformações, econômicas, sociais, políticas e ideológicas fundamentais para toda a história, subseqüentes até os dias atuais.
Apresentava como características principais deste movimento romântico: a liberdade de criação, o nacionalismo, o pessimismo, o historicismo, o medievalismo, o egocentrismo, o escapismo, o amor, a morte e a critica social; sendo que tais características poderiam estar presentes tanto na poesia como na prosa (romance de ficção).
Levando-se em consideração o romance e seus principais aspectos, vale ressaltar que no Brasil todos os românticos elegeram o amor, tema fundamental de suas obras, e do ponto de vista do romance, podemos afirmar que este foi o tema que forneceu substância a todos os demais temas românticos.
Assim, segundo o que afirma Coutinho (2002, p. 302): “[...] nos romances em geral quase sempre, constrói-se as intrigas em torno de três elementos fundamentais; a família, o casamento e o amor”. Isso porque naquela época o patriarcalismo regulava não somente a sociedade como também a família.
Na verdade, nos períodos que compreendem o movimento romântico, as famílias da época continham traços das famílias medievais. As mulheres, não tinham adquirido o poder. E geralmente, eram os pais que se preocupavam com os laços parentescos e amoroso, principalmente das filhas, de modo que o costume não se enfraquecesse, à medida que uma geração era sucedida por outra.
Como sabemos na época do romantismo era legítimo os pais escolherem com quem os filhos deveriam casar. E é justamente contra esse ato, esta moral burguesa, que lutavam os românticos, a fim de defenderem seus direitos sentimentais; sendo que essa luta era feita de sofrimentos e provações.
A busca dos amantes era fazer permanecer o sentimento de união de duas almas, onde tal ato poderia ser conseguido inclusive na morte, caso não fosse possível o casal ficar junto durante a vida humana.



Este relato se passa de forma histórica e claramente nos romances do autor Camilo Castelo Branco, quando o mesmo narra que:

Tereza morre, assistindo do mirante do convento, a passagem do navio que leva seu amante para a Índia; dez dias depois, acometido de febre maligna, morre também Simão. Mariana, que sempre abnegada, o acompanhava ao exílio, atira-se ao mar, afogando-se abraçada ao cadáver do amado (BRANCO, 1971, p. 85).


Diante, deste fragmento acima posto observamos o amor atenuado de quem ama capaz de morrer para ficar junto do amado, isto porque não ocorrera a oportunidade de ficarem juntos em vida, devido a seus pais serem inimigos entre si, que não aceitavam o destino dos filhos, de casarem e construírem sua própria família.
Como os pais eram a personificação da autoridade familiar para à realização do casamento das filhas, cabia elas,    proceder como afirma Ribeiro (2008, p. 113): “ [...] que essas jovens vivessem enclausuradas até o momento de pertencerem ao eleito”.
Diante desse quadro a mulher tornava-se para o homem: uma espécie de rainha, sendo dominadora exclusivamente pela sua beleza. Eram assim nossas heroínas românticas enquanto solteiras e jovens, sendo que uma vez casadas, passavam ao domínio do marido, freqüentando menos a constelação social.
Um outro fator importante que se estruturava no Romantismo, para o perfil familiar estava em diferenciar o casamento do concubinato, o que para Cassey (1992, p.91): “O casamento, ou melhor, a família surgiu como uma concessão pública de um dote à noiva, tipicamente sob a forma de o presente do dia seguinte, depois da noite de núpcias”.
Este costume se originou de uma prática antiga, ate então obedecida, acarretada do passado, do primeiro século da era cristã; que voltava a se restabelecer, como uma forma em que os noivos pagavam certa quantia à a noiva, pela união das famílias.
A significação desse arranjo era considerada uma garantia de estabilidade da nova família conjugal, com o qual o homem assumia a responsabilidade, publicamente pelo o bem-estar da mulher, especificamente no caso de que essa viesse a ficar viúva.
Dessa forma, o dote era um arranjo definitivo entre os pais e a filha casadoura, e um símbolo do interesse paterno pelo destino da filha que se casava. Representava ainda uma exclusão da herança familiar e um importante apoio financeiro ao êxito do casamento surgido.
Em relação ao dote, iremos nos situar no contexto histórico do Romantismo, onde José de Alencar, um romancista, escreve na obra Senhora e até então demonstra a importância do dote para realização do casamento ao nos descreve que:

Amaral sentou-se ao lado, sem perâmbulos nem rodeios, a queima-roupas ofereceram-lhe a filha por um dote de trinta contos de réis. Seixa aceitou este projeto de casamento, naquele instante era com o que sonhava. (ALENCAR, 1997 apud RIBEIRO 2008, p.151).


Observamos claramente a aceitação das pessoas para partirem em busca da construção familiar. Aqui o dote era utilizado como algo extremamente valioso para quem deseja casar-se, isto porque o casamento era sempre um negócio entre os homens, uma convenção social mediante um acordo.
Vale ressaltar, que o pagamento do preço da noiva jamais deveria ser feito com a idéia de que a esposa seria simplesmente uma propriedade adquirida. Tampouco deveria o marido achar que esta seria sua única responsabilidade para com a sua esposa e seus parentes afins seja financeira, ou seja, apenas uma responsabilidade financeira.
Vimos então que no Romantismo, momento em coincidiu com a Revolução Industrial entre outros aspectos históricos, as famílias eram construídas quando não era pelo gosto do pai, era pela realização de um negócio.
Assim acreditava-se que se não existisse o sentimentalismo por parte dos noivos, depois de casados poderia este florescer; porém alguns casamentos desse porte davam certo, visto que muitos não tinham idealizações a respeito do amor.
Entretanto veremos no próximo tópico a decadência do termo família, e quais os fatores que propiciaram tal desestruturação, inclusive em face das mudanças sociais e culturais das sociedades mais modernas.


3 A DECADÊNCIA DO TERMO FAMÍLIA

A família hoje vem se modificando, infelizmente não para melhor, isto porque não é incomum esposas procurarem emprego fora de casa. Mas mesmo assim parece que ainda se espera delas que cumpram seus papéis tradicionais no lar.
Nas sociedades orientais são tradicionais os fortes laços de famílias ampliadas. Contudo, sob a influência do individualismo a moda ocidental e das pressões econômicas, o conceito tradicional de família ampliada vem enfraquecendo.
Assim, em vez de dever ou privilégio, muitos consideram uma carga cuidar de membros idosos da família. Dessa forma alguns pais idosos são maltratados. O divórcio é cada vez mais comum, visto que na Espanha, o índice de divórcios aumenta para um em cada oito, no começo da última década do século XX.
Entretanto, muitos parecem estar abandonando totalmente o conceito de família tradicional, isto porque em quase todos os países as pessoas estão casando menos, e os que se casam divorciam-se com mais freqüência e mais cedo do que no passado. Crescente número prefere viver sob o mesmo teto, sem as responsabilidades do casamento. Tendências parecidas são vistas no mundo inteiro.
Sobre os filhos podemos dizer que em muitos países cada vez mais bebês nascem fora do casamento, alguns de pais que estão a entram na adolescência e muitas mocinhas têm vários filhos de diferentes pais, quando estão iniciando suas vidas.
Assim, fatos do mundo inteiro destacam que nascem milhões de crianças sem lar que vivem nas ruas; muitos fogem de abusos em casa ou são expulsas por famílias que não mais as podem sustentar dignamente.
Sim, é importante mencionar que, a família está em crise. Além do que já foi aqui mencionado, a rebelião juvenil, o abuso de crianças, as violências contra o cônjuge, o alcoolismo e outros problemas devastadores roubam à felicidade de muitas famílias. Para muitas crianças e adultos, a família está longe de ser um refúgio.
Desse modo, e segundo o que afirma Kaloustian (1994, p. 14):

A família, da forma como vem se modificando e se estruturando nos últimos tempos, impossibilita identificá-la como um modelo único ou ideal.    Pelo contrário, ela se manifesta como um conjunto de trajetórias individuais que se expressam em arranjos diversificados e em espaços e organizações domiciliares peculiares.   


A razão da crise na família é diversa; visto que alguns críticos culpam a entrada da mulher no mercado de trabalho, outros apontam para o atual colapso moral, entre outras causas que já são reconhecidas. Nesse sentido enumera-se abaixo algumas das causas que impossibilitam hoje as famílias de viverem unidas, forjando seu conceito histórico e social.

3.2 OS GRANDES INIMIGOS DO CASAMENTO OU A DESTRUIÇÃO DO LAR FAMILIAR
           
            Retratamos a seguir alguns fatores que são reconhecidos como elementos que fragilizam a organização familiar, tais como:
I Infidelidade: A infidelidade é detestável em ambos os sexos. Visto que segundo a Bíblia Sagrada (JOÃO PAULO II, 1982), Jesus abre uma exceção para o divórcio, declarando que o adultério é motivo suficiente para acabar com o casamento.
      Ao menos que a parte ofendida seja capaz de oferecer o perdão, e a parte infiel se arrepender de verdade. Aquilo que Deus abomina que é separação, torna-se solução legal para por fim a algo ainda mais abominável a seus olhos, que é o adultério e a infidelidade.
II Mentiras: mesmo aquelas que começam pequenas, desembocam fatalmente na desconfiança, e o cônjuge que descobre que a outra parte mente, torna-se um eterno desconfiado.
III Ciúme: este sentimento quando exacerbado, levado ao exagero, destrói o amor. Que não se confunda ciúme com zelo. O ciúme representa falta de confiança profunda; não digamos que seja apenas no outro, mas cremos ser a cima de tudo em si próprio.
IV Amarguras: são aquelas mágoas guardadas, aquelas queixas sem fim, reclamações que não cessam nunca na relação afetiva.
V Falta de tempo: refiro-nos aquele tempo fundamental, imprescindível, que os cônjuges devem dedicar um ao outro no desenvolvimento da relação.
      Assim, casais que não gastam tempo juntos são casais que vão se surperficializando, esfriando, se afastando e chegará um dia em que tantas foram às horas consumidas separadas que não haverá mais diálogo possível.
VI Excesso de independência ou dependência excessiva: um espírito autônomo, independente pode ser muito benéfico na vida do casal e da família. Por outro lado, cair no excesso de independência é um erro terrível. O melhor é está preparado para ser independente, para que chegando o momento possa carregar-se a si próprio, levar seu fardo e decidir sobre seu destino e inclinações.
      Diante das considerações acima proferidas, podemos verificar que aos poucos a família vem sendo alvo de aspectos de sua desestruturação rotineiras. E é o que veremos a seguir, uma abordagem a respeito da interface da família, agora em paralelo a dois movimentos literários o Romantismo e o Realismo, com a intenção maior de compreendermos os processos habituais que nossas famílias vieram adquirindo construíram historicamente e foram sendo retratados nas obras literárias ao longo dos tempos.


4 A INTERFACE DA FAMÍLIA NO CONTEXTO HISTÓRICO DO ROMANTISMO E SUA RUPTURA PARA O REALISMO
  
            Como sabemos na segunda metade do século XIX, a Europa caracterizava-se fundamentalmente pela consolidação do poder da burguesia, com suas bases ideológica (o liberalismo político) e material (liberalismo econômico) estabilizadas.
            Em sentido amplo, podemos considerar o Romantismo (ênfase à fantasia) e o Realismo (ênfase ao mundo real) sendo as duas tendências básicas do fazer natural que sempre coexistem em uma obra.
            Entretanto, a tensão entre fantasia e realidade é o que caracteriza esse fazer. Assim, uma das tendências invariavelmente predomina sobre a outra, de acordo com o momento histórico-cultural e literário em que as obras foram escritas.
            Em sentido restrito, Romantismo e Realismo são grandes correntes estético-literárias que se desenvolveram ao longo do século XIX. O Realismo surgiu na segunda metade desse século, como oposição ao Romantismo, que se desenvolveu na primeira sua metade sobre tal assertiva podemos perceber que:

[...] o Realismo é uma reação contra o Romantismo: o Romantismo era a apoteose do sentimento; o Realismo é a anatomia do caráter. É a critica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos, para condenar o que houve de mal na nossa sociedade. (SARAIVA E LOPES, 1980, p. 122).



         Este fragmento tenta nos explicar claramente a influência das correntes literárias, para até então compreendermos os fatos das instituições ocorridas ao longo do século. Assim no tocante das famílias do contexto da época, vale mencionar que se diferenciavam bastante das famílias românticas.
         Vemos isso claramente na obra O primo Basílio, de Eça de Queirós, em que:

Casados há três anos Luisa e Jorge moram numa rua pouco elegante [... ]O casal só deseja um filho que lhes complete a felicidade[...] Até então Jorge parte para o interior da cidade, a negócios e ficando Luisa solitária, aborrece-se com as ausências do marido até a chegada de Basílio, seu primo. Em que este passa a desejá-la e Luisa cede as tentações do charme, da paixão [...] Cometendo o adultério. (QUEIRÓS, 1993, p. 14-16-18).


            Este fragmento de O primo Basílio, evidencia o comportamento dos casais da época, os contrastes entre a visão romântica e a visão realista da vida. Para os Românticos, como já fora mencionado, a solidão, o desvaneio, o tédio eram reações de homens originais, complexos e profundos, à superficialidade e ao prosaísmo da vida cotidiana.
         Já para os Realistas, o escapismo é a manifestação dos temperamentos frouxos e das vidas desocupadas. O que para os primeiros são virtudes da alma para o segundo são deformações do caráter.
            Desta forma, para os realistas, o comportamento humano é determinado por fatores sociais. No exemplo dado a inutilidade da vida pequena burguesa criou uma Luisa vazia, enfatizada e tola.
            Com a estabilidade da corrente literária o Realismo-Naturalismo, os escritores da época transformavam a literatura em “espelho” da realidade, que devia refletir as contradições sociais, retratando-as por meio da análise e das criticas de suas principais instituições.
   Assim, o casamento e o adultério, por exemplo, tornam-se temas preferenciais do romance, e funcionam como um meio de criticar ou subordinar as ações e instituições da época.
E quando se questionavam a instabilidade da família, provindas das bases tradicionais, explicadas anteriormente, associavam a figura feminina a uma fragilidade decorrente da própria natureza e das condições ambientais por elas vividas.
Acreditavam que a fraqueza humana e aqui particularmente da “fêmea”, perante os instintos da submissão, a tirania da carne é o que modifica a pessoa em si. Isso ocorria por que se percebia que as famílias, entre outros pilares da ordem social, estavam até então em decomposição.
Um exemplo claro de família que pertencia à época e se diferencia muito pouco, em relação à obra aqui avaliada, está em Memórias Póstumas de Brás Cubas, em que:

Brás Cubas crescia naturalmente como crescem as magnólias e os gatos, possuía um temperamento maligno, contando invariavelmente com a cumplicidade do pai que o superprotegia e com a fraqueza da mãe, sempre omissa em relação a ele. (ASSIS, 1962, p. 19).


Diante do exposto, alguns críticos realistas acreditavam que uma criança crescendo nesse contexto familiar que favorece e justifica-lhes as travessuras, transformar-se-á num adulto egocêntrico, mentiroso, cínico, entediado e petulante, atribuindo-se uma importância indevida, para assim disfarçar as seqüências de fracassos, a que de fato sua vida virá a se reduzir.
Para melhor compreendermos as famílias da época, nos meados do século XIX, é que iremos fazer um paralelo entre as obras de José de Alencar e Machado de Assis, pertencentes ao Romantismo e ao Realismo respectivamente, a fim de verificarmos as causa freqüentes do casamento, assim como sua ruptura, para até então compreendermos com facilidade, o porquê dos devaneios das famílias nas diferentes épocas.
Em José de Alencar, segundo o que nos afirma Ribeiro (2008, p.413): “Os conflitos de duas obras passam sempre pelo casamento. Visto que ele via no namoro e no casamento momentos de transformação, quando na verdade eram a garantia da perpetuação do sistema”.
Isto porque em todos os casos, José de Alencar (1977) em suas obras está atento e vigilante para que a instituição do casamento não se deixe corromper, não venha a por em risco toda uma forma de vida e de sociedade.
Desde Lucíola, quando o narrador não permite que Paulo e Lúcia se unam pelo matrimônio, há aqui um interdito de ordem moral: porque Lúcia não é virgem, nem pura. E apesar do narrador afirmar que ela era dotada de uma virgindade da alma, nem assim pode ser redimida enquanto vive, isto é, sem por em risco toda uma escala de valores.
Em Diva, a personagem Emilia, de uma castidade a toda prova nada a impede de casar, a não ser sua fortuna, onde necessita certificar-se de que o homem escolhido não a ama por causa do dinheiro e posse. E todo o jogo resume-se nos movimentos para tornar possível este seu desígnio, submetendo Augusto a tão duras provas do seu amor.
Mesmo assim não impediu que Augusto cassasse com uma moça rica e o matrimônio faz-se aqui sob a égide do amor e longe de qualquer interesse declarado.
Já na obra Senhora, a personagem Aurélia é rica, quando decide construir sua própria família e casar-se. Não confia em nenhum dos noivos que estão a sua disponibilidade em face de sentir algo por seu amado Fernando. Esta então decide que a maneira mais simples de resolver a equação matrimonial é comprar o marido por um dote.
No entanto, quando ela age dessa maneira, desnuda cruelmente o contrato de compra e vendas em que se transforma o casamento em sua classe social. Embora que este casamento esteja plenamente enquadrado dentro das normas jurídicas e sociais vigentes, não se pode consumar porque ainda que legal tornou-se essencialmente imoral.
Já em Machado de Assis, representante do Realismo o universo por ele criado aborda o casamento por outro viés, ou seja, o do adultério. Não se trata mais das condições que conduzem ao casamento, mas do processo de sua vivência cotidiana.
Nesse contexto, não importa mais os namoricos de salão, nem as alianças econômicas que presidem o matrimônio, o que está em jogo é a sua manutenção, ainda que sob o patrocínio do adultério. Podemos perceber isto claramente quando:

Brás Cubas, na juventude envolveu-se com Marcela, uma cortesã espanhola que o amou durante quinze meses e onze contos de réis [...] Mais tarde almejando ser ministro, o que consegue é o amor adúltero de Vigília e o cargo de deputado. (ASSIS, 1962, p. 122).


No realismo de Machado de Assis, encontramos famílias e situações, tal como se mostravam na época, de mulheres em especial, daquelas que queriam ser responsáveis, mães dos lares não se comparavam, com as heroínas de José de Alencar, castas e intocáveis. Aqui elas são de forma humana real e não mais idealizadas. Têm sentimentos e permitem-se uma relação normal com os homens que a cercam.
Não há o pânico do pecado, nem a síndrome da virgindade. Isto porque grande maioria das mulheres da época era solteira e preocupam-se com o casamento, não com o que ele as faria perder a pureza, mas se casadas, tratavam de diversas vidas e de sua realização amorosa, nem sempre dentro dos limites do matrimônio. Seus movimentos tinham como eixo a mobilidade social e o acúmulo de riquezas.
Assim percebemos que essas mudanças contatadas na segunda metade do século XIX, não se diferenciam por completo, de nossa realidade. Talvez os escritores da época tentassem prever o futuro.
5 CONCLUSÃO

Com este artigo podemos afirmar que nos aprofundamos no perfil de família consagrado na época, analisamos a decadência do termo família e verificamos a interface da família em dois momentos históricos literários que fora o Romantismo e o Realismo.
No entanto, o que fica de ensinamento deste estudo é que a família inicialmente tinha sua forma tradicional, conceitos e consagrações como fora estudadas. Porém com os avanços da modernidade, o termo família veio perdendo o seu valor vimos isso detalhadamente nas passagens citadas dos autores que fizeram parte do Romantismo e do Realismo.
Assim, compreender as mudanças estruturais das famílias ao longo dos séculos poderá auxiliar professores e alunos na identificação natural dos recentes problemas que o núcleo familiar enfrenta na atualidade.
A literatura poderá ser um excelente contributo aos entendimentos históricos, sociais e culturais, pois as obras literárias retratam a realidade e mesmo quanto fictícias criam uma subjetividade concreta.


6 REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS

ALENCAR, José Martiniano. Lucíola. Rio de Janeiro: José Olimpio, NLT, 1977.

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: José Alguilar, 1962.

BÍBLIA SAGRADA. Escrita pelo Papa João Paulo II. Rio de Janeiro: Vozes, 1982.

BRANCO, Camilo Castelo. Amor de Perdição. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1971.

CASSEY, James. A história da família. São Paulo: Editora, Ática, 1992.
COUTINHO, Afrânio. A literatura no Brasil. Era romântica. Parte III / Relações e perspectivas. Conclusão (pós-moderna no Brasil). São Paulo: Global, 2002.

KALOUSTIAN, Silvio Monoug. Família Brasileira: a base de tudo. São Paulo: Cortez, 1994.

QUEIRÓS, Eça de. O Primo Basílio. São Paulo: Ática, 1993.

RIBEIRO, Luis Felipe. Mulheres de Papel. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.

ROCHA, Ruth. Minidicionário. São Paulo: Scpione, 1996.

SARAIVA, Antonio José e LOPES, Oscar. História da Literatura Portuguesa. Porto Alegre: Editora Porto, 1980.


Publicado no site: O Melhor da Web em 08/12/2009
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