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IGdeOL - IVO GOMES DE OLIVEIRA (IGDEOL)
IVO GOMES DE OLIVEIRA (IGDEOL)
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VOVÔ NÃO CONHECIA O MELHOR DO TREM
04/04/2010
Autor(a): IVO GOMES DE OLIVEIRA (IGDEOL)
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52932 VOVÔ NÃO CONHECIA O MELHOR DO TREM IGdeOL - IVO GOMES DE OLIVEIRA (IGDEOL)
VOVÔ NÃO CONHECIA O MELHOR DO TREM

(IGdeOL)

E “São Bento”,
Lembro-me bem,
Aquela parada do trem
Que hoje me parece lenda,
A “Maria Fumaça” chegando
E o meu avô me esperando
Para as férias na fazenda!...
(Excerto do poema Recordações, extraído do livro do autor: Amor, singelo amor! Itapema, Gráf.    Verdes Mares,2002. pag. 75)

Tinha lá eu meus oito anos de idade quando recebi dos meus pais pela primeira vez autorização para viajar sozinho, isto é, para visitar meus avós na localidade de São Bento, durante as férias escolares.    A viagem, que viagem!    Dezenove quilômetros de distância entre nossa residência e a fazenda do vovô Zote e da vovó Manuela. Doze quilômetros percorridos de trem e sete quilômetros em estrada de chão, estes últimos somente transitáveis a pé, a cavalo ou com veículo de tração animal. Minha mãe embarcou-me na “Maria Fumaça” na estação de Carazinho, com as suas costumeiras recomendações. Deveria manter-me bem comportado, permanecer sentado durante todo o percurso no banco que me fosse destinado e somente descer do trem com acompanhamento do agente responsável pelo vagão.
Embarquei...
Que alegria! Senti-me como gente grande naquele imenso vagão. Observava atentamente as pessoas que ali já se encontravam nas confortáveis poltronas de couro, quando o agente pediu-me a passagem para carimbar. Olhou-me fixamente e me falou com voz mansa e educada: - Menino, teu lugar não é neste vagão. Tua passagem é para carro de terceira classe, mas como há ainda diversas vagas e a tua parada é na próxima estação vou permitir que continues neste carro. Senta-te no último assento e nada de ficar andando de um lugar para outro.
Cumpri a determinação com rigor. Sentei-me depressa antes que alguém tomasse o meu lugar. Acomodado na macia poltrona senti uma pontinha de orgulho e fiquei imaginando a surpresa dos meus colegas da escola quando soubessem que eu havia viajado no melhor vagão do trem e feliz da vida refletia sobre o acontecido.    Aquele carro maravilhoso em nada se parecia com o vagão ferroviário em que viajei o ano anterior com meus pais e minha irmã para visitar nossos tios na cidade de Santa Maria. Que delícia aqueles bancos macios, a limpeza e o aroma do café novinho que adentrava ao ambiente, vindo do vagão-restaurante. Sonhava com uma longa viagem naquele veículo tão confortável quando a locomotiva movimentou-se ocasionando um monumental solavanco que me acordou repentinamente. Assustei-me, mas tão logo o trem iniciou sua marcha, minha atenção voltou-se para a janela onde vi passar, inicialmente de vagarinho, bem de vagarinho, os prédios e as árvores. Depois, mais rapidamente, os campos, as árvores, os animais. Animais havia e como havia animais no campo e também árvores, ovelhas, bezerros e emas que logo, à minha vista, pareciam voar ao lado do trem.
Rápido, muito rápido, também o trem chegou à estação de São Bento onde meu avô Zote me aguardava com uma das suas charretes para me levar até a fazenda.
Pedi-lhe como de costume a sua bênção.
- Que Deus te abençoe, meu filho!
Embarcamos na charrete e ele foi perguntando como estavam os da minha casa e como foi meu final de ano na escola, o que era de praxe para o início de conversa. Respondi na forma de sempre: - Tudo está bem, passei para o segundo livro. E assim continuamos a falar de banalidades, mas eu vagava ansioso para contar da minha viagem no carro de primeira classe que me conduziu até ali. Aguardava o momento para entrar no assunto. Vovô calou-se por alguns instantes ao tempo em que observei atentamente sua fisionomia que me parecia um tanto triste.    Senti o momento oportuno para falar da ocorrência que me deixava eufórico:
- Vovô, o senhor já viajou na primeira classe do trem?
Retorcendo os fios do bigode branco com uma das mãos e segurando as rédeas do cavalo com a outra, respondeu-me com toda a paciência que lhe era peculiar:
– Não, nunca viajei na primeira classe porque o preço da passagem é muito alto. As minhas costas ainda se ressentem da viagem que fiz para comprar terneiros na fronteira.    O assento desta charrete é mais confortável do que aqueles bancos de madeira do trem que me trouxe de Uruguaiana semana passada.
Faltou-me coragem para continuar o assunto. Algo me dizia que ele não estava triste, ele vivia triste.
Afinal, vovô tinha razão em ser triste, em tempo nenhum havia viajado na primeira classe do trem. Coitado do vovô, só conhecia o carro de terceira classe.

(ESTAÇÃO CATARINA: o trem passou por aqui. Ogranização e seleção de textos por Fátima Venutti. Blumenau: Nova Letra, 2009, pág.77)

Publicado no site: O Melhor da Web em 04/04/2010
Código do Texto: 52932
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