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idemar.barros - IDEMAR MARINHO BARROS
IDEMAR MARINHO BARROS
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A GUERRA DO PAU DE COLHER
13/04/2010
Autor(a): IDEMAR MARINHO BARROS
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A GUERRA DO PAU DE COLHER

A GUERRA DO PAU DE COLHER – Tragédia Sertaneja
Expressionista por vocação e apresentada com elegância de forma, Récita Nordestina supera as expectativas, enobrecendo a face de um povo que traz, diz Idemar Marinho ( Marinho do Nordeste), “esta porção de natureza viva que só é lembrada por suas mazelas, e também porque é grande exportadora de cruéis coronéis, bacharéis, donos do poder. Desvela que as notícias aqui chegadas neste sul que agora aconchega, só mostraram sua chaga, fazendo que todos pensem que é o modelo. Por lá também há cearenses, maranhenses, alagoanos cultos, mas humanos, destituídos dos causídicos da prosopopeia, enrolados como centopeia por poucos e tirânicos centuriões de alto garbo e moral de geleia, e bolsos estufados de séculos e séculos às custas dos reles descamisados da plebeia. Falo com muito zelo da terra onde nasci ouvindo o apito assustadormda usina Laginha e o grito noturno de Zumbi dos Palmares; onde um povo tem sido sinônimo de ignorância e fanatismo por conta de sua fé numa solução divina para as suas dificuldades. A Guerra do Pau de Colher foi um parágrafo da nossa história ocorrido mais recentemente no interior do sertão de Casa Nova, como página esquecida do capítulo de Canudos protagonizado por Antônio Conselheiro nos confins da Bahia. Transcrevo esta comovente história que me conta uma de suas personagens”:

“ÉRA ASSIM CUMA UM REZEIRO, uma novena. Tipo um terço. Só qui era a noite toda. Rezando direto E as pessoa chegando. Eles rezava, rezava e dava conseio ao povo. Qui Deus istava presente! Ali. Qui lá istava bom. Tava bunito Tinha tudo. Água, cumida e reza. Eles dizia qui só tinha fé quem tinha aquelas rezação! Muitos ía pras reza e não ajudava um pede reza. Alimpam. Varrem tudo. Deixam cuma uma sala. Varrido. Tudo limpinho Vão chamando um pelo outo. Eles torra um fumo. Chega lá e dá aquele fumo pra pessoa cherá. Condo a pessoa termina de cherá aquilo, antoce eles já fica dizendo: Óia, é um irmão, óia é um irmão! Eles rezava noite e dia. Dando esse tá torrado. Um torrado a um, um torrado a outo. Os cabeça é Anjo cabaça, João Damaso e Sinhurinho. Quinzeiro é o Deus deles. Eles chamava padrinho. Padrinho Quinzeiro! Se você pertence a Padrinho, você veve! Se você não pertence a Padrinho, você morre! Vá pra lá, vá!    Lá é mio! Tem qui ir pra lá. Purquê, se você não fô pra lá, fica pió! Quem fala aguma coisa se arrepende! Tem crucifixo, rusaro. Cruiz. Só veste preto. É tudo preto. Só veste preto. Tem um riachinho. Eles istão do lado de cá do riachinho. E o povo vai se humilhando a eles. Prantam um pé-de-cana na pedra e cavam e istercam o chão. De noite jogam água e condo é de dia eles mostra pro povo o pé-de-cana verdinho! Pro povo! A pessoa acridita qui a pranta istá nascendo purquê é um milagre! Dize que é os milagre de Deus! Qui é a sarvação de Cristo qui istá ali dento daquela pedra fazendo os milagre. Todos se sarva no céu! Deles lá. Se santifica A redondeza do sertão istá infestada. Aquilo ganha presente. E o pessuá incute qui é mermo. Vendo aquelas coisa qui eles faze lá. Vira o juízo! Só aquele rezeiro. Todo dia e toda hora. Cum a reza todo mundo se infrui, né? De um dia pra noite, vão foirmando os grupo. Tem munta gente qui qué vê. Todo mundo qué se sarvá! Acampam dibaixo dos juazeiro. É uma capueirinha. O pessuá sai de casa pra assisti a reza. Condo chega já é dando conseio. Ao povo. Não qué mais sabê de casa. Vamo tudo pro céu! Eles pula dos pé de juazeiro! Tem briga prá subi e pulá dos juazeiro! Eles dize qui é pra vê Jesui! Subam! Subam! Pule, oi! Aí subia lá pro oio do juazeiro! Condo chegava no oio, pulava de cabeça pra baxo. Cada quem qué subi mais primeiro. O cabra pula e já cai morto. A bestição é ali. Aí fica vendo aquelas mocinha bunita, aquelas mocinha nova pulá dos juazeiro! Isso aí abalô munta gente. Ninguém sai. Gente qui saía de casa pra visitá eles e não vortava mais. Condo sai um lá qui ainda tem a licença de vortá, leva a famia. Purquê distrói o cáiculo qui eles tem. Pricisava de cumida. Durmida pra todo mundo. O pessuá levava carne. Nesse tempo não tinha pão, não. Aí matava gado, bode, galinha. Dos outo! O pessuá leva, farinha, açuca, feijão. Muntos nem isso pensa.

Aí começaro a matá uns aos outo. Qui a mutidão istava demais. Nesses meio matam três vaqueiro bom: Cocoisa, Robenho e Zé da Barra. Depois de uns oito dia, a puliça entra no sertão. Condo a puliça chegô, eles já tava matando A puliça já veio atrais disso aí. Se ispaiô nos sítio. Juntando a homaria pro local. Ajudá as puliça levá as carga de bala. As metralhadora. A mão. Manuá. Até terminá. O tenente chegô no pai de Zé Baiano e falô: Ói, véio, tu vai acumpanhá a gente! O véio disse: Eu não vou não! O qui é que eu vou fazê lá? Eles disse: Tu vai pra ajudá. É obrigação! De você! Ajudá nóis! O guverno! Carregá as munição! Os saco de bala! As arma! Nóis istamo muito istrupiado. Vocês vão ajudá! E tua muié mais teus fio fica aí. Vão durmi no mato! Aí a famia toda foi durmi dibaxo dum pé de braúna. Noites clara. O cachorro não pudia lati qui a mãe brigava com o cachorro. E brigava com os mininos também. Os fanático pudia passá, né? Alguém pudia passá e dá nutiça. Mei mundo de gente corre pros capão. Se assombrando. Purquê passaro nas casa pegando o povo. Pode ire passando e iscutá o roçoinho. Cuma eles mata eles propi, pode matá os partículá. Os primeiro batalhão não resovero nada. Morre é sordado. Vem o segundo e se humilha in cima da serra das ixtrema. Vê qui o movimento é grande. Não tem corage de descê. Vorta pra trais! Agora é o terceiro. Chega de repente. Uns dorme na casa de Pedo Bicó.

Condo é de manhãzinha se arreia todos os sordado. Só aí quarenta. Eu me alembro qui o derradeiro qui foi o sordado Abidon qui se aprontô atrai da porta. Moreno. Grosso. Fortão. Assim qui nem cumpade Antonho. Ele diz, ô minha dona! Ô, minha dona, reze pur nóis! Peça pur nóis! Prá nóis sê feliz! Ele tinha medo. Rezamo pur ele, mas não teve sorte. Baliaro primeiro ele. O coitado morre no Jatobazinho! Outos pede arranho na casa de Chico Anjo. Tem lá uma mininiha duente in sintinela. Eles entra no quarto prá vê o qui é. E vorta pra trais e dize: Oi, nóis vai ficá parado aqui hoje, viu? Amanhã nóis segue nossa viage. Condo é de madrugada a minininha morre. De manhãzinha, eles pede pra interrá a minininha. Que eles querre acompanhá. Aprontam o anjinho e vão seputá. Acumpanha ele quage uma meia légua. O sol quente. As muié tudo rezando a as reza de dispidida. Os home na frente pra abri a cova. Condo chega adiante, eles dize: É pra pará! Param o anjinho. Tiram todo armamento ali no caxão. In cima. E faze uma rogativa ao anjinho, pidindo ajuda cum as força de Deus pra eles sere vitorioso. Dali eles vortam. Siguiro viage.

Já perto do Pau de Cuié, a puliça acampa nas casa dos sertanejo e manda todo mundo corrê. Aí eles chega e faze o acampamento deles. Apadrinharam naqueles alves ai! Prá pudê atirá. Entrá! O sertanejo sigura as metralhadora. Tudo in forma. Alevantam a bandeira e pedem paiz! Pidiu pra os fanático se intregá. A metade grita qui não. Condo os fanático vê a bandeira, se ispanta. Então haja fogo! E condo é daí a pouco só se vê o istremecimento no mundo! A terra istremece. Do Julião pra cá istremece tudo. Era sangue qui era. Ali. A bala chuvendo e atolando. Ningém pisa no chão. De tanto sangue. A puliça atirando e dizendo: Se intrega, biato! Se intrega, bandido! Senão morre! Muntos disaba. Poucos corre prá cá. Quinzeiro correu. Sumiu. Dize qui é vivo! Tem uma véia fanática. Francilina. A vó de Zé Baiano. Ela é mangangueira. Muié guerreira. Tem parte com o cabra véio! Fica na frente do fogo. Pulando. Apara as bala na saia. No primeiro remesso da puliça, a puliça grita ela: Véia, vorte ao nosso lado! Venha! Passe prá cá! Se alevante, qui você morre! Ela arresponde: Não me abaxo! Eu morro mais não me intrego! A véia rimunga munto. Ela pega o colo de bala e joga nos péis das puliça. Gritando: Toma essas merda qui eu não priciso disso! Não pense fi do cão ninhum qui bala é serventia de Deus! Qui não é não! AÍ eles se acovarda. Matam ela. De cacete. Metem o punhá. Cortam a garganta dela. Purquê de outo jeito ela não murria! O quê!? Murria nada! Não sobra ningém. Só os qui correro antes. Isso foi gente carregado nas costa até Casa Nova. Ia morrendo tudo nas istrada. Tem uns morto aqui nos caminho. Tem dois morto na Laranjeira. Tem três morto no Jatobazinho. Tem dois morto na Lagoinha. Os corpo é careregado nas costa e in rede.

Aí começa nova prissiguição. Depoi da luta. Eles prissiguia o pessual. Nas casa. Purquê sairo nos sítio pegando o povo pra levá pro fogo. Qui a prissiguição era demais. Uma cuincida minha qui morava no povuado de Ouricuri. Lucinha. Ela era mocinha. Tinha dez anos! Ela correu do fogo do Pau de Cuié. Ela contava qui ficô nos mato! Ela passô dias e dias nas caatinga. Sem cumê. Sem nada. Ficô iscondida. Currida! Ficava in cima dos pé de imbuzeiro. Condo era no fim das chuva do inverno, os passarinho furava aqueles imbuzinho qui fricava in cima do pé de imbu. Condo é no fim das chuva, os passarinho fura o fruto dos imbuzeiro. Ela dizia qui cum uma fome ela pegava aqueles imbuzinho e ponhava na boca prá ficá ruendo ali. Muntas criança possô pur essa situação. Cum medo. Condo acaba o tiroteio, fica tudo queimado. Mato não pode crescê. Nasce, mai raquito. O chão é pretim! Nem erva do mato dá no lugá. Os pulicial entraro nas casinha veia depoi do final do fogo. Era tudo um acampamento cum não sei quantos quilômetro. Assim in quadra. Depoi sairo pelos mato. Entraro numa tapera, qui tava saindo tiro de dento. Viro que não tinha mais nada. Correro. Só tiha uma caxa grande. Abriro a caxa. Tinha uma criancinha mais ô meno cum quato mese de nascida. Quando a criancinha deu risada pra eles, eles jogaro pra cima e apararo no punhá. Morreu uma muié lá, dando de mamá o fio. Eu era munto piquena, mais via contá. Dize qui até dento de baú achava criança. Qui as mãe butava dento dos baú. E os fanático pegava as criança e jogava a cabeça assim nos tronco de juazeiro. Dizia qui se é da puliça matá, eu mato! In nome do Padrinho! Ô meu Deus!

Condo vejo é mãe dizê: Maria, Maria! Óia os sordado! Já vem tudo ali. Ai eu corro.    Vou vê! Passo antes na sala pro alpende. Chego lá, eles vão chegando. Aonde traz um primo da minha avó. Meu avô disse: Bicó, ali vem dois minino! E aqueles minino é seu sobrinho. Eles tinha de sete a dez ano. Minha vó disse: Oxente! Será? Eu vou oiá! Minha vó óia e chega lá, os minino tão no meio dos sordado. Aí falô qui aqueles minino era sangue dela. Aí eles dissero: É? Cuma? Minha vó diz: Oxe! É fio de uma irmã minha qui mora lá in Pau de Cuié! Aí eles pergunta: Dona , a sinhora tem certeza, a sinhora tem certeza mermo? Ela arresponde: Eu tenho! Eu quero qui vocês me intregue esses minino! O tenente pergunta: E a sinhora cria eles? Ela diz: Oxé, eu crio! Eu crio cum fé in Deus. Deus é de me dá força pra eu criá esses minino! Eles dize: Apois, se a sinhora garante qui cria os minino, nóis deixa os minino. Eles intregaro os minino. Ela levô os minino lá pra casa. Istava numa casinha qui se chamava casa de farinha. A tia dos minino precisaro eles prá ficá cum eles. Condo chegô, aí ela foi trocá de roupa dos minino. Dá banho. Os minino, um sangue terrive! As roupa dura de sangue. Fizero armoço. Foi munta cumida. Pra puliça e o pessuá qui acumpanhava a artilaria. O povo do local. Ela troca de roupa dos minino. Deu banho. Aí mãe véia foi ismiuçá:    Meus fio, e esse Sangue? Esse sangue o qui é? Cadê a mãe e o pai de vocês? Aí os sordado dissero qui istavam lá morto. Aí disse: E esse sangue, in vocês? O qui foi, meus fio? Será qui é imbu no corpo de vocês? É imbu, meus fio? Eles dissero: É não! Foi nóis qui abracemo papai e mamãe! A hora qui tavam matando papai e mamãe, nóis caimo in cima deles! Aí disse: Foi nóis qui se abracemo cum eles! Aí mãe veia caiu in disadoro. A chorá. E chorava todo mundo. Quem istava na hora, chorô todo mundo. Ela dissse: Meus fio, e vocês se abraçaro cum eles? E não tinham medo de bala, não? Aí o Quelé arrespondeu: Eu não tinha medo não! A Joana dizia: Eu tombém não tinha não!... Eu quiria era morrê junto cum a minha mãe! Disse qui abraçava a mãe dela e o pai. E o Quelé também. O Quelé já morreu. É aquele ali! - Maria do Carmo fala apontando para um retrato na parede. Eu convivi cum os minino. Eles não tivero violência não. Ela criô eles. Condo Quelé ficô refeito, aí foi simbora pra São Paulo. Ficô trabaiando lá. Despoi vortô. Casô cum uma prima minha qui se chama Laura”.


Publicado no site: O Melhor da Web em 13/04/2010
Código do Texto: 53378
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