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ADRIANO ALVES
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Texto mais recente: RIO 40 GRAUS - DUAS COISAS ME FAZEM RIR...



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VEM, VEM, DESFAZ, DEIXA SOLTO - EU ODEIO FLANELINHAS
28/04/2010
Autor(a): ADRIANO ALVES
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VEM, VEM, DESFAZ, DEIXA SOLTO - EU ODEIO FLANELINHAS

                                                               “Vem, vem, vai, desfaz, desfaz, deixa solto, posso vigiar doutô (?), tá bem vigiado madame (!)”. Essas célebres expressões, tão comuns nas cidades grandes, são facilmente reconhecidas por seus ouvintes e mais facilmente, ainda, associadas aos integrantes de uma “categoria profissional” que costuma despertar os mais diversos sentimentos. Sentimentos que vão desde a pena do cidadão prestativo que quer vigiar seu carro, até o verdadeiro ódio do dito cujo, claro passando antes pelo sentimento de que você está sendo extorquido por um meliante armado com um sorriso amarelo, uma enorme cara de pau e de um pedaço de pano sujo em uma das mãos.

                                                               Isso mesmo, são eles, os famosos flanelinhas. Além de se poder usar a audição para facilmente identificar um flanelinha vindo em direção ao seu carro, podemos também usar a visão, para identificar os membros desse “sindicato trabalhista”. Basta olhar para os típicos instrumentos de trabalho dos quais sempre estão munidos, uma flanela suja na mão ou então um rodinho acompanhado de um vidro, cuja água que guarnece seu interior com certeza nunca saberemos a procedência. É até melhor que não saibamos mesmo de qual bueiro ela veio. Em algumas cidades onde o poder público vem regulamentando a categoria, além dos apetrechos citados temos também o “flanela” trajando um colete com numeração e um crachá, o qual parece ter sido impresso em papel de embrulhar pão.

                                                               Essa é a realidade das grandes e médias cidades brasileiras, onde qualquer metro quadrado de área pública, ou qualquer espaço no sinal de trânsito está infestado de pessoas que agem como se fossem os reais “proprietários do pedaço” e querem cobrar pelo lugar no espaço que o seu carrinho vai ocupar. Como se você já não tivesse pago o suficiente para o Estado deixar você ocupar, de graça, aquele pedaço de chão chamado estacionamento público.   

                                                               Confesso que fui educado para ter pena do próximo, para me solidarizar com a dor humana e a necessidade imediata dos mais necessitados. Acho que eu e a maioria das pessoas de bem fomos assim educados. Nossos pais, mães e educadores domaram nossos sentimentos e direcionaram nossa índole para sermos solidários com o próximo. Mas já viu como os costumes mudam rápido, mais rápido que a maneira com que educamos as gerações atuais? Pois é, parece que tem muito malandro esperto, aproveitando-se do coração bondoso de muita gente para tirar vantagem em cima disso.

                                                               Até entendo que essa legião de flanelinhas que povoam os estacionamentos públicos pelo país são produto do sistema e conseqüência imediata da falta de políticas públicas nas áreas de educação e geração de emprego. Mas vamos e convenhamos, porque, nós cidadãos honestos e cumpridores de nossos deveres temos que arcar com o peso social da inatividade do Estado brasileiro?    É simplesmente trágico-cômico o que acontece neste país. Pagamos altos impostos, vemos um estado letárgico desperdiçar esses mesmos impostos, para ao final termos de pagar a conta novamente. Parece até, que nossos governantes contam com nossa generosidade e bondade para ao final da “cadeia de improdutividade estatal” dar um famoso jeitinho para aqueles que mais necessitam da atuação destes mesmos governantes.

                                                               É extremamente interessante a lógica do sistema brasileiro. Se você meu caro leitor quiser comprar um carro, terá no mínimo que arrumar um emprego para poder custear o seu sonho de quatro rodas. Até chegar nessa fase de arrumar um emprego, terá no mínimo que estudar, se qualificar no mercado de trabalho e ao final gastar muita sola de sapato e “queimar” todos os seus cartuchos com seus amigos e conhecidos para arrumar uma indicação para o dito emprego. Tudo isso claro, envolve custos financeiros. Em síntese, para arrumar um emprego, gasta-se dinheiro.

                                                               Aí vamos para a parte de pagar o carro. Você terá que trabalhar, juntar dinheiro daqui e dali, cortar os supérfluos, as saídinhas nos finais de semana, os mimos menores que você poderia se conceder e, claro, fazer algumas ou muitas horas extras para comprar o seu tão sonhado “carango”. A isto se acrescenta o fato de que quanto mais você trabalhou, mais ganhou dinheiro pro carrinho, mas em compensação mais pagou de imposto de renda. Aí você compra o carro. Só que não te dizem que aproximadamente 40% do valor que pagou foi de impostos embutidos.    E claro, terá que pagar taxa de licenciamento, emplacamento, IPVA todo ano, seguro obrigatório também anualmente. Se o carro for novo pagará um seguro caríssimo pelo seu “sonho motorizado” (claro, um flanelinha pode querer roubar seu carro, melhor se proteger). Terá de fazer revisões periódicas no veículo, tudo com mais impostos. E claro, o mais importante, terá que gastar com combustível periodicamente, pagando mais impostos, COFINS e de vez em quando até empréstimos compulsórios os quais o governo nunca te devolverá.

                                                               E depois de tanto pagar, pagar e pagar para poder realizar seu sonho, vem um cidadão que em nada contribuiu para tudo isto simplesemnte te extorquir um ou dois reais.   

                                                               - “Há mais é só um realzinho...“. Só que é um realzinho todo dia para parar o carro, fora aquele realzinho à mais que outro cara vai te cobrar quando lavar, com aquela água de procedência duvidosa, o vidro do seu “possante auto”.

                                                               Veja bem, o problema nem é o realzinho, mas sim a imposição de dar esse mesmo realzinho.    A situação constrangedora, quase extorsiva, criada para que você dê dinheiro para alguém que no final não vai nem mesmo saber te indicar qual é o carro que você pagou para ele vigiar.    Veja bem, veja bem, o dinheiro é meu e eu dou ele pra quem eu quiser certo? Errado, pro flanelinha tem que dar mesmo, ou ele risca teu carro, fura teus pneus, arranca seu limpador de para-brisas, ou até mesmo deixa um paralelepípedo enorme em cima do seu carro, como claro indicativo de que se não pagar na próxima vez, o paralelepípedo poderá ser largado na sua cabeça mesmo.    Venhamos e convenhamos, é um assalto, só que sem arma e sem violência, com base apenas na intimidação. Mas não deixa de ser um típico ato de colocar a mão no seu bolso e levar seu dinheirinho tão suado.

                                                               Pode-se até mesmo contra-argumentar que é melhor dar um realzinho pro “flanela” e assim evitar que ele se transforme em mais um bandido armado que vai querer te assaltar. Mas, poxa, se o dinheiro é meu e eu dou pra quem eu quiser, prefiro dar (dar o meu dinheiro quero deixar claro) pras pessoas que estão passando fome e mesmo assim não querem me assaltar.

                                                               Algumas situações que já presenciei chegam a ser hilárias. Outro dia parei pra olhar as duas dúzias de comandos que um flanelinha dava para uma típica madame em seu carrinho importado. “Vem, vai, volta, desvira, desfaz, faz de novo, pra frente, pra trás, engata a ré, dá a seta”. E pensar que o cidadão que todo cheio de pose comandava a cena com a flanela na mão nem habilitação tinha.

                                                               - “Ah, mas muita gente não tem carteira e dirige super bem...” podem me dizer. Tudo bem, mas sem nunca ter entrado em um carro? Como? Com a força do pensamento?

                                                               Esse é outro ponto interessante, não temos coragem de emprestar o carro pro nosso filho sem habilitação e nem mesmo pro nosso cunhado (com habilitação), mas ouvimos os conselhos de um malandro no meio da rua que está ajudando sem nem mesmo pedirmos, só para em seguida cobrar-nos pela ajuda. Fala sério... isso é um loucura.

                                                               Já vi um caso em Brasília, em que um advogado deixou as chaves com um flanelinha na porta do Fórum. O desabilitado ‘flanela” foi colocar o carro na vaga, mas antes resolveu dar um rolé pelo estacionamento. Conseguiu bater o carrão em outros doze carros que estavam estacionados.    Já vi casos em que pessoas na fila de um banco foram atingidas por um caminhão comandado por um flanelinha que nem carro sabia dirigir direito.    Já presenciei um flanelinha discutir com um motorista e simplesmente tirar o chinelo (provavelmente nº 44) enfiar a mão pra dentro do carro e acertar em cheio o rosto daquele. Eu como bom desconfiado que sou, saí do local rapidamente, pois podia ser alvejado por uma “chinela perdida”.

                                                               Quem nunca protagonizou uma estória assim ou pelo menos não é amigo ou parente do protagonista, que atire a primeira flanela. Quem nunca foi coagido a dar dinheiro pro cara no semáforo, que sem sequer pediu, e já veio jogando água e limpando seu pára-brisa? Quem nunca foi apurrinhado por um flanelinha tentando te ajudar a colocar o carro na vaga, isso às duas da manhã e em uma lanchonete praticamente vazia? Eu já.   

                                                               Existem flanelinhas tão mal intencionados que te aconselham a parar em local proibido, te garantindo que não vai ser multado. Ato contínuo o guardinha vem e multa e o “flanelão” malandrão vai lá e rasga a multa pra você só descobrir depois, beeeemmmm depois de pagar ele.

                                                               Existem lugares em São Paulo que os flanelinhas estipulam valor fixo. Existem pontos turísticos em Salvador/BA que quando o malandro vê placa de outro Estado simplesmente chega e diz: “e aí meu rei? É deizão, adiantado, pra ninguém riscar teu carro”. Claro, diante da situação você, como bom rei, vai alegrar seu súdito e pagar para não ter sua “carruagem” riscada ou até mesmo roubada.

                                                               Assim simplesmente não dá. São duas profissões cujo mercado de trabalho está altamente inflacionado de profissionais: flanelinha e advogado. Por coincidência os dois te extorquem dinheiro, mas é só coincidência. Apesar de as coincidências não pararem por aí (os dois são malandros, ta cheio de meliante entre eles, etc, etc, etc). Melhor abafar o caso.

                                                               Bom, a grande verdade é que “tá todo mundo de saco cheio” de tanta gente tomando conta de carros. Até parece que se vier um bandido armado roubar seu carro o flanelinha vai poder fazer alguma coisa.

                                                               Precisamos de atuação do Estado para procurar coibir essa verdadeira falta de vergonha que vem se instalando, cada vez mais e mais, em todas as grandes cidades brasileiras. Não dá mais pra se fazer vistas grossas para essa verdadeira extorsão a que os cidadãos de bem são diuturnamente submetidos. Parece que temos que nos sentir culpados por termos um carrinho e por isso temos que dar dinheiro pra quem não pode comprar um e quer vigiar o nosso. Chega, temos que dar um basta nesta situação e cobrar atitude da polícia e dos demais agentes do Estado. Do jeito que em que as coisas caminham daqui a pouco vai ter flanelinha querendo vigiar bicicleta e acho até que vai chegar um dia, que vai ter um “flanela” parado na porta da garagem da minha e da sua casa querendo vigiar nossos carros. Assim não dá, assim não pode.


Publicado no site: O Melhor da Web em 28/04/2010
Código do Texto: 54626
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