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THELMA REGINA SIQUEIRA LINHARES
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SUPERSTIÇÕES NO FUTEBOL BRASILEIRO
24/05/2010
Autor(a): THELMA REGINA SIQUEIRA LINHARES
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SUPERSTIÇÕES NO FUTEBOL BRASILEIRO

Texto escrito em 2006 e publicado no www.usinadeletras.com.br em 17/06/2006
e na www.educacaoppublica.rj.gov.br em 04/07/2006 (Biblioteca - História)


SUPERSTIÇÕES NO FUTEBOL BRASILEIRO
Thelma Regina Siqueira Linhares


Ano de Copa do Mundo. Uma vez mais, o Planeta Terra - ou Planeta Bola?... - vai girar em torno de uma bola de futebol. Ao vivo e a cores, bilhões de terráqueos vão se unir em torno de um acontecimento comum e que envolve, diretamente 32 países, em 12 estádios da Alemanha, país-sede dessa 18ª edição do Campeonato Mundial de Futebol.

Verdade que, há dois anos, essa Copa vem se delineando, quando jogos eliminatórios foram realizados para se chegar às seleções que participarão do evento, mas, com certeza, é no período do certame - de 9 de junho a 9 de julho - que o bicho pega pra valer!... E, aqui no Brasil, a coisa é mesmo séria! Afinal, o país é penta-campeão mundial! O único a participar de todas as edições da Copa! Tem alguns dos melhores jogadores do mundo, na atualidade, a exemplo, do passado, em todos os tempos! E... busca o hexa-campeonato para alegria de mais de cento e oitenta milhões de corações verde-amarelos, torcedores, embora todos, potencialmente, técnicos da Seleção Canarinha.

Atualmente, o futebol é o esporte mais popular no mundo, independente da diversidade cultural dos povos e nações. A simplicidade do jogo pode justificar a sua histórica e crescente popularidade: uma bola, duas equipes de jogadores, traves, conhecimento de algumas das regras básicas, um campo qualquer delimitado e ai, então, pode se realizar uma partida de futebol, com ou sem torcida, de forma amadora e formadora de futuros profissionais e craques, mundo afora. É praticado em mais de uma centena de países, em todos os continentes da Terra, conforme comprovação da mídia, embora, ainda sofrendo preconceitos e descriminações de gênero. Somente, em 1991, a FIFA organizou a primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino, com a participação de 16 seleções. A próxima está prevista para o ano que vem, na China, quando será realizada, efetivamente, a quarta Copa do Mundo de Futebol Feminino, já que a de 2003, foi suspensa devido à epidemia de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), naquele país, então, país-sede do evento esportivo. Provavelmente, também, entre mulheres, o futebol conquistará o seu espaço.



Como o futebol se transformou em esporte das multidões?

Historicamente, é um esporte que sempre despertou interesse nos homens. Povos antigos, segundo historiadores e arqueólogos, já usavam jogos com bolas, embora sem regras definidas, sob nomes e fins diversos. Na China, cerca de 3000 anos A.C., era praticado para fins de treinamento militar: soldados chutavam cabeças dos inimigos derrotados em guerras... depois substituídas por bolas de couro, revestidas de cabelo. Era o tsu-chu, onde os jogadores passavam a bola de pé em pé, com o objetivo de levá-la para dentro de duas estacas fincadas no campo e ligadas por um fio de seda.

No Japão Antigo, foi criado o Kemari, passatempo praticado por integrantes da corte do imperador. Acontecia num campo de aproximadamente 200 metros quadrados, onde duas equipes, formadas por 8 jogadores cada, se empenhavam em fazer embaixadas - controle da bola com o pé. A bola era feita de bambu e o contato físico era proibido e considerado falta.

Na Grécia, por volta do século I A.C., foi criado o Episkiros ou Aepiskiros, como exercício militar, com regras indefinidas. A bola era feita de bexiga de boi cheia de areia.

Quando os romanos dominaram a Grécia, assimilaram e adaptaram o jogo numa versão muito violenta e que passou a ser chamado de Harpastum. Até a Idade Média, era treinamento militar, formado por duas equipes de jogadores onde quase tudo era permitido, além de chutar a bola: socos, pontapés, rasteiras e outros golpes violentos. Além de atacantes e defensores, outras funções eram definidas: corredores, dianteiros e sacadores.

Na Itália Medieval, surgiu gioco del calcio, que era praticado pela nobreza e que mais se assemelhou ao futebol moderno. Possuía regras bem definidas. Cada equipe era formada por 27 jogadores uniformizados, com posições determinadas, jogando num campo demarcado. Havia juízes e infrações. O objetivo era levar a bola até um dos postes fincados em cada extremo da praça. Segundo registros de Milton Coelho, a primeira partida foi realizada no ano de 1529, em Florença, onde, anualmente, no dia de São João - o padroeiro da cidade - é realizada uma partida de calcio.

Mas, foi na Inglaterra que o futebol, gradativamente, construiu a sua identidade. Um dos primeiros relatos do mass-foot-boll foi feito em 1175 e descreveu um jogo praticado durante o carnaval em várias cidades inglesas, em comemoração ao fim do domínio saxônico. A população, dividida em duas turmas e chutando uma bola de couro pelas ruas, empenhava-se em levar a bola (simbolizando a cabeça de oficial dinamarquês) até uma das portas da cidade, transformadas, assim, nas metas do jogo. Dessa forma, o jogo era violentíssimo, ocorrendo até mortes. Por isso foi proibido por séculos, como aconteceu nos reinados de vários imperadores ingleses, entre eles, Eduardo I, Eduardo II, Henrique IV, Henrique VIII e Elizabete I. Mas, apesar das proibições e prisões, a popularidade do foot-boll só crescia. Por volta do século XVII, foi ganhando regras diferentes, que lhe organizaram e sistematizaram. Com regras claras e objetivas, começou a ser praticado por estudantes e filhos da nobreza inglesa, saindo, assim, da clandestinidade. Em fins do século XVIII, jovens universitários passaram a praticá-lo contrariando e opondo-se às autoridades escolares, que o consideravam “indigno e inadequado aos jovens que se dedicavam aos estudos”. Aos poucos, foi chegando às camadas das populações mais pobres. Passou a ser adotado como exercício físico nas escolas e praticado em terrenos baldios.

A regra básica é não tocar a bola com as mãos. E, é justamente esta norma que vai originar uma nova modalidade de esporte - o rubgy - que usa tanto os pés quanto às mãos. O campo passou a medir 120 por 180 metros e nas duas pontas foram instalados dois arcos retangulares, chamados de gol. A bola, de couro, enchida com ar. Em 1848, numa conferência em Cambridge, foi estabelecido um único código de regras para o futebol. Em 1871, foi criada a figura do guarda-redes (goleiro), único jogador que poderia colocar as mãos na bola e deveria ficar próximo ao gol, para evitar a entrada da mesma. Em 1875, determinou-se o tempo de duração do jogo: 90 minutos. Em 1891 foi estabelecido o pênalti, para punir a falta dentro da área. Em 1907, foi estabelecida a regra do impedimento. Em 1863 fundou-se o The Foot-Ball Association nome ainda hoje mantido pela Liga Inglesa, dando forma definitiva ao jogo de bola com os pés. O profissionalismo no futebol inglês foi iniciado somente em 1885. No ano seguinte foi criado a International Board cujo objetivo principal era estabelecer e mudar as regras do futebol, quando necessário. Em 1888, foi fundada a Football League com o objetivo de organizar torneios e campeonatos internacionais. Em 1897, uma equipe de futebol chamada Corinthians fez uma excursão fora da Europa, contribuindo para difundir o futebol em diversas partes do mundo. Começava a globalização do esporte. A criação da FIFA-Federação Internacional de Futebol Association, em 1904, na França, foi fundamental. Além da Copa do Mundo, a FIFA organiza outros campeonatos de futebol, como por exemplo, a Copa Libertadores da América, a Copa da UEFA, a Liga dos Campeões da Europa, a Copa Sul-Americana e a Copa do Mundo de Futebol Feminino. Atualmente, há outras modalidades de futebol como: futebol de salão, futebol de praia ou de areia, futebol de cinco, futebol de botão e futebol de totó. Com regras próprias mais originários do futebol, termo proposto em 1933, pelo gramático Castro Lopes, para substituir o anglicismo, na nossa língua portuguesa.



E, como foi que tudo começou aqui no Brasil?

No final do século XIX, o foot ball e o criquet eram jogados de forma amadora, entre os ingleses, que aqui moravam e trabalhavam, responsáveis pelo know how e globalização da Revolução Industrial. Mas foi Charles Miller, descendente de ingleses, quem introduziu, sistematicamente, o futebol no Brasil, a partir de 1894, quando voltando da Inglaterra, onde foi estudar, trouxe camisas, calções, chuteiras, duas bolas, bombas e agulhas para enchê-las, além do entusiasmo juvenil de seus 19 anos e os conhecimentos sobre o esporte que fazia parte da aristocracia inglesa. Foi jogador, técnico e árbitro. Considerado craque, na época, criou o drible ou passe com o calcanhar, jogada que entusiasmava jogadores e torcidas do futebol nacional e que ficou conhecida com o nome de "Charles", em sua homenagem. Foi um dos fundadores do primeiro clube de futebol formado, exclusivamente, por brasileiros: a Associação Atlética College de São Paulo, em 1898.

Sucessivamente, fatos iam ocorrendo, no Brasil e no mundo, para a transformação do futebol no esporte das multidões. Em 1914, foi reconhecida pela CBD-Confederação Brasileira de Desportos - hoje CBF-Confederação Brasileira de Futebol - a primeira seleção brasileira oficial, que venceu um time inglês, após três derrotas. Também aconteceu o primeiro triunfo em terras estrangeiras, com a vitória da seleção brasileira na Copa Roca, criada em 1913, na Argentina. Em 1925, ocorreu a primeira excursão de um time brasileiro à Europa - o Club Athlético Paulistano - que jogou em Portugal, Suíça e França. Dos 19 jogos disputados, foram 9 vitórias, 9 empates e 1 derrota, o que valeu a aclamação dos jogadores de os reis do futebol. Na época, ainda, esporte aristocrático e de brancos. Em 1927, começou o processo de escurecimento dos times e a profissionalização em 1933, com o torneio Rio-São Paulo - Estados que detinham o monopólio do futebol brasileiro. Mas, o futebol foi se popularizando com o surgimento de novos clubes, inclusive nos demais Estados brasileiros. Preconceitos foram sendo derrubados. E, paulatinamente, o futebol foi se transformando no esporte mais popular no Brasil. Para José Paulo Carneiro Vieira graças “à necessidade de acomodação de muitos elementos contraditórios da nossa formação social e cultural” que encontraram no futebol, a válvula de escape que canalizou e possibilitou soluções para uma série de problemas e anseios psico-econômico-sociais. Essa válvula de escape foi “tornando-se o meio de expressão (...) de energia psíquica e de impulsos irracionais que, sem o desenvolvimento do futebol na verdadeira instituição que é hoje entre nós, teriam provavelmente assumido formas de expressão violentamente contrárias à moralidade dominante em nosso meio”, conforme afirmou Gilberto Freyre.



Relação multicultural no Futebol

Com a popularização do futebol no Brasil, as manifestações culturais passaram a ter mais uma vertente de influências. Alguém já falou que o Brasil é uma pátria de chuteiras, que veste camisas e cores diferentes, de times de 1ª, 2ª e 3ª divisões, conforme critérios definidos pela CBF, mas quando é tempo de Copa do Mundo, tudo se torna verde-amarelo. E o patriotismo aflora. A Seleção Canarinha passa a motivar sentimentos e emoções, influenciar a moda e propagandas, ser o assunto preferido de todos, potencialmente técnicos em futebol. Cada um tem a sua escalação formada, sua jogada da vez. Afinal, de médico, poeta e louco todos nós temos um pouco. E, ouso completar, de técnico de futebol, também. O futebol é uma das “paixões do povo brasileiro (...) a exemplo do carnaval, do gole de cachaça e do jogo do bicho”, como afirmaram Gilberto Freyre e Mário Souto Maior. Uma verdadeira instituição nacional. E que ultrapassa limites e fronteiras. A camisa e jogadores da Seleção, do passado e atuais, são identificados nos quatro cantos do mundo. Até conflitos já foram, temporariamente, suspensos, por conta do futebol, como o registrado durante apresentações dos times dos Santos, na era Pelé e da Seleção Brasileira, no Haiti, em 2005, com Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Cafu e quase todo o time penta-campeão. E influências nas diferentes manifestações culturais aparecem seja na literatura, nas artes ou na música. Na cultura popular e no folclore não é diferente. Folhetos de cordel, artesanato, gírias, piadas, causos enfocam aspectos diversos do esporte das multidões.



Superstições no Futebol Brasileiro

Ao longo dos tempos, a superstição despertou o interesse dos estudiosos e pesquisadores, pois sua presença é observada em todo e qualquer momento da História da Humanidade, através de milhares de gestos, reservas, palavras, ações ou atitudes que passaram de geração a geração, a incorporar, sob a forma de hábito e/ou atos reflexos, o dia-a-dia do ser humano.

A palavra superstição vem do latim supers estitio, significando “fanatismo, receio vão, escrúpulo, culto falso e religião falsa”, segundo escreveu Getúlio César. Segundo esse autor, distingue-se de crendice pela ausência de uma paixão religiosa, pela substituição das entidades temidas por objetos, animais, vegetais, minerais, palavras e gestos e pela variação de intensidade e relevância, muitas vezes, conseguida através das coincidências e comparações de fatos co-relacionados ou não.

A superstição é “sempre de caráter defensivo, respeitada, para evitar mal maior ou distanciar sua efetivação (...) mesclando-se nos costumes, hábitos e normas sociais”, conforme observou Luís da Câmara Cascudo. Nitidamente conservadora, teve seu significado, original e sagrado, perdido ao longo do tempo, mas o ato foi incorporado às necessidades atuais, como elemento indispensável e natural. Ora é um adorno, uma jóia... ora uma palavra, uma reserva. Aqui é um costume, uma prática... ali, um hábito, um comportamento. O fato é que, do intelectual ao homem do povo, as superstições aparecem como elemento estimulador da ação, um elemento socializador.

“Somos um povo extremamente crédulo e de uma credulidade pueril”, conforme acentuou Getúlio César. Essa tendência ao sobrenatural reflete a nossa própria formação histórica. Formação essa, fruto da fusão de três vertentes culturais - a portuguesa, a africana e a indígena - constituídas, por sua vez, de uma pluralidade cultural e de etnias tão diversas. Um verdadeiro caldeirão, onde as trocas sócio-culturais e aculturações se fizeram, muitas vezes, pela força e imposição de uma cultura sobre as demais. A religiosidade do branco, os mitos e cultos afros, os mitos e lendas indígenas e, mais tarde, as influências européias e asiáticas, decorrentes do período das imigrações no começo do século XX, formaram a identidade cultural brasileira, esse leque tão amplo, quanto grande nosso país continental. Roger Bastide, tentou explicar a formação do folclore pela “superposição sem interpenetração das (...) culturas”. E, é nessa área do conhecimento que as influências, são bastante acentuadas, embora, seja quase impossível, determinar as suas origens.

As superstições no futebol correspondem às superstições pessoais (alimentadas por uma única pessoa, a partir de fatos e coincidências por ela própria reforçada, por exemplo, vestir a mesma camisa durante todo o campeonato e que foi usada na primeira vitória do time), às superstições grupais (correspondem àquelas superstições criadas em um grupo social qualquer e que são temidas pelos integrantes do grupo, enquanto a ele pertence, por exemplo, ao entrar no campo, todos os jogadores vem de mãos dadas para dar sorte) e às superstições gerais ( universalmente conhecidas, por exemplo o temor ao número 13).



As práticas supersticiosas no futebol são variadas. “Promessas, despachos, mandingas, benzimentos, comportamentos e atitudes que se padronizam e se repetem de vitória em vitória, pois deram sorte, fazem parte do arsenal de recursos que cada time procura acumular”, como assinalou José Paulo Carneiro Vieira. O conhecimento, a fé e o uso dessas superstições dão tranqüilidade e confiança, para jogadores e torcedores. Às vezes, provoca o efeito “salto alto”, quando tanto otimismo, faz o time não se esforçar, não se empenhar na busca da vitória...



Na Copa de 1974 os brasileiros, mais do que nunca foram envolvidos pelas superstições, talvez em conseqüência da supersticiosidade do técnico Zagalo e que foi explorada por toda a imprensa: “Mais do que nunca, o número (número 13) da sorte de Zagalo estava participando desse mundial: o campeonato começaria dia 13 de junho, os gols decisivos contra o Zaire foram marcados, o primeiro aos treze minutos e o terceiro pelo ponta Valdomiro (Camisa 13); o jogo contra a Alemanha Oriental, que reacendeu as esperanças pátrias, foi no dia 26 (como se sabe, duas vezes treze); o jogo contra os argentinos foi o décimo-terceiro em campo neutro. Houve quem se lembrasse, com muita argúcia, de que antes do jogo com o Brasil, os holandeses haviam marcado doze gols. Conseguiriam fazer o décimo-terceiro exatamente contra Zagalo? Não só conseguiram, como Neeskens, seu autor, trazia nas costas, bem nítido, o número 13” segundo reportagem da VEJA.

Adonias Moura registrou, ainda, na Copa de 1974: “Para quem acredita em superstições, dois fatos aconteceram para entusiasmar a moçada do Brasil: apareceu ontem em Am Rosemberg, no hotel dos brasileiros, um limpador de chaminé todo vestido com macacão preto e com uma cartola, que é a tradição de todo limpador de chaminé, aqui na Alemanha. Dizem que, quando chega o limpador de chaminé, ele traz boa sorte. Isso foi motivo de muita alegria para todos os brasileiros. Outro fato foi que um cachorrinho também entrou em campo durante o treinamento do Brasil ontem, apesar da chuva, aqui em Hofhein. De maneira que, os brasileiros estão achando que os bons fluidos estão seguindo a seleção brasileira a partir do momento em que se começa a entrar realmente na reta de chegada, para decisão do mundial.”



A sorte é um elemento fundamental e determinante da aceitação ou não de determinada ação supersticiosa, em particular, no futebol. Sorte, com ensinou Luís da Câmara Cascudo “é destino, fado, a sorte quem dá é Deus. Acidente, acaso, boa fortuna, felicidade, boa e má sorte.” O jogador tem de ser, principalmente, um escolhido dos deuses. “Mérito sem “estrela” não serve para nada, ao passo que “estrela” sem mérito já serve para alguma coisa” citou José Paulo Carneiro Vieira. Pelé numa entrevista afirmou: “Acho que tive sorte na minha profissão (...) Não sei se o senhor pensa como eu, mas a sorte está sempre presente em primeiro lugar, qualquer que seja a carreira (...) O sucesso nos é dado por Deus,” é o que escreveu Ney Bianche. E, todos, jogadores, técnicos, torcedores se empenham para atrair a sorte, a fada madrinha, a boa estrela...



Os sonhos, como forma de previsão, constituem um outro meio importante de se atrair a sorte. E, a interpretação de sonhos é antiqüíssima. Já no Antigo Testamento são encontrados vários exemplos de previsão através dos sonhos. Talvez, um dos mais conhecidos, seja o que se refere aos sonhos do Faraó, interpretados por José e que anunciavam, para o Egito, sete anos da fartura seguidos de sete anos de carestia, como relata a Bíblia. No futebol, os sonhos também são usados na antevisão do futuro, como fórmula mágica e tradicional de trazer sucesso e sorte. Um dos exemplos mais interessantes relacionados com a previsão do futuro, através de sonhos, foi o que aconteceu com José Lins do Rego, em 1945, conforme registrou Milton Coelho: “O escritor acordou sobressaltado na noite da sexta-feira para o sábado. Sonhara que o Vasco vencia o jogo por 1 x 0. Achou que o sonho tinha sido interrompido e resolveu voltar a dormir para sonhar o resto. Vasco 2 x 0. José Lins do Rego voltou a acordar, com o coração batendo aflito. Mas seu otimismo não se alterou e ele fez todo o esforço para pegar de novo no sono. Quando despertou definitivamente, tinha um sorriso nos lábios: o Botafogo reagira e empatara por

2 x 2 . No domingo não deu outra coisa.”



A mandinga é mais uma arma com a qual se pode contar, para se resolver os problemas no futebol. Independente de crença e filosofias, a mandinga está intimamente ligada à história do futebol brasileiro, tendo inspirado, inclusive, o comentarista João Saldanha, a criar o seguinte pensamento: “Se mandinga vencesse jogo, o campeonato baiano terminaria sempre empatado” pois, como se sabe, é bastante marcante a influência do candomblé da Bahia. E, diversas são as formas pelas quais a mandinga se manifesta: despachos, promessas, rezas fortes, etc. O apelo às diferentes mandingas é constante seja em termos pessoais (o torcedor, o jogador) seja em termos grupais (o time, o clube).

Durante a Copa de 1970, tanto os jogadores thecos como os ingleses entraram em campo, nos jogos contra o Brasil, sem saber que seus respectivos nomes estavam misturados na farofa, sob galinha preta, rodeada de velas e charutos oferecidos a sete encruzilhadas para que se fechassem os caminhos dos adversários do Brasil e evitasse acidentes para os jogadores brasileiros,” segundo reportagem da VEJA.



As mais variada promessas são juradas para se alcançar a vitória do time. Alfredo, zagueiro reserva da Seleção Brasileira de 1974, prometeu deixar “definitivamente de fumar, caso o Brasil chegasse à final”, conforme noticiou a revista VEJA. Naquela Copa, um torcedor enviou vidrinhos de água benta para ajudar os jogadores brasileiros. Segundo Lúcio Leal, o telegrama que acompanhava a encomenda era o seguinte: “Coronel Eric Tinoco, peço-lhe a fineza de fazer chegar aos nossos jogadores esses vidrinhos com água benta da Igreja de Santa Rita de Cássia, santa de minha devoção, a quem fiz promessas para ajudar a nossa seleção a voltar vitoriosa dos campos da Alemanha. Os jogadores deverão se benzer com esta água antes de entrar em campo. Agradecido Sebastião Pereira da Silva”.



As pragas, também, merecem destaque especial dentre as práticas supersticiosas. E, em torno delas, as coincidências se acumulam para dar-lhe mais força, maior credibilidade. Uma das pragas mais conhecidas e antigas no futebol, ocorreu em 1909, quando o Botafogo aplicou a goleada de 24 x 0 no Mangueira, após combinar um joguinho de amigos.

No final do jogo, o diretor mangueirense praguejou:

-“Durante vinte anos vocês hão de sofrer.” A praga foi de efeito retardado, pois ainda naquele ano, o Botafogo conquistou o título. Mas só em 1930 foi novamente campeão carioca.” Conforme citou Milton Coelho.

Outra praga, igualmente famosa e também contada por Milton Coelho foi a que o Vasco da Gama carregou de 1937 a 1945. Após um longo atraso, devido a uma batida do ônibus vascaíno, o jogo com a Andaraí foi iniciado. No final, Vasco 12 x 0 que esqueceu a gentileza com que o adversário o esperou, que poderia ganhar os pontos, segundo o regulamento aprovado pela CBD). Arubinha, ponteiro-reserva do Andaraí e conhecido macumbeiro, ainda no campo, ajoelhou-se, bradando aos céus: “- Se existir um Deus, vocês pagarão isso muito caro.” Alguns dias e um boato corria em São Januário: Arubinha enterrara um sapo no campo do Vasco, rogando a praga de que, por doze anos, o Vasco não seria campeão. No início não se deu crédito, mas, com o passar dos anos, os vascaínos foram ficando crédulos, até que em 1944, após perder no jogo decisivo do campeonato, o Arubinha foi chamado pela diretoria do clube: “-Vamos esquecer aquela história. Você agora vai trabalhar aqui no clube, com um ordenado bom. Só tem uma coisa: onde está o sapo? Arubinha disse que, na verdade, não enterrara nenhum e prometeu retirar a praga.” O Vasco foi o campeão, invicto, após oito anos.



Alguns tabus já foram observados em diferentes épocas. Por exemplo: nas decisões estaduais, os clubes alvi-negros têm maior probabilidade de vencer. O Grêmio porto-alegrense não tirar campeonato. O azar do Ferroviário de não ganhar do Ceará.
O Corínthians já não gostou de jogar com a camisa listrada. O Corínthians passar 23 anos sem vencer o campeonato paulista, pois fora enterrado um sapo de boca amarrada no Parque São Jorge... O Fortaleza não entrar em campo primeiro que o adversário. O Ferroviário jogar com o uniforme de listas verticais. O Atlético Mineiro perder quando joga aqui, em Recife.



Outra manifestação supersticiosa, bastante temida no futebol, é a conhecida por pé-frio.

O pé-frio corresponde àquela pessoa que, pela simples presença, traz malogro e azar para o time ou clube. À medida em que se torna símbolo de superstição, passa a ser temida e evitada e, contra seu poder e influência, a distância é uma das formas de neutralização. Um dos mais temidos pé-frio do futebol foi Dolabela, um antigo torcedor do Botafogo e sobre suas influências muitas histórias foram contadas. Por exemplo, escreveu Milton Coelho num jogo do Botafogo com o Vasco da Gama, o goleiro Barbosa, aos cinco minutos de partida quebrou a perna. Não haveria nada de extraordinário se o Dolabela não tivesse batido no ombro do jogador dizendo: “– Vê lá se hoje vais fechar o gol contra nós.”

Milton Coelho ainda relatou: Noutra ocasião, um jogador, Rubens Bravo, bateu um pênalti para as nuvens e o Botafogo perdeu o jogo. O supersticioso número um do clube, Carlito Rocha, resolveu falar com o jogador, pois estava certo que aquilo era coisa feita.

- “Seu” Bravo, aquele pênalti, houve coisa misteriosa.. O que foi que você fez antes do jogo?

O argentino estranhou, mas foi logo contando tudo como acordara, o que comera, a roupa que vestira, até que disse: - Todavia um cabellero gordito me llevo ao estádio.

- Gordito? Interrompeu Carlito - não diga mais nada “seu” Bravo, não diga o nome dele, senão nunca mais acerta um chute.” Era o Dolabela...

Às vezes, a existência de um pé-frio é comprovada a longo prazo. João Havelange é um exemplo. Por ocasião da Conquista das Copas de 1958 e 1962 quando, então presidente da CBD, a torcida o considerava como o “homem (que) dá sorte.” Segundo notícia da Manchete. No campeonato de 1966, na Inglaterra, os conhecidos azarentos foram distanciados, para não influir negativamente na Seleção Brasileira. O risco a correr seria o surgimento de um pé-frio ainda não revelado. Foi escolhido para chefe da delegação brasileira, João Havelange, que nunca “tinha presenciado uma Copa e suas influências não eram, portanto, conhecidas” segundo informou Milton Coelho. Em 1970, Havelange ainda presidente da CBF, conforme reportagem da VEJA, “ao justificar o seu retorno do México, disse bem-humorado, que, nas duas vezes em que o Brasil levantou o campeonato, não estava no local dos jogos. Em 1966 foi ver a conquista do tri e diz que não deu sorte; voltou do México, para não repetir o azar”. Telê Santana, quando técnico da Seleção Brasileira, também, foi considerado um pé-frio.



E, milhares de outras práticas e ações supersticiosas são vividas pelos brasileiros, profissionais ou não do futebol. Algumas delas, exemplificadas na pesquisa de campo:

Jogador entrar no campo com o pé direito ou com o pé esquerdo, em menor proporção. Tocar na grama e se benzer. Apanhar tufos da grama e jogá-los sobre os ombros ou para os lados. Jogador bater com a ponta da chuteira no chão, três vezes, antes de qualquer cobrança de falta. Dizer que vai fazer o gol e conseguir marcá-lo, comemorando alegremente, junto à torcida, fazendo declaração de amor, mostrando numa segunda camisa sob a do time, mensagens diversas. Jogador se benzer antes do jogo. Goleiro benzer a barra ao entrar no campo. Goleiro bater três vezes na trave com a chuteira ou não bater bola antes do início do jogo preferindo ficar debaixo da trave. Não sair de campo por trás da barra e, sim, pelas laterais. Dar três tapinhas no travessão antes do jogo ou encostar o pé direito em cada uma das balizas e fazer um sulco com a chuteira no meio da pequena área ou tocar nas duas traves ao ingressar no gramado. Dar uma volta completa em torno do juiz, batendo bola. Entrar com uma toalha enrolada no pescoço, na disputa de campeonato e colocá-la no lado direito do gol. Dar coices ou beijos nas traves. Cuspir nelas. Time que ganha não deve ser mudado. Dois times grandes jogando por um empate, sempre ganha o que está em posição inferiorizada no campeonato. Time grande não perde duas partidas consecutivas. Time que ganha o torneio no início, não tira o campeonato. Time usar o uniforme que dá sorte. Time jogar mal ou bem quando o tempo está chuvoso. Em jogos de Copa do Mundo, o time que faz o primeiro gol na decisão, sempre perde. Treinador jogar um pó mágico antes do jogo ou aguar a vestiária com água e sal e, em seguida, acender velas. Vestir sempre a mesma roupa, nos treinos ou nos jogos do campeonato. Torcedor entrar em campo se benzendo. Torcedor fazer uma cruz com os dedos ou uma figa com as mãos quando seu time ou o time adversário entra em campo. Soltar, na véspera de uma partida, duas pipas com as cores dos times: a que sobrevoar é sinal de que o time correspondente ganhará. Torcedor ficar calado durante todo o jogo. Vestir sempre ou nunca roupas de determinadas cores durante o jogo. Só usar as cores do time, no dia do jogo. Assistir os jogos sempre no mesmo lugar, no campo ou em casa. Repetir o mesmo comportamento que teve por ocasião da última vitória do seu time. Sapo enterrado no campo e com a boca costurada dá azar para o time. Urubu pousado na concentração do clube dá azar. Levar velas, galinha preta e urubu para o campo, também. Sonhar com as cores do clube, na véspera do jogo, dá azar para o mesmo enquanto sonhar com o animal, símbolo do clube, dá sorte.



Práticas supersticiosas relacionadas com o uso de objetos

O uso de talismãs e amuletos ocupa lugar destacado nas superstições do futebol. Ambos são objetos mágicos defensivos, que têm por finalidade atrair a sorte para quem os possui.

Uma distinção entre ambos, baseada em Getúlio César se faz necessária: amuleto corresponde a qualquer objeto animado ou inanimado, ao qual é atribuído o poder de afastar males ou atrair a sorte enquanto talismã refere-se a objetos nos quais se inscreve caracteres simbólicos ou frases. O uso de objetos com intenção e/ou convicção de atrair a sorte é muito comum entre as pessoas ligadas ao futebol. Alguns jogadores e técnicos não dispensam ou não dispensaram o uso de medalhinhas como por exemplo, Silva, Gilmar e Pelé que usavam medalhas de São Jorge. Outros têm tantas medalhinhas e patuás que mandam fazer um grande alfinete ao qual prendem todos os seus amuletos e talismãs.

Registrou Adonias Moura, na Copa de 1974 : “Santo Antônio de Pádua, o patrono das moças em época de casamento, estará bem presente nos pensamentos e memórias da Seleção Brasileira e, em especial, do técnico Zagalo, na tarde do jogo de abertura do Campeonato Mundial de Futebol, frente a Iugoslávia. Zagalo que aparentemente tem plena confiança no apoio do santo de origem italiana, carrega, de forma permanente, uma imagem dele, numa medalhinha de ouro, pendurada no pescoço. O técnico recordou que o jogo será disputado exatamente no dia em que se comemora a festa do santo, 13 de junho. O que Zagalo não disse é que, nesta data, colocará a imagem do santo virada de ponta cabeça, conforme costumam fazer as jovens em idade de casar, a fim de buscar apoio celestial para conseguir um noivo, de acordo com uma tradição brasileira e latino-americana.”

O uso do charuto também é muito observado no futebol: Amarildo usava um lendário charuto e de seu poder estórias foram contadas, lembrando como o jogador conquistou um lugar no quadro principal do Botafogo e na Seleção brasileira (no Chile), quando os atletas se machucaram sucessivamente, dando chance a Amarildo de entrar nos times.



Outra forma de atrair a sorte, também ligada ao uso de objetos, é a crença no poder do mascote. Mascote compreende um “objeto qualquer, uma pessoa, um animal, um vegetal ou uma pedra a que se atribui força capaz de trazer sorte, felicidade e bem-estar para a pessoa que o guarda, mima e cuida.” É o que ensina Getúlio César. A mais famosa mascote do futebol brasileiro, segundo Milton Coelho foi o cãozinho Biriba, que surgiu em 1948, por ocasião do jogo entre aspirantes do Botafogo e Bonsucesso. Levado ao campo, pela primeira vez, por seu dono, Macaé, o cachorrinho atrapalhou o goleiro, que não pode defender o gol. No jogo contra o Flamengo, Biriba foi definitivamente consagrado, passando a receber o mesmo bicho que os jogadores e a ser presença insubstituível em todos os jogos do Botafogo, que foi campeão carioca naquele ano, 1948.

Outros animais tornaram-se mascotes de seus clubes, como por exemplo, uma cabrita, no Internacional, de Porto Alegre, um bode, no Leônico, da Bahia, um gambá, num clube do Piauí, um timbu, no Náutico e um leão no Sport Club, ambos de Recife.



Práticas supersticiosas relacionadas com o uso de objetos, segundo pesquisa em campo:

Torcedor levar ao campo objetos que identificam o clube, tais como, bandeiras, escudos, chaveiros, camisas e faixas. Levar cartazes com mensagens diversas, retratos e pôsteres dos jogadores, bonecos e até animais. Levar charangas, buzinas e fogos, em especial, nas torcidas organizadas. Soltar papel picado. Usar durante o jogo, o relógio no pulso contrário ao de uso normal. Levar o rádio para o campo e conservá-lo invertido. Torcedor ou profissionais do futebol usar medalhinhas, amuletos, patuás, colares, fitinhas, anéis, brincos, pulseiras, figas e talismãs diversos. Jogador beijar a aliança, como ritual de comemoração do gol. Jogador beijar e levantar a taça, símbolo do Campeonato conquistado.



Práticas supersticiosas relacionadas com o vestuário

É muito comum, entre profissionais e torcedores do futebol, a superstição relacionada ao uso do vestuário. A roupa, que deu sorte, deve ser sempre usada para que esta influência permaneça. Na Copa de 1970, Ney Bianche destacou a seguinte manchete: “Jairzinho, o herói da vitória na batalha da Inglaterra revive a mística da camisa nº 7.”

Na revista VEJA destacou-se o seguinte sub-título, com a devida explicação: “Sinais favoráveis (...) as camisas brasileiras, a pedido da tv alemã, preocupada com a palidez do amarelo nos vídeos coloridos, seriam azuis (...) e o Brasil e o Zagalo, ponta-esquerda ganharam a Copa de 1958, com essas mesmas camisas.”

Entre os torcedores, o exemplo mais significativo é o de um corintiano que gosta de assistir aos jogos de seu time, com a camisa da sorte. De tão velha atualmente só é usada nesta ocasião e com esta finalidade.

A seguir, respostas dadas nos questionários à pergunta referente ao uso de vestuário:

Torcedor ir ao campo sempre com o uniforme completo do time. Usar sempre - ou nunca -roupa de determinada cor quando vai ao estádio. Virar a manga da camisa durante o jogo.

Dar um nó na camisa, num lenço, numa bandana ou num cordão para amarrar os jogadores adversários. Torcedor ou jogador usar sempre a mesma camisa ou roupa durante o campeonato, em geral, aquela da primeira vitória do torneio. Torcedor ou jogador usar a mesma sunga durante o campeonato. Jogador preferir determinado número para sua camisa. Jogador usar sob a camisa do time, uma outra com mensagem e mostrá-la durante a comemoração do gol.


Práticas supersticiosas relacionadas com a alimentação

A superstição ligada à alimentação é uma prática pouco difundida, entre os jogadores e torcedores. Alguns exemplos podem ilustrar este comportamento, como o citado por Elias Nobre “jogadores que se alimentam de carne crua”, numa época em que a culinária japonesa não tinha destaque gastronômico no Brasil. Carlito Rocha costumava “preparar as gemadas dos jogadores e depois limpava as mãos nas cabeça do craque mais próximo.” conforme relatou Milton Coelho. “Um torcedor do Náutico costumava saborear com amigos, um timbu - símbolo do clube - guizado com cachaça, para dar sorte ao time, informação de um dos questionários, aplicados em 1978.

Algumas respostas dadas na pesquisa de campo à questão das práticas supersticiosas na alimentação: Torcedor ficar de jenjum, comer alimentos leves ou pesados durante todo o dia para dar sorte ao time. Tomar bebidas diversas durante a partida (cervejas, refrigerantes ou água). Alimentar-se apenas de verduras e sucos nos dias de decisões do time. Alimentar-se só de líquidos ou só de sólidos nos dias dos jogos. Evitar determinadas comidas no dia do jogo, por exemplo, macarronada e alimentos de cor verde quando joga o Palmeiras e peixe quando joga o Santos.



Conclusão
Sendo o futebol o esporte de maior popularidade entre nós, sua presença é percebida em diferentes manifestações culturais e na dinâmica histórica do país. É um ativo agente transformador da sociedade brasileira, influenciando nas relações sócio-econômicas, esportivas, educacionais, culturais, comerciais e profissionais. Essa brasilidade, faz o futebol, profissional ou amador, dividir com os jogos de pelada, as horas de lazer do povo e seus sonhos. É, também, uma opção de exercício físico, de terapia e de socialização. E, onde quer que se vá, há sempre um campo, mesmo improvisado em terrenos baldios e ruas, em pátios e quadras escolares para a prática do futebol. Afinal, basta uma bola, quase nunca oficial, para ser praticado... Referência de unanimidade e igualdade entre nós, o Brasil mantém e amplia sua fama de pátria de chuteiras e de celeiro de craques. Nas últimas décadas se destaca como exportador de jogadores para os quatro cantos da Terra. E, a Copa do Mundo, com certeza, é uma boa vitrine para tal. A globalização e o poder da mídia são outros elementos que contribuem para a divulgação de tais conceitos.

Considerando-se o status de esporte-rei, a prática, o uso e a difusão de superstições no futebol é muito presente e numerosa. Observa-se influências supersticiosas no comportamento dos profissionais do futebol e nos torcedores que, muitas vezes, não percebem ou têm dificuldades de reconhecê-las. Algumas superstições chegam a ser inclusive opostas, como por exemplo, entrar com o pé esquerdo em campo, para uns motivo de sorte, enquanto para muitos, de azar. Um mesmo comportamento pode, também, se revestir de um duplo sentido para uns, presságio de boa sorte, para outros, mau-agouro, azar. Há ainda aquelas pessoas que rejeitam e ignoram as práticas supersticiosas. E, é nessa diversidade cultural, justamente, nessa pluralidade de pensar, sentir e agir - a essência do folclore - que se encontra toda a riqueza, colorido e singularidades das superstições do futebol brasileiro.



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http://www.rankbrasil.com.br/maismais/imes/default.asp

Questionários aplicados na pesquisa de campo nos anos de 1978 e 2006, pessoalmente, via correios ou internet, através do site http://www.educacaopublica.rj.gov.br

Publicado no site: O Melhor da Web em 24/05/2010
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