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tanatus - Phillipe Öyiivän Velásquez
Phillipe Öyiivän Velásquez
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Textos & Poesias || Loucura
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* Cânticos à Loucura
09/09/2010
Autor(a): Phillipe Öyiivän Velásquez
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* Cânticos à Loucura

I - A Juventude

Invocais!...Invocais!...Ó mortais extravagantes!
As Medéias, as Circes, as Vênus, a Aurora!
Procurais em vós, partes dessas amantes,
Que não vos entregarei à Juventude agora!

Só eu!...A Loucura, é que posso vos proporcionar,
O fruto com que a filha de Memnon se serviu,
Para adiar o viço de Trião!...Só eu posso grassar!
A juventude que nos vossos corações diluiu...

Eu é que fui Vênus!...Que bem soube dar a Faão,
Todas as graças da juventude mais candente!
Que fez Safo por ele se apaixonar tão perdidamente!

Sim!...Sou eu, a Loucura!...Sou eu sem ser razão!
Sou Baco nas mais embriagadas virtudes!
Sim!...Sou eu, a erva mágica das vossas juventudes!


II – Baco

Vão-se as cabeleiras castanhas, por sobre os ombros!
Caindo-vos, graciosamente, como cachos de uva!
É nos festins que Baco vai pulando seus assombros!
E bebendo!...E dançando à fina chuva!

Tão ébrio!...Transcorre a vida sem mais preocupações!
Cuida de não ter a menor relação com Palas!
Pois sabe que a balança que mensura suas decisões,
Impõem-se acima das suas falas!

Baco não quer ser sábio, não!...Quer a diversão do jogo!
E se é na diversão da Loucura que lhe dão culto!
Vai-se então folgazão, bebendo vinho em taças de fogo!

Toda a Loucura em Baco, nos divertimentos se compraz!
Nas vossas alegrias passa como embriagado vulto,
Extravagante!...E sempre jovem num regozijo tão vivaz!


III – Cupido

E vós, Cupido?!...Que tanto, e sempre sereis criança!
Também vós sois louco!...Sim!...Mas um louco brincalhão!
Que tanto brinca com esses amores na pujança,
Da seta que sai do vosso arco e vai certeira ao coração!

De Psique que vós fostes ferir, acabastes sendo ferido!
E vós cativastes tanto Psique, como ela vós cativou!
Mas a curiosidade da Loucura, a fez ter desobedecido!
E mesmo na desobediência, vós inda assim a amou!

São vossas setas que afligem o coração desses mortais,
Que pranteiam vosso nome na solidão de agora!
Sim!...Como pranteiam a Loucura na caixa de Pandora!

E eu por acaso sou vossas culpas?!...Suas culpas venais?!
Serei eu também a constante agitação da paixão?!
E serei mais ainda!...Serei eu em vós toda a alienação?!


IV – Os Sátiros

Dançam os Sátiros com as ninfas na escuridão das florestas!
E abraçados, vão em deleites cantando suas melodias!
Neles, toda felicidade se deslumbra em tão rústicas festas!
E terminam no prazer de voluptuosas orgias!

E eu acompanho vossos passos nas clareiras dessas matas!
E muito vós me elogiais com ardor, nessas canções!
E em Pã, que bem vós deixastes furioso, batendo as patas!
Enaltece o mais voluptuoso clamor das suas paixões!

E como Pã, vós ficareis loucos por tanto na Loucura, amarem!
E tanto por essas Ninfas vossos corações pulsarão,
Que hão de se quedarem até vossos flautins se calarem!

Porém, ainda assim, vós amareis com desmesurada Loucura!
E como Pã amou Syrinx até a mais louca devoção!
Vós amareis no arrebatamento dessa impudica candura!


V – A Flora

Vejais!...Eu também sou o encanto dessa voluptuosa deusa,
Que os romanos, tão zelosos, honram em lauto festim!
Sou o vosso prazer na fecunda flor de tão doce framboesa,
Que bem verte seus brotos nesse imenso jardim!

Como Flora faz florir as árvores, eu faço florir esses parvos!
Os homens, todos eles são loucos, de mais ou de menos!
E tanto em vós suportais essa vida por florescerem amargos!
Que vo-los fiz florescer tão delirantes como os Helenos!

Procurais acalmar vossas aflições fora dos jardins de Roma?!
E vós ainda me seguis até a Grécia nesses momentos?!
Então vindes!...Que em mim achais os vossos pensamentos!

As flores transpiram um vívido odor!...Um tresloucado aroma!
E espalham suas cores pelo chão!...Um véu colorido!
Na pujança dos delírios que é o vosso campo mais florido!


VI – O Bufão

Nos banquetes dessas cortes, sou os trejeitos dos bufões,
Que expulsam o silêncio com suas piadas jocosas!
Pois vossos repastos não têm melancolias, nem solidões!
Só a exibição das vossas brincadeiras deleitosas!

E sentados nessas mesas tanto comigo vós rireis,
Que saltarão de vossas faces os sorrisos mais briosos!
E tanto vossas vestes serão as vestes desses reis,
Que vossos corpos sentir-se-ão tão mais presunçosos!

Atentais!...Sou em todos os homens, a Loucura do bufão!
Sou Triboulet!...Pejeron!...Thévenin!...Sou Calabazas,
Que Diego Velásquez tão bem pintou à vossa perfeição!

Degustem caríssimos truões, desses suntuosos repastos!
Bebeis e comeis sem parcimônias nessas casas,
Que tem nos vossos risos os banquetes mais infaustos!


VII – Os Filósofos

Colocais um filósofo num festim, e este se tornará silencioso!
São asnos diante de vossas liras!...São bucéfalos danados!
Deixarão vossos convivas parvos no sofismar mais capcioso,
E nas suas ignorâncias haverão de senti-se tão elogiados!

Fazeis dançar um filósofo, e sentireis a leveza de um camelo!
Arrastai-os a um anfiteatro e tereis espantado todo o prazer!
Sabeis que escrevem seus axiomas em delirantes libelos?!
E vo-los garanto!...Só na Loucura é que vos podeis entender!

Vejais!...Se for para fazer algo indispensável à vida cotidiana,
O filósofo não parecerá homem, mas sim, um estafermo,
Que caminha esmiuçando os seus augúrios a maldizer-vos!

Sabeis que desses filósofos, sou a vossa visão mais insana!
Sou eu!...A solidão de vossas sabedorias sem escopos!
Sou eu!...Toda a Loucura que aflige esses parvos misantropos!


VIII – A Justiça

E os juízes?!...São loucos que se julgam acima de Deus!
Arvoram-se conhecedores de tudo, mas nem o sabem das leis!
E deslembrados das doutrinas ensinadas nos Liceus!
Vão-se em bolsos cheios de moedas como se o fossem reis!

São presunçosos esses doidos que atazano com a vossa espada!
E mais vaidosos ficam quando por mim são bajulados!
E em sana consciência, toda a toga sobre o ombro é jogada!
Assim como em fausta vista todo juiz é um desvairado!

Ora, pois, à Loucura perguntais, por que vossa justiça balançou?!
E eu vós respondo que ela foi uma das minhas fiéis sequazes!
E quando em vós colocado à balança, ainda assim, não sopesou!

É bem verdade que faço os jurisconsultos ficarem envaidecidos!
E como à mão da Justiça se embriagam às minhas frases!
Vo-los enlouquecendo a proferirem veredictos sem sentidos!


IX – Momo

Vou embebida nos vinhos!...Na embriaguez dessas tavernas!
Sim!...Vou nessas alegorias majestosamente balançando!
Sou o boneco que tanto Momo agita em suas mãos eternas!
Sou o Pierrô que o carnaval com Arlequim vai dançando!

Sou a gargalhada que se confiam às almas concupiscentes!
O ardor da risada que salta desses lábios carnudos!
Sou a galhofa que vai estampada nessas faces sorridentes!
A máscara que encobre esses rostos rechonchudos!

Sou, em todos, os delírios em que dançam vossas fantasias!
E sorrio no guizo que Momo traz balançando na cabeça!
E tão enlouquecida vou assim, sem que nada me aconteça!

Aos homens, foi-me facultado causar-lhes essas alegrias!
Trago-vos os sonhos, e as loucuras de mil foliões!
Dançais!...Cantais!...Entregais à Loucura as vossas razões!


X – O Carrasco

Eu vós lisonjeio nesses verdugos!...Nos seus golpes certeiros!
Sou as cabeças que muito rolam nas praças de vossos palácios!
Vedes?!...Sou o sangue esvaído dos corpos desses moleiros!
Sou a Loucura de reis e rainhas!...Bem sou os vossos epitáfios!

O capuz é negro, como a escuridão que vós cercais a insensatez!
De confiares a todos esses roliços padres a culpa dos ladrões!
Em verdade vós me perguntais aonde vai a Loucura nesses reis?!
Eu vo-los digo!...Vai até onde se impinja o riso dos bufões!

Acrediteis!...A lâmina do carrasco desce aos regaços sem por quê!
Sim!...Corta indistintamente cabeças de damas e de reis!
Como um dia esses rebotalhos humanos convosco hão de fazer!

Atentais!...Já é hora que minha tresloucada cabeça role nessa praça!
Hei de morrer!...E inda na morte, vós de mim rireis!
Pois que sem o vosso riso a Loucura desse mundo não tem graça!

(Öyiivän - 05/02/2009)

* Poema inspirado na leitura do livro "O ELOGIO DA LOUCURA", de Erasmo de Rotterdam,
escrito no século XVI.

"Está escrito no primeiro capítulo do Eclesiastes: O numero dos loucos é infinito. Ora, esse número infinito compreende todos os homens, com excessão de poucos, e duvido que alguma vez se tenha visto esses poucos".
Erasmo de Rotterdam.


Publicado no site: O Melhor da Web em 09/09/2010
Código do Texto: 63644
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