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ADRIANO ALVES
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BRASILEIRO É OU NÃO RECLAMÃO?
23/11/2010
Autor(a): ADRIANO ALVES
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BRASILEIRO É OU NÃO RECLAMÃO?

                                          Outro dia li o seguinte texto anônimo que vem circulando em sites e e-mails da internet:
                                          “Brasileiro sempre teve mania de reclamar dos seus governantes. Reclamava dos administradores das Sesmarias e das Capitanias Hereditárias; dos governadores gerais e dos imperadores. Reclamava dos presidentes da Velha República e da República Velha, dos militares, de Sarney, de Collor, de Itamar, de FHC, de Lula... Não reclamaram de Tancredo Neves porque morreu antes da posse! Logo teremos novo presidente, novo governador, outros deputados... Ou os mesmos! Mas o povo vai continuar a reclamar. Sabe por quê? Porque o problema não está nos deputados, senadores, presidente, governador, prefeito, funcionário... O problema está naquele que reclama: você e eu; nós! O problema está no brasileiro.”
                                          Comecei a me perguntar se tais afirmações estariam certas ou erradas. E como tudo o mais na vida, seja o erro ou o acerto, as conclusões acima dependem do ponto de vista pelo qual são olhadas. Até concordo que um dos grandes problemas desse país é a mentalidade do brasileiro que é curta e imediatista não sabendo pensar a logo prazo.
                                          Agora discordo totalmente que o brasileiro reclame de tudo. E sou ainda mais veemente em discordar que o fato de reclamar das situações, dos problemas e dos governantes de nosso país seja um defeito.
                                          A reclamação por mais despropositada e exagerada que seja, sempre e sempre, traduz uma opinião que não concorda com o estado em que as coisas se encontram. A reclamação no fundo é um grito por mudança, por melhoria. A reclamação requer no mínimo que a pessoa se sinta no direito de reclamar, que olhe em volta de si, que analise aquilo que vê, que não concorde com o “status quo” que a rodeia e, principalmente, pense para fundamentar os motivos de sua discórdia. E isso é algo incrível em um ser humano. É um processo que ajuda a alicerçar as bases das melhorias que esse país tanto precisa e principalmente engaja mais mentes e interessados nesse processo de transformação.
                                          Inegavelmente, vivemos em um país cheio de desigualdades. Com sérios problemas estruturais. Com laços fracos com a democracia e com o respeito às instituições nacionais.
                                          Basta olhar abrir um jornal, assistir a um noticiário televisivo, ou mesmo colocar a cabeça para fora da janela de casa para vermos que estamos em um país que não valoriza nem a vida e nem os mais básicos direitos humanos. É fácil concluir que vivemos em um país em que milhões não têm acesso a saneamento básico e outros tantos milhões vivem no analfabetismo e mais alguns milhões vivem de catar latinhas, papelões ou de buscar alimento no próprio lixo dos mais abastados. E tudo isso claro, sem falar que a desigualdade é saldada a todo o momento pelos tiroteios e pelos urros da violência urbana, tendo que se esconder muitas vezes na fumaça que sai das bocas de fumo deste país que é o 2º maior consumidor de drogas ilícitas no mundo.
                                          Nós brasileiros poderíamos ser tachados de “reclamões” se estivéssemos todo vivendo na Suécia, na Suíça ou na Austria. Mas como brasileiros vivendo no Brasil, com a realidade aqui vigente, jamais podemos achar que reclamamos muito. Não fazemos mais que a obrigação de reclamar. Reclamar dos problemas do nosso país é para muitos como um último grito por socorro, um último esforço ofegante de dizer que precisa desesperadamente de ajuda.                                             
                                          Mas parece que muitos, em especial os que beneficiam desse estado de coisas atual, não querem ninguém reclamando de nada. Preferem que os milhões que estão se afogando nesse mar de violência, corrupção e desigualdades, que se chama Brasil, morram sem se debater e nem ao menos dizer “ui, tô morrendo”.
                                          Pois é, diante de uma situação social tão caótica como a que encontramos nesse nosso “Brasilzão”, acho é que reclamamos muito pouco. Quisera o destino que tivéssemos pelo menos um terço da população reclamando ativamente de tudo que vêem de errado nesse país. Se tivéssemos milhões reclamando explicações sobre os desvios de verba milionários teríamos desvios menores e menos milionários nos cargos eletivos. Se tivéssemos milhões reclamando por transporte público de qualidade nesse país teríamos menos carros nas ruas, menos trens e metros lotados, menos horas perdidas no trânsito, menos acidentes nas estradas. Se tivéssemos mais gente reclamando por melhores escolas, teríamos cidadãos melhor alfabetizados, que seriam futuros cidadãos mais esclarecidos, que votariam com mais consciência e não trocariam seu voto por uma camiseta ou um boné. Mais reclamações poderiam coibir os abusos da polícia e os desmandos dos fiscais da coisa pública. Mais reclamações poderiam levar a menos impostos, mais postos de trabalho, com menos gente no tráfico, na pirataria e na informalidade.
Pode se pensar que tudo isso é uma utopia. Mas não é. Aqueles que querem menos reclamações por parte de todos nós é que tentam fazer crer que isso é uma utopia e que não vale a pena reclamar pelo que não tem solução. As reclamações levam a mudanças e somente as mudanças podem transformar sonhos utópicos na mais pura realidade. A história está repleta desses exemplos. Deveríamos sim é copiar o espírito “reclamão” daqueles que fizeram a revolução francesa ou a revolução americana. Deveriamos reclamar mais, pois se deixarmos seremos cada vez mais amordaçados.


Publicado no site: O Melhor da Web em 23/11/2010
Código do Texto: 67424
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