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JuAlmeida - Juliana B.
Juliana B.
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A melodia do açoite
27/01/2011
Autor(a): Juliana B.
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71213 A melodia do açoite JuAlmeida - Juliana B.
A melodia do açoite

   Numa idade em que o crime que cometeu pode muito bem ser abafado pelos problemas mundanos de seus Lordes, não há muito que temer senão a morte. Algumas vezes, nem isso.
   Ele mereceu, mas ainda faltou bem mais do que só aquilo.
   Divagava sobre a hipótese de ocorrer na ruela ou em outro lugar menos conveniente, mas na realidade não se importava tanto quanto deveria. Seria um dia como qualquer outro e mal poderia aguardar para isso. A ansiedade o corrompia de dentro pra fora, voltando novamente para dentro e saltando de novo para fora.
   Num gesto brusco, se levantou da parede de tijolos em que se apoiava, e caminhou debaixo da chuva, vagando pelas casas noturnas na intenção de acalmar o corpo sedento de necessidades carnais – e sempre constantes. Tão constantes, que depois de um tempo perdiam a graça. As damas que se escondiam na sombra do anonimato, revelando o rosto que nunca o importara, já eram comuns e não tão desejadas como aquela que o fez perder a cabeça há muito tempo atrás.
   Foi doloroso, mas bom. Suas vestes escondiam o que oposto de seu peito guardava com tanto carinho, tanto ciúme. O tecido molhado o desconcentrava de sua missão momentânea. O foco passou a ser ela. O desejo lhe subiu à cabeça, as lembranças o torturavam a cada passo, prendendo-o à visão clara daquele dia marcante. Nem notou que já havia contornado toda a cidade.   
   Em segundos, percebeu que haviam mais passos além dos seus – e já fazia um tempo.
   Sem virar seu rosto, apenas se focou nas passadas que o perseguiam. Parou de repente.

– Há quanto tempo... – Manteve-se virado para frente, esperando resposta.
Depois de um suspiro profundo, ela parou de se aproximar.
– Você não mudou nada. Em que estava pensando para estar tão distraído que nem notou que o seguia?
– Em você. Sentiu que eu lhe desejava e veio ao meu encontro?
– Que bobagem. Eu não sou tão boa assim, sabia? Não passou pela sua cabeça que também senti sua falta?
– Passou. E sempre senti ciúme de você estar rodeada de capatazes a seu serviço que tanto a usam em momentos inoportunos.
Aproximou-se vagarosamente do conhecido, tocando-o levemente na face.
– O que aconteceu com seu rosto? – Disse acariciando, baixando a guarda de heroína noturna, assumindo uma posição semelhante à de mãe.
– N-nada... – Virou o rosto rápido, com medo de que notasse os detalhes, afastando sua mão.
– Não me evite mais do que já evitou. Na minha posição eu não pude...
– Não pôde o que?! Eu não dependo de você! – Interrompeu ele. – Não fale como se precisasse de sua guarda!
– Mas o seu rosto... Eu só pensei que...
– Não pense! – Parou exatamente no momento em que terminou a frase, se arrependendo do que disse, olhando para ela prestes a pedir desculpa, mas relutou. – Foi um acidente... Só isso...
– Se quer que eu seja assim, terá! Perdi meu tempo vindo aqui vê-lo para ouvir isso. – Disse rancorosa e orgulhosa. Virou-se e começou a se distanciar em passadas largas, o induzindo a recorrer.
– Não! – Gritou agarrando o pulso dela firmemente, soltando aos poucos em segundos. – Não me deixe nessa prisão psicológica de saudade sua...
Ouviu um ruído de desolação vindo da figura à sua frente.
– Eu não quero ir... Mas não tenho muito tempo... – Retrucou aos choros agarrando-se a ele. – Me faça tua de novo... Deixe em mim tuas memórias, quero ter-te sempre comigo... Porque sabe que posso não voltar a vê-lo nunca mais.
Debaixo da chuva, já era difícil distinguir o que era choro e o que eram lágrimas. Apoiou sua cabeça em seu ombro:
– Não faria isso por necessidade, mas sim porque quero que seja minha dona, porque quero deixar características de nossa junção.

--

   Na mesma manhã ele acordou sozinho, ela já teria partido, restando-lhe somente a bagunça do ambiente que jaziam as memórias de poucas horas passadas ocorrerem em vultos.
   Não havia muito que ser feito, senão pegar seus pertences e deixar para trás algo que nunca quis abandonar. Algo que ela já deixou nele e ele nela. Voltou a caminhar em meio a ressaca de uma vida que tinha de se despedir, mas não conseguia. Passou a amar a estrada que não acabava e abria espaço para um fim interminável de conclusões precipitadas da vida que lhe aguardava.

Publicado no site: O Melhor da Web em 27/01/2011
Código do Texto: 71213
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