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LAERCIO VENTURINI
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Texto mais recente: ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DA LÍNGUA INGLESA



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LINGÜÍSTICA
29/11/2012
Autor(a): LAERCIO VENTURINI
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LINGÜÍSTICA

BLUE RINGS ENGLISH SCHOOL

















TRABALHO DE LINGÜÍSTICA




















Mestre Laercio Venturini
                        2012
INDÍCE


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INTRODUÇÃO: APRESENTAÇÃO    03
CAPÍTULO I: SOCIOLINGUÍSTICA - PA RTE – I 05
CAPÍTULO I: SOCIOLINGUÍSTICA – PARTE – II 09
CAPÍTULO II: LINGUÍSTICA HISTÓRICA 11
CAPÍTULO III: FONÉTICA 15
CAPÍTULO IV: FONOLOGIA 20
CAPÍTULO V: MORFOLOGIA 22
CAPÍTULO VI: SINTAXE 24
CAPÍTULO VII: LINGUÍSTICA TEXTUAL 27
TÓPICO: CONCLUSÃO 30
TÓPICO: BIBLIOGRAFIA 31












APRESENTAÇÃO



O tema apresentado pelas organizadoras e autoras, Fernanda Mussalim e Anna Christina Bentes, faz parte de uma coletânea de obras contendo textos sobre linguística, destinada a propiciar uma introdução à linguística para alunos recém-chegados ao curso de letras.
Os temas abordados são bastante conhecidos nos meios especializados, mas pouco conhecido dos estudantes que chegam à universidade.
Segundo as organizadoras este livro se justifica por sua capacidade de produzir certa ruptura em relação ao estudante de letras, e de eliminar o suposto saber do aluno de colegial, em relação aos fatos linguísticos. E também deixa claro ao leitor, o quanto a linguagem é um campo de experiências riquíssimas, quer se trate de discussões sobre as relações entre linguagem e mundo, linguagem e conhecimento.
Ao leitor é oferecida a possibilidade de inicialmente enxergar o fenômeno linguístico como um fenômeno sociocultural, fundamentalmente heterogêneo e em constante processo de mudança.   

Inicia-se com o volume I com o capítulo 1 de Sociolinguística (Parte I e II).
Parte I – Sociolinguística – páginas 21 a 47
Parte II – Sociolinguística – páginas 49 a 75
Aborda-se nas Partes I e II a relação entre linguagem e sociedade e postula o princípio da diversidade linguística. Como as orientações teóricas consideram as comunidades linguísticas, não somente sob o ângulo das regras de linguagem, mas também sob o ângulo das relações de poder, que se manifestam na linguagem.   
Capítulo 2 – Linguística Histórica – páginas 77 a 103 – enfoca os processos de mudança das línguas no tempo – “que todas as línguas variam e que todas as línguas mudam.”
Capítulo 3 – Fonética – páginas 105 a 145; – Capítulo 4 – Fonologia – páginas 147 a 179; - Capítulo 5 – Morfologia – páginas 181 a 205; Capítulo 6 – Sintaxe – páginas 207 a 243 e Capítulo 7 – Linguística textual – páginas 245 a 287. Em contato com esses capítulos, o leitor estará entrando em contato com as abordagens que propõem um número restrito de princípios firmes e seguros que são utilizados na construção positiva do conhecimento das línguas e da faculdade de linguagem. E finaliza-se    com o capítulo de Linguística textual – essa área, que tem como principal interesse o estudo dos processos de produção, recepção e interpretação dos textos.




























Mussalim, Fernanda & Christina Bentes, Anna. Introdução à linguística. 9º Ed. – São Paulo: Cortez, 2011.

Capítulo I

SOCIOLINGUÍSTICA
(PARTE I)

Pag. 21 e 22

A abordagem das organizadoras inicia-se pela relação entre linguagem e sociedade, e faz reflexões sobre o fenômeno linguístico. Segundo, Fernanda e Anna, a historia da humanidade é a história de seres organizados em sociedades, e detentores de um sistema de comunicação oral, ou seja, de uma língua que representa uma estrutura de pensamento, que existe independentemente da formalização linguística. Nesse sentido, as teorias de linguagem, do passado ou as atuais, sempre refletem concepções particulares de fenômenos linguísticos e de compreensões distintas do papel deste na vida social.   
No século XIX, em História da Linguística, o alemão Augusto Schleicher    teve forte impacto naquela época [...]
Então Schleicher se propõe a colocar a Linguística no campo das ciências naturais, dissociando-a da tradição filológica, vista por ele como um ramo da História, ciência humana. Para o referido linguista o desenvolvimento da linguagem era comparável ao de uma planta que nasce, cresce e morre segundo leis físicas. A linguagem é vista como um organismo natural ao qual se aplica o conceito de evolução desenvolvido por Darwin.
Schleicher disse que cada língua é o produto da ação de um complexo de substância natural no cérebro e no aparelho fonador. Estudar uma língua é, portanto, uma abordagem indireta a este complexo de matérias.
Pag. 23

A relação entre linguagem e sociedade está diretamente ligada à questão da determinação do objeto de estudo da Linguística. Nesse sentido, a linguística do século XX teve um papel decisivo na questão da consideração da relação linguagem-sociedade.
É Saussure quem define a língua como o objeto central da Linguística. Na visão do autor, a língua é o sistema subjacente à atividade da fala, mais concretamente, é o sistema invariante que pode ser abstraído das múltiplas variações observáveis da fala.
Para Saussure, a língua é um fato social, no sentido de que é um sistema convencional adquirido pelos indivíduos no convívio social. Ele aponta a linguagem com a faculdade natural que permite ao homem constituir uma língua. Assim a língua se caracteriza por ser um produto social da faculdade da linguagem.

Pag. 24

Ligados ao contexto, e de cujas obras são referências obrigatórias, quando se trata de pensar a questão social no campo dos estudos linguísticos, temos: Antoine Meillet, Mikhail Bakhtin, Marcel Cohen, Émile Benveniste e Roman Jakobson, e outros.

Pag. 25

Em sua perspectiva Bakhtin, Jakobson, outro linguista russo, explicita sua visão sobre a relação entre linguagem e contexto social. O princípio da homogeneidade do código linguístico, postulado por Saussure (1916), e adotado pela Linguística, “não passa de uma ficção desconcertante”, já que todo indivíduo participa de diferentes comunidades linguísticas e todo código linguístico é “multiforme e compreende uma hierarquia de subcódigos diversos, livremente escolhidos pelo falante”.




Pag. 26, 27, 28 e 29

Em 1963, Benveniste    defende que: “A língua é a manifestação concreta da faculdade humana da linguagem, isto é, a faculdade humana de simbolizar.” O autor afirma que a língua contém a sociedade e por isto é o interpretante da sociedade. Esse papel de interpretante é garantido pelo fato de que a língua é o instrumento de comunicação que é e deve ser comum a todos os membros da sociedade, possibilitando assim a produção indefinida de mensagens em variedades ilimitadas.   

A Sociolinguística: Fixação de um campo de estudo
O termo sociolinguística, relativo a uma área da Linguística, fixou-se em 1964. Surgiu em um congresso, organizado por William Bright, na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Bright escreve o texto introdutório “As dimensões da Sociolinguística”, que define e caracteriza a nova área de estudo. A proposta de Bright para a Sociolinguística é a de ela deve “demonstrar a covariação sistemática das variações linguística e social.” Segundo o autor, o objeto de estudo da sociolinguística é a diversidade linguística.   

Pag. 30
Em 1962, Hymes publica um artigo em que propõe um novo domínio de pesquisa, a Etnografia da Fala, rebatizada mais tarde como Etnografia da Comunicação. O novo domínio pretende descrever e interpretar o comportamento linguístico no contexto cultural e, deslocando o enfoque tradicional sobre o código linguístico, procura definir as funções da linguagem a partir da observação da fala e das regras sociais próprias a cada comunidade.

Pag. 31 a 43
Podemos dizer que o objeto da sociolinguística é o estudo da língua falada, observada, descrita e analisada em seu contexto social, isto é, em situações de uso. Para os falantes do português, o imperativo denota ordem, exortação, conselho, solicitação, segundo o significado do verbo, e o tom de voz utilizado como em: “Vai-te embora; Ouve este conselho. Vem cá!; Desce daí!”
Os parâmetros da variação linguística são diversos, como se pode inferir da exposição feita até aqui. No ato de interagir verbalmente, um falante utilizará a variedade linguística relativa à sua região de origem, classe social, idade, escolaridade, sexo, etc.

Fishman    (1970) define a padronização, isto é, o estabelecimento da variedade padrão, como um tratamento social característico da língua, que se verifica quando há diversidade social suficiente e necessidade de elaboração simbólica. Ou seja, a definição de uma variedade padrão representa o ideal da homogeneidade em meio à realidade concreta da variação linguística.

Para a sociolinguística, a natureza variável da língua é um pressuposto fundamental, que orienta e sustenta a observação, a descrição e a interpretação do comportamento linguístico. A intolerância linguística é um dos comportamentos sociais mais facilmente observáveis, seja na mídia, nas relações sociais cotidianas, nos espaços institucionais etc.

Considerações

O trato do fenômeno linguístico relacionado ao contexto social e cultural se distingue de forma evidente pela vinculação explicita de algum campo das ciências humanas. Podemos apontar a Antropologia e a Sociologia como áreas relevantes, dentre estas correntes, destacamos:
A Sociologia da Linguagem, representada por J, Fishman;
A Sociologia Interacional, ligada ao nome de J. Gumperz;
A Dialectologia social, associada ao trabalho de estudiosos como R. Shuy e P. Trudgil;
A Etnografia da Comunicação, inseparável do nome de D. Hymes, referida anteriormente.    – e também os trabalhos de R. Bauman e J. Sherzer, voltados, particularmente, para a questão da arte e da poética dos gêneros de fala.
Pag. 50 a 73

Capítulo I

SOCIOLINGUÍSTICA
Parte II

Sociologia da Linguagem é um ramo das ciências sociais, na medida em que encara os sistemas linguísticos como instrumentais em relação às instituições sociais. Outra área de estudos, a Etnografia da Comunicação, interessa-se em descrever e analisar as formas dos eventos da fala, especificamente, as regras que dirigem a seleção que o falante opera em função dos dados contextuais relativamente estáveis, como a relação que ele contrai com o interlocutor, com o assunto da conversa, e outras circunstanciam do processo de comunicação, como espaço e tempo e, sobretudo, as regras que dirigem o modo como cada participante sustenta a interação verbal em curso.
De um ponto de vista linguístico, que é o que sempre interessa, mesmo que se estenda a análise a fatores sociais, comparemos a variação entre ausência e presença de segmentos sonoros, como o fonema /s, ora pronunciado s, ora pronunciado z, caracterizado como fricativa alveolar. Simbolizemos a presença desse elemento sonoro como /s/ e sua ausência como /ø/.
A variação entre /s/ e /ø/ pode aparecer marcando o plural em “os livros / os livro” e em outros tantos substantivos comuns da língua portuguesa, como “os meninos/os menino”, e pode aparecer também em nomes próprios, como “Carlos/Carlo”, em que ele não marca plural, embora possa ser também eliminado. O mesmo segmento sonoro final, a fricativa alveolar [s], pode aparecer, por outro lado, em outras palavras, como “ananás”, “arroz” etc., sem que seja jamais eliminado.
Na realidade, a diversidade é uma propriedade funcional e inerente aos sistemas linguísticos e o papel da Sociolinguística é exatamente enfocá-la como objeto de estudo, em suas determinações linguísticas e não linguísticas. A esse respeito é sempre útil ouvirmos Labov :
A existência de variação e de estruturas heterogêneas nas comunidades de fala investigadas está de fato provada. É da existência de qualquer outro tipo de comunidade que se pode duvidar.... a heterogeneidade não é apenas comum, é também o resultado natural de fatores linguísticos básicos. Alegamos que é a ausência de alternância de registro e de sistemas multi-estratificados de comunicação que seria disfuncional.

A linguagem é sem dúvida alguma. A expressão mais característica de um comportamento social, sendo, por isso, impossível separá-la de suas funções sócio interacionais soa um tanto redundante.
O desenvolvimento na teoria linguística de um sentimento de aversão ao caos, à variação, cuja consequência foi gerar uma concepção monolítica de linguagem, baseia-se na suposição metodológica de que a estrutura linguística e necessariamente homogênea. Esse postulado, que emergiu originalmente do recorte metodológico sobre o fenômeno linguístico que Saussure (1916-1977) criou ao cunhar a famosa dicotomia língua e fala, radica no fato de que a língua, o sistema gramatical, é extraída da turbulência vertiginosa em que emerge a fala com os usos fenômenos social (Sapir, 1929, apud Chambers, 1995).
Bakhtin (1979) entende que a própria enunciação monológica é uma abstração, já que qualquer ato enunciativo, ainda que no âmbito da linguagem escrita, representa a resposta a algum outro texto, constituindo-se, desse modo, num elo de uma cadeia de atos de fala. No entanto, o filólogo-linguística não era capaz de perceber o caráter dialético das enunciações: pelo contrário, “compreende-as como um todo isolado que se basta a si mesmo e não lhe aplica uma compreensão ideológica ativa (...) .
Em suma, a linguagem é um sistema estruturado e sistemático e, como tal, sujeito a princípios explicitáveis de organização. Coube à Sociolinguística o mérito de trazer à luz a diversidade como objeto verdadeiro de estudos, dando-lhe estatuto teórico-metodológico; cabe-lhe ainda hoje a tarefa de explicitar os princípios internos e externos que regem a variação.




Pag. 77 a 92
Capítulo 2
LINGUÍSTICA HISTÓRICA

Veremos os processos de mudança das línguas no tempo, e assim como os estudos desenvolvidos apartir do século XIX como o latim, o grego e o sânscrito, que são tão importantes em linguística que a própria disciplina, a Linguística, afirmou-se como ciência a partir deles.
No final do século XVIII, Sir William Jones, um juiz inglês na índia, oficial e acertadamente propôs que o latim, o grego e o sânscrito eram línguas aparentadas entre si. Sir Jones foi além: não apenas demonstrou, com os métodos de correspondência de som, que tal afirmação era possível de ser comprovada, como também hipotetizou que as três línguas eram derivadas de uma outra língua, possivelmente já extinta (hoje sabemos que se trata do proto-indo-europeu). Era o começo de estudos sistemáticos em Linguística Histórica e Comparativa, que graças à farta quantidade de registro histórico, se concentraram nas línguas indo-europeias.

As principais contribuições para o estudo e entendimento das relações entre as línguas indo-europeias foram feitas pelos dinamarqueses Rasmus Rask e Karl Verner e pelo alemão Jacob Grimm. Ao comparar latim, grego e sânscrito com as línguas germânicas (alemão, inglês, dinamarquês, holandês, etc.). Rask descobriu, e um pouco mais tarde Grimm aperfeiçoou analiticamente, as seguintes mudanças com relação à língua-mãe, o proto-indo-europeu (PIE):

1) As consoantes oclusivas surdas (p, t, k, kw) do PIE mudaram em fricativas surdas correspondentes (f,ɵ, h, hw) nas línguas germânicas;
2) As consoantes oclusivas sonoras (b, d, g, gw) do PIE mudaram em oclusivas surdas correspondentes (p, t, k, kw) nas línguas germânicas;
3) As consoantes aspiradas sonoras (bh, dh, gh, gwh) do PIE mudaram em oclusivas não aspiradas sonoras correspondentes (b, d, g, gw) nas línguas germânicas.

Foi também constatado que, em algumas palavras da família germânica, as consoantes sonoras /b/, /d/ e /g/ correspondiam às consoantes fricativas /p/, /t/ e /k/ do grego, em vez de corresponder à série de consoantes fricativas /f/, /ɵ/ e /x/, como previa a “Lei de Grimm”. Alguns exemplos são apresentados a seguir:


Alemão Antigo ubar “sobre”
Grego hupér “sobre”
Inglês Antigo fæder “pai”
Grego patér “pai”
Alemão Antigo swigur “sogra”
Grego hekurá “sogra”


Rask, Grimm e Verner foram os mais eminentes pesquisadores das línguas indo-europeias. O clima para estudos de caráter comparatista durante o século XIX era contagiante, sendo vários os estudiosos que os seguiram, ou que desenvolveram novos estudos comparativos baseados nos princípios anteriormente desenvolvidos, contribuindo sobremaneira para o desenvolvimento e sistematicidade de estudos de reconstrução linguística.

A controvérsia entre os neogramáticos e os defensores da difusão lexical gira em torno de dois pares de termos: som e palavra, de um lado,    gradual e abrupto, de outro. Para os neogramáticos a mudança fonológica é foneticamente gradual, mas lexicalmente abrupta: para os “difusionistas”, a mudança fonológica é, ao contrário, foneticamente abrupta, mas lexicalmente gradual. Os estudos comparativos com as línguas indo-europeias, do século XVIII e XIX, contribuíram de maneira fundamental para o nascimento e progresso da Linguística Histórica e para o próprio estabelecimento da linguística como ciência.

Mudanças Linguística

As mudanças que ocorrem não são imediatamente sentidas pelos falantes. Nem estes falantes estão necessariamente conscientes de tais mudanças. Isso se deve a três fatores: a) as mudanças são lentas e graduais; b) elas são parciais, envolvendo apenas partes do sistema linguístico e não o seu todo; c) elas sofrem influência de uma força oposta, a força de preservação da intercompreensão. Em princípio, qualquer parte de uma língua pode mudar, desde o nível fonético-fonológico (dos sons) até o nível semântico (do significado).

Mudanças de som

O termo linguisticamente é usado aqui para descrever variação não distintiva, é importante, já que o uso de um ou outro som não implica diferenças de significado, mas pode implicar diferenças de status social etc.   
Falantes de uma língua que tem duas variantes de uma mesma palavra, a tendência é que apenas uma delas sobreviva. É muito difícil, no entanto, predizer quando ou mesmo se uma determinada forma vai suplantar a outra, e qual delas será a vencedora. Quanto à sua natureza, as mudanças de som    são classificadas de acordo com o tipo de processo envolvido. Estes podem ser: perda ou adição de fonemas, assimilação, dissimilação, duração (ou prolongamento) e metátese.   

Mudança gramatical

Um exemplo clássico de mudança gramatical é a perda da flexão nominal com a consequente rigidez na ordem de palavras para expressar relações gramaticais com várias línguas. Esse foi precisamente o caso do desenvolvimento das línguas românicas (português, francês, espanhol, italiano, romeno etc.) a partir do latim.

Mudança semântica

Até o presente momento da história da linguística, ainda não foi possível formular nenhum modelo abstrato de mudanças semântico, como foi feito para as mudanças fonéticas fonológicas e gramaticais. Isso se deve, em grande parte, à incapacidade de qualquer modelo de conseguir tratar, de maneira sistemática, todos os casos de mudanças envolvendo significado.
A mudança semântica por contato semântico se dá quando um item lexical existente adquire outro significado a partir de um contexto específico. Um exemplo clássico desse tipo de mudança pode ser observado na palavra bead, do inglês, que atualmente significa “conta de um colar”. Bead provém do inglês antigo, gebed, e significava “reza, oração”. A explicação da mudança de significado de “reza” para “conta”, no entanto, só foi possível de se estabelecer plenamente quando a palavra prayer foi emprestada do francês para cobrir o sentido antigo de “reza, oração”.

Pag. 93

Classificação genética

Classificação genética    é o processo pelo qual línguas distintas são agrupadas em uma dada classe, seguindo critérios que podem se tipológicos ou teóricos. As primeiras classificações genéticas sistemáticas de língua seguiram critérios teóricos, baseados em correspondências de som, e começaram apenas depois dos estudos de Grimm e Verner.








Pag. 105 a 139
Capítulo III
FONÉTICA

A Fonética e a Fonologia são as áreas da Linguística que estudam os sons da fala, e tem o mesmo objeto de estudo. A preocupação da Fonética    é descrever os sons da fala – exemplo: o som da consoante [b] é articulado com uma corrente de ar pulmonar, agressiva, com vibração das cordas vocais, com uma obstrução do fluxo de ar seguida de uma explosão; ou descrever a vogal [i] como aquela que tem os dois primeiros formantes    mais afastados um do outro; ou dizer que, embora do ponto de vista acústico e articulatória os três as da palavra batata possam ser considerados como realizações um pouco distintas, os falantes de português reconhecem esses sons como pertencendo à mesma categoria (vogal a).
A Fonética é basicamente descritiva, a Fonologia é uma ciência explicativa, interpretativa; enquanto a análise fonética se baseia na produção, percepção e transmissão dos sons da fala, a análise fonológica busca o valor dos sons em uma língua, em outras palavras, sua função linguística.    A maneira como um foneticista vê, analisa e transcreve os fatos da língua difere do modo como o faz um fonólogo. Por esta razão, uma transcrição fonética dos segmentos é representada dentro de colchetes quadrados [ ] e uma transcrição fonológica (fonema), dentro de barras simples inclinadas / /

No final do século XIX, surgiram os primeiros laboratórios de fonética experimental. A partir daí, os estudos de Fonética Acústica foram crescendo e sobrepujando em importância e em interesse os estudos de natureza articulatória e auditiva, que já contavam com excelentes resultados. E, ainda, a pesquisa fonética tem contribuído enormemente para o desenvolvimento de tecnologias que se utilizam dos elementos sonoros da fala, como a engenharia de telecomunicações, telefonia, as ciências da computação – referência à produção de programas de produção e de reconhecimento da fala.

Fonética Articulatória

O primeiro processo de produção de fala é o neurolinguístico e significa que é preciso juntar as ideias aos sons correspondentes daquilo que se quer falar em uma determinada ordem, seguindo as regras da língua. Feito isso, o cérebro começa a enviar para os músculos mensagens para diferentes partes do corpo, preparando-o para dizer o que foi planejado. Esse é o processo neuromuscular.

As configurações do aparelho fonador - Quando a corrente de ar chega à parte superior da faringe, encontram dois caminhos: a passagem oral, pela boca, e a passagem nasal, pela cavidade nasofaríngea e pelas cavidades nasais. O ar pode seguir um desses caminhos ou ambos. Trata-se do processo oronasal.

a) Oclusiva Glotal: é uma oclusiva produzida pelo fechamento da glote durante a duração necessária para se obter uma consoante. Em Português, expressões de surpresa como [a?], [E?], [a?a], (Ah?!, Éh!, Aah!?) costumam ter uma oclusiva glotal.
b) Fricativa Glotal: é um segmento aspirado (ou surdo) ou murmurado (sonoro) articulado com duração equivalente de uma consoante (ex.: em inglês, a consoante inicial de horse e house).
c) Vozeamento: é o processo que produz sons    sonoros por meio das vibrações das cordas vocais. Todas as vogais e consoantes vozeadas (= sonoras) (ex: bolo; vaca; zebra) são produzidas com vibração das cordas vocais.
d) Ensurdecimento: é o processo que deixa a corrente de ar pulmonar passar pela laringe sem se alterar acusticamente. Produz os sons surdos. Ex.: massa; faca.
e) Aspiração: é o processo que produz fricção local quando a corrente de ar pulmonar passa pela glote. Isto é obtido por uma construção da glote que produz turbulência quando o ar passa por ela. Este tipo de fonação é conhecido também como sussurro (whispery voice).
f) Murmúrio: é o processo que, além de fazer o ar fonatório carrear fricção, traz consigo também características acústicas de uma onda periódica, ou seja, é um tipo de aspirada sonora (breathy voice).
g) Creaky voice: é o processo que modifica a corrente de ar pulmonar com vibrações muito lentas, produzindo uma qualidade fonatória de som muito grave (cf. qualidade de voz de um cantor de tipo “baixo”).
h) Falseto: é o processo fonatório que emprega as cordas vocais bem esticadas, o que imprime à corrente de ar um som fundamental muito agudo (ex. voz aguda de pessoas nervosas, homens forçando uma voz aguda).

Prosódia e segmento

Ao segmentar a fala (= “cortar”, “analisar em pedaços menores”), as unidades chamadas segmentos são as que definem as vogais e as consoantes. As unidades maiores do que os segmentos são chamados de prosódicas, como a sílaba, as moras silábicas, o pé, o grupo tonal, os tons entoacionais, a tessitura e o tempo .

Elementos prosódicos

Assim como na música, pode-se considerar que a fala tem melodia (entoação, tons) e harmonia (acento e ritmo). São esses fatores que fazem a “música” da fala.

Acento

As sílabas são tônicas ou átonas, dependendo do grau de saliência que apresentam. Essa saliência provém geralmente, em português, de uma duração maior. Pode vir também de uma elevação ou mudança de direção da curva melódica em um enunciado e até um aumento de intensidade sonora.   

As variações de velocidade de fala tendem a causar modificações fonéticas. Quanto mais veloz for à fala, haverá uma tendência maior para a centralização vocálica, para a queda de segmentos, para a co-articulação, para a perda de qualidades articulatórias e consequente perda de inteligibilidade da fala.   

Entoação
Nas línguas entoacionais, como o português, diferentes tipos de enunciados carreiam padrões melódicos predeterminados pelo sistema. Neste caso, as “frases declarativas” se distinguem das “frases interrogativas” porque as primeiras apresentam um padrão entoacional descendente e as segundas, um padrão ascendente. Esses padrões entoacionais podem ser melhor definidos em termos de tons entoacionais.   
Um padrão entoacional forma um grupo tonal. Todo grupo tonal terá sempre uma sílaba tônica saliente ( o acento frasal), que coincide com a posição em que a curva melódica muda de direção. Corresponde, na anotação acima, à sílaba que vem logo após as barras duplas verticais.

Qualidade de Voz
Na fala comum dos indivíduos e até de línguas ou dialetos, entretanto, costuma haver uma predominância de certas qualidades fonéticas, como as mencionadas anteriormente. Isso faz com que, uma língua como o inglês americano soe, aos ouvidos de falantes de outras variedades do inglês ou de outras línguas, como sendo “excessivamente” nasalizado e retroflexo. O português soa como uma língua bastante fricativa e nasalizada. Essas características gerais da produção da fala são chamadas de qualidades de voz.

A história da fonética conheceu vários sistemas de transcrição fonética. Hoje, o mais difundido é o da Associação Internacional de fonética, conhecida como IPA (International Phonetics Association). Esse alfabeto já tem cem anos e foi recentemente reformado em alguns aspectos menos importantes. Um outro sistema é o do SIL (Summer Institute of Linguistics), difundido por Kenneth Lee Pike e muito usado na transcrição de línguas indígenas. Hoje, este alfabeto está cedendo lugar para o IPA.   
Fonética Acústica
As pesquisas em Fonética Acústica apresentam três tipos gerais de preocupação para o linguista: a) pesquisa da estrutura física dos sons da fala; b) pesquisa de fala sintética; e c) pesquisa de reconhecimento automático da fala.

Os estudos de Fonética são indispensáveis para quem lida com os elementos sonoros da linguagem e, por essa razão, são importantes para a Medicina (fisiologia e cirurgias que envolvem membros do aparelho fonador), para a Fonoaudiologia (tratamento de distúrbios da fala), para a Engenharia de Telecomunicação (telefonia, aparelhos de sons), para a Ciência da Computação (produção e reconhecimento de fala), para as Artes Cênicas e Cinematográficas, e, é claro, para a Ciência da Linguagem.

Tabela extraída do site: http://pt.conlang.wikia.com/wiki/Alfabeto_Fon%C3%A9tico_Internacional

Ponto de articulação →
Labial
Coronal
Dorsal
Radical
Glotal

↓ Modo de articulação
bilabial
labio-
dental
dental
alveolar
pós-
alveolar
retroflexa
palatal
velar
uvular
faringeal
glotal

oclusiva
p
b
t
d
ʈ
ɖ
c
ɟ
k
g
q
ɢ
ʔ

nasal
m
ɱ
n
ɳ
ɲ
ŋ
ɴ

vibrante
ʙ
r
ʀ

vibrante simples
ɾ
ɽ

fricativa
ɸ
β
f
v
θ
ð
s
z
ʃ
ʒ
ʂ
ʐ
ç
ʝ
x
ɣ
χ
ʁ
ħ
ʕ
h
ɦ

lateral fricativa ɬ
ɮ

aproximante
ʋ
ɹ
ɻ
j
ɰ

aproximante lateral l
ɭ
ʎ
ʟ

Pag. 147 a 177
Capítulo IV
FONOLOGIA

O linguista suíço Ferdinand de Saussure foi o primeiro a estabelecer que a linguagem humana compreendia dois aspectos fundamentais: a língua e a fala.
Para Saussure, a língua é um produto social, presente na totalidade dos membros de uma comunidade linguística. A fala, por sua vez, é um fato individual, representa uma realização concreta da língua num momento e lugar determinados.   

Na visão saussureana a língua é um sistema de signos formados pela união do significado e do significante. O significante, na fala, é estudado pela Fonética: articulatória e acusticamente. Na língua, o significante é estudado pela Fonologia.

A Fonética como ciência estuda os aspectos físicos da fala, ou seja, as bases acústicas relacionadas com a percepção, e as bases fisiológicas relacionadas com a produção. A Fonética estuda os sons da fala independentemente da função que eles possam desempenhar numa língua determinada. Os métodos de estudo da Fonética se aproximam mais das ciências naturais. As unidades básicas da fonética são os fones, transcritos entre colchetes [p]; [t]; [t].
A Fonologia estuda as diferenças fônicas correlacionadas com as diferenças de significado (ex.: [p]ato/[m]ato), ou seja, estuda os fones segundo a função que eles cumprem numa língua específica, os fones relacionados às diferenças de significado e a sua inter-relação significativa para formar sílabas, morfemas e palavras.

Importância da fonologia

Um dos objetivos da fonologia relaciona-se com o desenvolvimento de ortografias, ou seja, o emprego de um alfabeto para representar a escrita de uma língua. Recorrendo à Fonologia, pode-se estabelecer a relação que há entre os fonemas da língua e os símbolos gráficos que os representam.
O professor de língua estrangeira pode resolver os problemas de interferência, desenvolvendo estratégias que auxiliem o estudante a superar a tendência de transpor o sistema fônico de sua língua materna para a língua estrangeira. Se o professor desconhece os sistemas fonológicos da língua estrangeira e daquela do estudante, então o ensino desse professor será pouco proveitoso.

Toda língua possui um número restrito de sons cuja função é diferenciar o significado de uma palavra em relação à outra. Os sons que exercem esse papel chamam-se fonemas e ocorrem em sequencias lineares, combinando-se entre si de acordo com, as regras fonológicas de cada língua.

Princípios da simetria

Os sistemas fonológicos das línguas mostram tendências pela simetria, produto da pressão estrutural de seus padrões fonéticos.

Traços de Chomsky e Halle

No que segue, apresentam-se os traços propostos em Sound pattern of English (Chomsky & Halle, 1968), considerando algumas modificações levantadas em Halle & Clements (1983). Opta-se pelos traços de Chomsky & Halle porque são de uso muito amplo e representam o ponto de partida para a discussão de qualquer teoria fonológica. Tais traços se dividem em traços de classes principais, de cavidade, de corpo da língua, de forma dos lábios, de modo de articulação, de fonte e traços prosódicos.

Traços de classes principais

Três são referidos como de classes principais, pois eles dividem o conjunto
dos segmentos fonológicos de uma língua em classe mais significativas .

1. Silábico [sil]: os sons silábicos são os segmentos que funcionam como núcleo da sílaba. O não silábico ocorre como margens na sílaba. Este traço serve para diferenciar as vogais das consoantes. Assim, as vogais são [+silábico], as consoantes [-silábico]. Porém, há línguas em que as consoantes fricativas estridentes, nasais, laterais e vibrantes poderiam desempenhar a função de núcleo, ou seja, serem [+silábico], como em palavras do inglês: [‘bætl] “battle”, [bʌtn] “Button” e [krv] “sangue” do servo-croata.

2. Consonântico [cons]: os sons consonânticos são produzidos com uma constrição ao longo da linha central do trato vocal. Essa constrição pode ser total, como na articulação das consoantes plosivas, ou parcial, como na produção das consoantes fricativas.   

3. Soante [soan]: esse tipo de sons é produzido com uma configuração do trato vocal que permite o vozeamento espontâneo. Nos não-soantes, isto é nas obstruintes, a configuração do trato vocal inibe o vozeamento espontâneo.

O trabalho teve a finalidade de oferecer ao estudante de Letras e Linguística subsídios elementares no campo da Fonologia, para que possam constituir um ponto de partida para estudos mais avançados.


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Capítulo V

MORFOLOGIA

A Morfologia é definida como o componente da Gramática que trata da estrutura interna das palavras. Mas o que é uma palavra? Palavra é a unidade mínima que pode ocorrer livremente, podemos distinguir vários elementos que carregam exatamente o mesmo significado, mas que não têm o mesmo status gramatical. Assim, um pronome clítico, como lhe, embora possa carregar o mesmo significado que um pronome, não pode ser caracterizado como uma palavra, uma vez que não atinge os critérios sintáticos anteriormente definidos.

Para o estruturalismo, uma das preocupações da Linguística é tentar explicar como reconhecemos palavras que nunca ouvimos antes e como podemos criar palavras que nunca foram proferidas antes. A resposta é que nosso conhecimento dos morfemas da língua é o que nos dá esta capacidade. Assim, o problema central da Linguística para o quadro teórico estruturalista é identificar os morfemas que compõem cada língua falada no mundo; a Morfologia, portanto é de crucial importância para o estruturalismo.
A metodologia estruturalista mostra que não é necessário saber falar uma língua para ser capaz de identificar seus morfemas.

O estudo da interação entre Morfologia e Fonologia ganhou o rótulo de Fonologia Lexical. Segundo essa abordagem, morfemas seriam adicionados uns aos outros no léxico, regras fonológicas seguiriam aplicadas depois da adição de cada morfema. Uma regra fonológica poderia ser aplicada mais de uma vez, se cíclica. Um exemplo de regra cíclica é a atribuição de acento no português.

Os adeptos da Morfologia Distribuída defendem, como os seguidores de Chomsky, que a teoria deve ser modular, mas se diferenciam daqueles que seguem o Minimalismo, ao afirmarem que a Morfologia tem seu próprio componente, definido como um nível de interface entre Sintaxe e a Fonologia. Assim, o módulo da Morfologia, segundo esta perspectiva, está localizado entre a Sintaxe e a Fonologia e, deste modo, a sintaxe é visível para a Morfologia e a Morfologia é visível para a Fonologia, permitindo maior intersecção entre Morfologia-Fonologia-Sintaxe.









A Morfologia Distribuída passou a recusar a idéia de que as Morfologias Derivacional e Flexional estão separadas em dois módulos distintos e dependentes da Fonologia Lexical e da Sintaxe, respectivamente. Este modelo defende que a Morfologia, como um todo, tem seus processos independentes de quaisquer outros fenômenos linguísticos.

Uma questão que o trabalho de linha gerativista levanta, e que o quadro gerativo atual está colocando muito esforça em responder, é como pode haver tamanha diversidade e uma gramática universal ao mesmo tempo. Em outras palavras, se realmente existe uma gramática universal que permite tamanha diversidade linguística.



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Capítulo 6

SINTAXE


Do grego syntaxis (ordem, disposição), o termo sintaxe tradicionalmente remete à parte da Gramática dedicada à descrição do modo como as palavras são combinadas para compor sentenças, sendo essa descrição organizada sob a forma de regras.
As regras costumam ser obtidas da seguinte forma: (a) elenca-se um grande número de escritores consagrados, e (b) listam-se, sob a denominação de regras, as formas segundo as quais tais escritores combinam e organizam as palavras de seus textos em sentenças.
Algumas dessas regras são bem conhecidas. Por exemplo, para um grupo de sentenças como as de (1) a (3):

(1) Diadorim entregou o facão para Riobaldo.
(2) O Miguilim eu vi ontem.
(3) Na festa vieram o Manuelzão e o augusto Matraga.

A Gramática Tradicional dirá que (1) exemplifica a ordem direta, natural e predominante dos elementos da frase em português e nas outras línguas românicas – sujeito – verbo – complementos. Quanto à (2) e (3), constituem, nessa perspectiva, casos de ordem inversa, recurso de estilo que visa especialmente enfatizar um ou outro constituinte.   
A inversão é apresentada pela listagem das construções em que é comum ou possível. Reúne-se assim um conjunto de fatores heterogêneos, que inclui o tipo de oração (interrogativa, reduzida, exclamativa), certas categorias verbais (verbos intransitivos, verbos dicendi) e a própria natureza do elemento deslocado (sujeito oracional, adjunto adverbial, predicativo).




   A Sintaxe teórica é a base para aplicações e práticas que dependem de conceitos, princípios e leis, obtidos no contexto das relações interdisciplinares e intradisciplinares mencionados anteriormente. Assim, a Sintaxe mais adequada é a que melhor se adapta a tais relações e, com isso, abre seu escopo de possíveis aplicações. Dessa forma, para se ter uma visão clara das propriedades da teoria sintática que melhor se aplica a um determinado campo de estudo, deve-se fazer "uma rápida inspeção sobre questões metodológicas da teoria da linguagem em suas tendências expressivas mais recentes" (Campos, 2004:26).
Saussure (1916), Chomsky (1957/1995) e Montague (1974) constituem-se em três parâmetros diferenciados e necessários para se compreender a questão metodológica e teórica da ciência da linguagem.

         De acordo com Campos (2004), Saussure representa uma expressiva contribuição à definição metodológica e teórica da ciência da linguagem; assume a perspectiva de uma linguística enquanto ramo da Semiologia e da Psicologia Social e desenha um conceito de língua (langue) como sistema de signos socialmente determinado pela prática histórica dos indivíduos. Saussure    vê a linguagem como um instrumento estruturado a serviço da comunicação social. Chomsky    (1957), por outro lado, inaugura uma nova perspectiva metodológica para a linguística. "A teoria da linguagem se viu determinada pelo paradigma das ciências naturais, sob a inspiração de um empirismo mais abstrato e sofisticado, compatível com a matematização crescente em áreas como a Física, Química e Biologia" (Campos, 2004:27). A sintaxe é o componente privilegiado do estudo, uma vez que, para Chomsky, tudo o que pode ser descrito está nos limites da forma, portanto, sintaxe. Por fim, Montague (1974) rompe com a tradição de Linguística como enraizada na Psicologia e define linguagem como algo passível de ser investigado dentro de uma ciência formal, como a Lógica e a Matemática. Diferentemente de Chomsky, Montague estabelece a sintaxe e a semântica como componentes integrados em uma interface isomórfica, mas é a semântica que determina a direção do processo, impondo restrições sobre a sintaxe.

      A Sintaxe mais desenvolvida para o trabalho das interfaces é a Gerativa, modelo Chomskyano, que desenvolve uma teoria da linguagem (GU) estimulante em termos teóricos e origina importantes debates para todos os estudos da linguagem. Os objetivos da teoria são o de descrever a linguagem como uma propriedade da mente humana e de explicar sua fonte.

         Todos os seres humanos compartilham parte de seu conhecimento da linguagem; independentemente da língua que falem, a GU é sua herança comum.
      O conhecimento da linguagem se dá com variações em um pequeno número de propriedades. GU é uma teoria do conhecimento, não de comportamento; preocupa-se com a estrutura interna da mente humana. A natureza deste conhecimento é inseparável do problema de como ele é adquirido; uma proposta para o conhecimento da linguagem necessita de uma explicação de como ela surgiu. A teoria GU mantém que o falante conhece um conjunto de princípios que se aplicam a todas as línguas e de parâmetros que variam dentro de um escopo claramente definido de uma língua para outra. Adquirir uma língua significa aprender como esses princípios se aplicam a uma língua particular e que valor é apropriado para cada parâmetro.
A teoria gerativista vê a linguagem como uma dotação genética. O ser humano vem equipado com uma Gramática Universal (GU), que, segundo Raposo , deve ser entendida como “a soma dos princípios linguísticos geneticamente determinados, específicos à espécie humana e uniformes através da espécie”. A GU constitui “o estado inicial da faculdade da linguagem (So), e a gramática do indivíduo adulto constitui o seu estado final, firme ou estável.” A teoria distingue competência e desempenho. A competência é a gramática interiorizada do falante, enquanto o desempenho designa o uso concreto que o falante faz desse seu conhecimento internalizado.

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É no sintagma verbal que se estabelecem as relações entre verbo e os sintagmas nominais (SN) que completam seu sentido, ou seja, seus argumentos. Na teoria gerativa, diz-se que um verbo atribui papéis temáticos aos seus argumentos.
Além disso, o sintagma nominal que ocupava a posição de especificador do sintagma verbal também se desloca para a posição de especificador do sintagma flexional. Esse movimento se justifica na teoria pela adoção da ideia de que os sintagmas nominais, em todas as línguas naturais, manifestam uma propriedade comum: o caso estrutural, seja esse morfologicamente realizado ou não.
Parâmetro pro-drop
Afirma-se ter o parâmetro pro-drop relação direta tanto com a omissão de sujeitos foneticamente realizados quanto com a possibilidade de inversão sujeito-verbo, uma vez que se credita à fixação de valor positivo desse parâmetro uma série de propriedades linguísticas, entre as quais, mais especificamente, a característica de uma língua exibir sujeitos pessoais / referenciais e expletivos foneticamente nulos, respectivamente (33) e (34), e a de permitir a inversão livre do sujeito (35).
(33) pro    Vou ao cinema amanhã.
(34) pro Choveu muito ontem.
(35) Chegou à carta.   

Alongo dos textos procurou-se explicar os fatos sintáticos da língua – aqueles ligados ao modo como os elementos linguísticos se combinam, formando sentenças.
A teoria gerativista se ocupa fundamentalmente e observar os fenômenos, as manifestações linguísticas como indícios importantes acerca do funcionamento interno da Gramática, sendo que os dados concretos auxiliam e validam as análises e o entendimento acerca desse funcionamento, circunscrito e restringido pelos princípios da Gramática Universal. É nesse sentido que se defende que uma teoria linguística deva não só descrever adequadamente as línguas, mas explicar os fenômenos abordados.

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Capítulo 7
LINGUÍSTICA TEXTUAL
O termo “Linguística de Texto” foi empregado pela primeira vez por Harald Weinrich , autor alemão que postula toda a Linguística ser necessariamente Linguística de Texto.
O surgimento dos estudos sobre o texto faz parte de um amplo esforço teórico, com perspectivas e métodos diferenciados, de constituição de outro campo (em oposição ao campo construído pela Linguística Estrutural), que procura ir além dos limites da frase, que procura reintroduzir, em seu escopo teórico, o sujeito e a situação da comunicação, excluídos das pesquisas sobre a linguagem pelos postulados dessa mesma Linguística Estrutural – que compreendia a língua como sistema e como código, com função puramente informativa.
Nas primeiras propostas de elaboração de gramática textuais, nas palavras de Marcuschi (1998ª), tentou-se construir o texto como objeto da Linguística. Apesar da ampliação do objeto dos estudos da ciência da linguagem, ainda se acreditava ser possível mostrar que o texto possuía propriedades que diziam respeito ao próprio sistema abstrato da língua, dizendo de outra forma, que as primeiras gramáticas textuais representaram um projeto de reconstrução do texto como um sistema uniforme, estável e abstrato.
Como foi dito anteriormente, não é possível afirmar que houve uma ordem cronológica entre o primeiro momento (análise transfrástica) e as propostas de elaboração de gramática textuais. Pode-se afirmar, no entanto, que as propostas de elaboração de gramáticas textuais de diferentes autores, tais como Lang (1971, 1972), Dressler (1972, 1977), Dijk (1972, 1973) e Petöfi (1972, 1973, 1976), surgiram com a finalidade de refletir sobre fenômenos linguísticos inexplicáveis por meio de uma gramática do enunciado.      
É interessante ressaltar aqui que o projeto de elaboração de gramáticas textuais foi bastante influenciado, em sua gênese, pela perspectiva gerativista. Essa gramática seria semelhante à gramática de frases proposta por Chomsky, um sistema finito de regras, comum a todos os usuários da língua, que lhes permitira dizer, é ou não um texto bem formado. Este conjunto de regras internalizadas pelo falante constitui, então, a sua competência textual.
Para compreender o texto, no entanto, o leitor terá de mobilizar outra forma de organização do conhecimento na memória, a saber, os esquemas (como de conhecimentos ordenados numa progressão, de modo que se podem estabelecer hipóteses sobre o que será feito ou mencionado no universo textual). Ao entrar em contato com o texto, precisamos partilhar certo tipo de conhecimento sobre o funcionamento dos correios, funcionamento este que obedece a uma determinada ordem. Por exemplo, sabemos que caso uma correspondência deixe de ser entregue ao seu destinatário, seja por que motivo for, volta para os correios, para que seja devolvida ao seu remetente e, neste percurso de volta, deve ficar por um período na instituição. Outro exemplo: sabemos que a correspondência de uma pessoa é inviolável; por isso faz sentido o encadeamento construído pelo narrador para a sua história: o funcionário “tomou um susto que lhe abriu a boca” – provavelmente por ter sido descoberto em ato de violação da lei ou porque não esperava ser descoberto, etc.   
Podemos ainda estabelecer outras inferências, a partir do conteúdo da carta enviada à personagem. Podemos inferir, por exemplo, a partir de nosso conhecimento sobre determinados modos de agir altamente estereotipados em uma dada cultura, chamados scripts,    que o narrador é uma mulher, já que o enunciador da carta que ela recebe lhe diz que já volta e lhe pede que ela espere por ele. Podemos chegar a esta conclusão por sabermos que em nossa cultura, em geral, quem se ausenta é o homem, que parte em busca de emprego, em outra cidade. Esta inferência pode ser estabelecida a partir do verso “Eu volto logo, me espera”. Para reforçar nossa hipótese, ainda contamos com outra informação presente na carta: “Eu quero ver nosso filho”. A pessoa que escreve para o narrador não está com o filho; logo, inferimos que quem está com o filho é o destinatário da carta, ou seja, a mãe, considerando que normalmente é a mulher quem fica com os filhos quando o pai se ausenta.
Em nossas práticas cotidianas de linguagem, não percebemos o quanto os produtores utilizam-se dessa rede de relações entre os textos, ao elaborarem os seus próprios textos, e o quanto nós, leitores ou destinatários, não percebemos que, ao processarmos o que lemos ou ouvimos, muitas vezes nos utilizamos de nosso conhecimento sobre outros textos, para atribuir sentido global às diversas formas textuais com as quais estamos em contato. Vejamos os exemplos abaixo:
(7) Ligações Perigosas de Frankie (subtítulo: máfia, presidentes, mulheres e jornalistas). Título de uma matéria publicada no Caderno B do Jornal do Brasil, de 16/05/98, sobre Frank Sinatra.
(8) Algum poder ao povo. Título de uma matéria publicada no Caderno Internacional do Jornal do Brasil, de 16/05/98, sobre os conflitos na Indonésia.
(9) Entre beijos e tapas. Título de um texto de crítica de teatro, publicado no Caderno B do Jornal do Brasil, de 16/05/98.
(10) Dizem que a primeira copa a gente nunca esquece. Essa, então, fica na memória para sempre. É a última do século e tem que dar Brasil. Fala de Roberto Carlos, lateral da Seleção Brasileira convocado para a Copa de 1998, do correio Popular, jornal de Campinas, São Paulo, 15/08/98.
(11) Quem não fizer o PIC Carnaval é ruim da cabeça. Ou doente do pé. (Propaganda do Banco Itaú de um tipo de poupança que dá prêmios).
(12) De volta para o futuro. Título da matéria de capa do Caderno Ilustrativo da Folha de S. Paulo, de 02/01/99, sobre o escritor paulistano Jerônymo Monteiro, pai da ficção científica brasileira.
Os exemplos de (7) a (12) podem ser classificados como o tipo de intertextualidade que Sant’anna (1985) chama de intertextualidade de semelhança.
Dizemos que esses exemplos incorporam o intertexto, para seguir-lhe a orientação argumentativa. Em outras palavras, os textos dos exemplos de (7) a (12) reafirmam os intertextos retomados, reafirmam os seus conteúdos reposicionais e ainda orientam o leitor para concluir de forma semelhante àquela o texto-fonte. Sendo assim, podemos dizer que esses exemplos propõem uma adesão ao que é dito no texto original. É neste sentido que Maingueneau (1976) postula para esse tipo de fenômeno um valor de captação de um texto por outro. Numa pequena modalização no exemplo (8), pelo uso do pronome indefinido. “Algum, mas o enunciado tenta orientar o leitor para a mesma direção da argumentação “o povo é quem deve decidir, o povo é quem deve mandar.”   

Koch & Travaglia (1990) afirmam que o fenômeno da intertextualidade é muito comum entre as matérias jornalísticas de um mesmo dia ou de uma mesma semana, na música popular, em nossas apropriações de provérbios e dita populares, em textos literários, publicitários etc. Os autores afirmam ainda que as relações entre textos podem ser explícitas ou implícitas. Os exemplos de (7) a (12) são exemplos de intertextualidade implícita porque neles não se encontra a indicação da fonte. Nesse caso, o receptor, com já dissemos anteriormente, deverá ter os conhecimentos necessários para recuperá-la.

Assim, a área de Linguística Textual, no Brasil, conseguiu desenvolver teoricamente para propiciar análises sistemáticas de produções textuais sociocognitivamente contextualizadas. Além disso, o texto pretendeu oferecer uma breve revisão dos conceitos e categorias que foram sendo elaborados ao longo da história de construção deste campo.   

Conclusão

Procurou-se mostrar neste fichamento o trabalho das organizadoras; Fernanda Mussalim, Anna Christina Bentes e outros organizadores, de forma sucinta, os principais pontos abordados com que vem possibilitar ao leitor um entendimento maior, sobre o campo de estudo da linguística. Oferecendo ainda a possibilidade de enxergar o fenômeno linguístico como um fenômeno sociocultural, heterogênio e em constante processo de mudança. Vimos aqui à linguagem e a sociedade, a linguística histórica, sintaxe e linguística textual.





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Publicado no site: O Melhor da Web em 29/11/2012
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