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| 06/06/2010 14:43:53 :: ALBÉRICO SILVA DE CARVALHO | |
| Poema O poema que eu não escrevi Está escrito na nossa consciência, Instiga o eco aflitivo das senzalas e do pelourinho Fala do amor e dos carinhos que eu nunca conheci, Dos amores que eu não vivi e, dos prantos carpidos Fala de abandono, da sede, do frio dos desenganos Da fome, de solidão por se sentir e, estar só, Por não ter tido a oportunidade do peito materno. O poema que eu não escrevi É escrito todos os dias na rua, nas sinaleiras, São declamadas, nas ocasiões em que nos faltam as palavras, Fala de ressentimentos, dos temores que inibem o homem. Fala das dores que ficam impregnadas, marcadas na alma, Que são cinzeladas pela indiferença e descaso do ser humano! Fala das longas noites sem agasalho embaixo das marquises Fala da troca de sexo pelo pão que mata a fome que estertora. A poesia que eu não escrevi está grudada no peito Nos reconditos da alma à espera de dias felizes... É voz de criança a reprovar as rotas clandestinas do aborto Fala dos entes escorraçados à mercê da caridade alheia É prelúdio de amor que sublima a criatura. Cada verso que não escrevi é cicatriz ainda viva e doída Guardados na memória, chama acessa, creptar amargurado A poesia que eu não escrevi é um plágio da própria vida É canto de alerta pedindo passagem exorando socorro. Albérico Silva |
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| 06/06/2010 14:40:42 :: ALBÉRICO SILVA DE CARVALHO | |
| PÃO O que me lava a alma E me sacia a boca. É pão dividido por várias mãos. E comido por várias bocas, Pegadas seguindo mesmos rastros! Olhos nutridos por mesma hóstia Cálice solidário comendo do mesmo pão. O que me mitiga a sede, São argamassas moldando mesmo peso. São bocas bebendo no mesmo poço, Gados pastando no mesmo pasto Comendo a mesma ração. Almas aquinhoando mesma miragem. O que me sacia a boca, Não é o que enche o estômago São as mesmas fomes iguais Satirizando bocas diferentes, Sustento sonhos idênticos. Albérico Silva |
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| 05/06/2010 00:04:07 :: GORETTI ALBUQUERQUE | |
![]() O que fizeram com nossas matas Bela Floresta quem te devasta? Por que te calas, velha Cascata? Rouxinol triste parou seu canto As borboletas voam em pranto E o homem insano: Tirou seu manto. Abraçada a ti faço um juramento Junto ao teu coração chorar o seu lamento Vejo teus galhos copados como um monumento Por que te sugam te destroem assim dessa maneira? Choro pelo canarinho, o beija-flor e também por ti. Floresta escassa tão desfigurada sou o teu sentir. Minh!alma entristecida se enluta na dor Rios, afluentes, fontes e animais Sou o teu grito nas horas fatais Teu orvalhar expressa o teu clamor Vil animal o homem e suas façanhas Vai ter comigo e com minhas entranhas. Quando criança cobria-me as tranças Braços abertos a me guardar nas sombras Meus Piqueniques, eu sentava em teu chão A mesa posta os pássaros em canção Saudade e sonhos minha árvore querida Infância linda seiva de tua vida. Quando chegarem os falsos lenhadores Pranteia o orvalho demonstra tuas dores Não percas nunca o manto de tuas cores Luta e reage contra os opressores Confiam em mim e em teus defensores Amando iremos te render louvores. Goretti Albuquerue. |
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| 03/06/2010 18:51:35 :: ELMIRA NUNES | |
![]() RESISTÊNCIA Nos ventos de outono, o frio e o movimento evocam a vida. Frente a frente, o outro espelha meu eu. Eu falso, eu fraco. Resisto em mim, em tudo, em nada. O vazio insiste em preencher a vida. Fantasma esquecido, força traída, moinho de vento. |
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| 03/06/2010 08:46:02 :: Gazela | |
![]() TRISTEZA.............. É na saudade de mim que me procuro, nas colinas do tempo no silencio agora companheiro da minha imagem Entre prados verdes,de mil cheiros no canto dos pássaros no som da água que desliza da cascata. Na melodia da cigarra. Do ver-dor os dias alimenta, de melancolia como se nada mais a vida fosse! É na flor aberta,no pólen do pensamento que renasce uma lágrima de mim ausente! Um passado ainda recente no fervilhar, da ilusão procuro curar as chagas da mente juntar estilhaços duma vida crucificada pelo tempo. Mais forte que eu, aflui ao coração o fel do esquecimento, entre a vontade distante duma felicidade ausente em me reencontrar!! Gazela............ |
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| 03/06/2010 08:43:21 :: Gazela | |
![]() Meditação : Fénix Não era bem isso, não queria perguntar nem queria sentir, bloqueei a mente. Tento esconder os esqueletos no armário pensando que não passa de um sonho mau. Mas, de novo aquela voz longínqua teima em perturbar toda a vontade que outrora sentia para me ajudar. Na revolta da mentira fica uma verdade calada em cada sombra da madrugada. Em mim uma memória cintilante deixa antever um passado próximo em que morri para renascer. Gazela........ |
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| 03/06/2010 08:38:18 :: Gazela | |
![]() Tristeza : Meu corpo é um poema de morte Meu corpo é um poema de morte. Escrevo-me em palavras mal fadadas, noites de horas paradas. Versa-me na pele agonia sem fim, dor que deixaste em mim. Sou zombie neste mundo de cheiros nauseabundos, suor da morte para mim bálsamo de sorte. Gazela................ |
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| 03/06/2010 01:46:05 :: Cleviton | |
![]() Meu Deus Era verdade!... porque foi que eu não acreditei?... Meu Deus?... ai!... Porquê?... porque foi que eu não acreditei?... Vai ser corre corre terror...desespero... gente gritando... gente se matando... gente matando um aos outros... gente se ajoelhando... gente desmaiando... pressão alta... pressão baixa... gente implorando... se lastimando... correndo pelas ruas... feito loucos... as manchetes...os jornais... não falarão outras notícias... vai ser um caos aqui na terra... após o toque da trombeta!... aviões caindo em desastres... carros batendos nas estradas... explosões em muitas fábricas... muito fogo alastrando sobre a terra e sobre o mar... vai ser acidentes por segundos... por ter sido arrebatados os verdadeiros cristãos daqui da terra... e os que eram pilotos de aviões... os aviões ficaram desgovernados... operadores de máquinas... motoristas de carros... maquinistas...capitães... e assim sucessivamente... foram eles arrebatados... deixando tudo desgovernados... vai ser postes caindo... fios de altas eletricidades... causando atrocidades... pelas ruas das cidades... muitos prédios incendiando... muita gente morrendo queimadas... muita gente morrendo atropeladas... salve-se quem poder... e nesse salve-se... vai ser uns matando aos outros... muitos se suicidando... o negócio vai ser sério... e não dar para imaginar...no total... e nem escrever...do que na verdade vai acontecer...são muitas coisas... e fica então esse resumo... para se ter um pouco de idéia... que possamos estar preparados... e não fazer parte desse time... do time...dos que vão ficar... dos que vão chorar!... olhando para o céu... se lastimando e dizendo: -Era verdade...Meu Deus Era verdade!... porque foi que eu não acreditei?... Meu Deus?... ai!... Porquê?... porque foi que eu não acreditei?... |
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| 02/06/2010 11:40:42 :: LUCIENE LIMA PRADO | |
![]() SONETO DO ÚLTIMO LAMENTO Cai de mim uma lágrima silente, Pela esperada e derradeira vez; Descendo sobre minha palidez, Onde volta a cor displicentemente. Seja a alegria irmã do meu coração, Que no encanto do sol vespertino, Trace em aquarela meu novo destino, E faça igualmente do amor meu irmão. Foi-se para sempre a última lágrima, Vindo a felicidade como dádiva, Que agora experimento em minha face. Eu deixo que um novo sentir me abrace, Que a agonia tem morada transitória Onde o sorriso quer fazer história. (Luciene Lima Prado) |
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| 01/06/2010 14:26:57 :: GORETTI ALBUQUERQUE | |
![]() Bibia. A Huanista! (a tia Bibia) Feita a cor do jambo Tua pele é assim; Leveza de um tango, Ternura sem fim. Brejeira e formosa, Brilho do luar, Postura honrosa, Beleza do mar! Mulher e coragem, Uma puberdade em viagem; Deixando seu ninho trocando a plumagem, Mulher graciosa, minha homenagem. Tia Bibia, a humanista! Dona de um belo e raro ponto de vista, Na corda bamba da vida vive essa equilibrista, E aos poderosos instiga fera Ecologista. De Aningas para o mundo Do rio da Madrinha Rosa essa flor cheirosa, Com seus ideais ama e protesta de um jeito profundo, Ama a poeira do chão da estrada, a casa do alto, flor Amorosa! Despojada guardiã do simples, Com seus trejeitos nômades nos fascina, Mãos na argila modela e alinha, Beijos Tia Natura, Bibia rainha!!! Goretti Albuquerque gorettistar Publicado no Recanto das Letras em 31/05/2010 Código do texto: T2290575 |
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