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| 11/04/2010 22:20:41 :: Perolas de Cacau | |
![]() Tributo ao Sertão Que saudades do meu sertão Dos colibris beijando flores De serenatas cheias de paixão Do lindo crepúsculo nos açores Das noites do céu estrelado De ouvir histórias e suspirar Do cheiro do café e comer melado E do galo bater asas e cocoricar De tirar retrato, na cidade De saborear as tangerinas E se havia circo era novidade Além das cascatas cristalinas As matas e rios ficarão na lembrança Se não houver memória e preocupação |
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| 11/04/2010 17:02:39 :: GORETTI ALBUQUERQUE | |
![]() Raízes Perdidas Saudades do ranger Dos carros de bois ao amanhecer, Das andorinhas em revoadas, Do véu da noite, das madrugadas, Infância inocente, com jeito comovente. A luz da razão era a imaginação; Quando a luz surgia no manto da mata deixava o clarão, Poetas enamorados cantavam chorosos cheios de paixão; Ao raiar do dia a vaca mugia e o galo cantava, Despertando a alma com doce perfume a extasiar, Não havia alarde nem mesmo no retumbar de uma tempestade Lá no infinito gaivotas voando em seu gorjear, Os peixes nadavam livres nas correntes, Reproduziam-se sem que poluíssem as suas nascentes, As matas copadas lá a passarada cantava contente, O solo era farto, frutos excelentes com seus nutrientes. Hoje tudo mudou e só a lembrança ficou; Findou o silêncio do espaço entre o firmamento, Rastros destrutivos do progresso em tudo ficou; Poluição sonora fazendo apagar das mentes as nossas histórias, O tempo vai passando e memórias do ontem em nada somaram. Na busca por ganância o homem vai à ânsia, Destrói o seu recanto, a grana é seu encanto; Esquece de seu berço calmo dos belos instantes. Alguns conservam a alma e semeando a calma, Saboreando a arte retratam em si sua palma em raras ressalvas. Goretti Albuquerque |
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| 11/04/2010 16:14:19 :: GORETTI ALBUQUERQUE | |
![]() Destinos Opostos Quando no amanhã, Embaixo dos lençóis Um cheiro das maçãs, Cabelos em caracóis; Janelas entreabertas Roupas ali por perto Dirão do amor incerto. Haverá um só sentimento Com sabor dos nossos momentos; O sol dará passagem para a noite Tudo então revivido em fortes açoites; Estaremos em alfa e o tempo parou; Reações intensas dirão de nós dois. Esse amor divino alimentando o antes e o depois, E a lua com seus raios sorrindo Branca e vergonhosa virá surgindo. Marcas deixadas dirão de como aconteceu, Sentirão o ápice do nosso apogeu, Passarão anos e saberão sobre como e tudo aconteceu. E então sentiremos as dores dos desenganos, Porque o amor de outrora um dia foi embora, Deixando apenas a lembrança De um Amor criança. Goretti Albuquerque |
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| 11/04/2010 13:41:59 :: LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA | |
![]() Eu só quero ouvir isso. Não pretendo ouvir aquilo. Por que você insiste nisso E me causa tanto grilo? Você não pode senti-lo? Você não tem compromisso? Não pretendo ouvir aquilo... Eu só quero ouvir isso! |
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| 10/04/2010 17:51:32 :: GORETTI ALBUQUERQUE | |
![]() Face da Loucura Quando pressinto a inspiração Ponho-me sem presunção Rascunhando sem precisão, Solto a imaginação Meio a motivação Instigo a imaginação, E viajo sem direção. Ser pensante é preciso, Sou um ser bem compulsivo Dizer do ser é ser altivo Quer-se ser compreensivo, O ego do ser transforma-se em otimismo Então não deve o ser, ser passivo. Pensar, existir não é ilusionismo. É o encontro do improviso com o riso Nem sei se busco elos em paralelos, Assim como escrevo versos meio a reversos, Nem sempre os pés estão no chão, talvez, na imensidão; Pouco me importa se é a chave da porta que abre o portão. Salto por cima pelo beco estreito é meu direito, Sou uma curiosa ousada não quero ser um ser perfeito. Colorindo sem cor a face da loucura, Vou sorrateira postando minhas besteiras, Se de azul o Céu banha-me e brilha feito uma clareira, Tento compor em mim a parte de uma partitura; Enquanto sonho e fabrico esculturas, Meio aos delírios e as desventuras, Vôo bem alto eu sou a Criatura. Goretti Albuquerque |
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| 10/04/2010 14:11:51 :: GORETTI ALBUQUERQUE | |
![]() E o Final... É você quem faz. Meu viver, meu sorrir, meu cantar, É teu jeito perfeito tua forma de amar; Adrenalina escala e eleva-me no ar Nossas bocas queimando e querendo de novo beijar. São reflexos divinos do teu bem querer Ilumina e me ascende querendo dizer; Do amor e calor que é contigo viver Como um favo de mel te desejo sorver. Nem consigo conter o que estou a sentir, Trovoada, remanso, espelho a ti refletir No tremor do meu corpo no teu a pedir, Que esse amor inquieto não venha a partir. Em teu colo me embolo perdida de amor, Sinto forte teu peito pulsar com fervor; Tua língua deixando calor e sabor, Teu sussurro causando arrepio e tremor. E a cabeça pirou, pois a rima faltou... E você que faria se em versos a palavra falhou? E então perceber que as rimas com “UR” não achou? Eu? Nem ligo se agora com risos você debochou... Goretti Albuquerque |
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| 10/04/2010 13:27:15 :: GORETTI ALBUQUERQUE | |
![]() Senhora a ti deixo meu "Ave Maria!" Era a mãe leoa um anjo em pessoa, A esposa amante, fiel companheira, Alavanca, pilastra e a proa; Árvore frondosa, alegre e brejeira, Como a matriarca foi sempre o leme Provendo o sustento gestando os rebentos. No colo da noite em hino perene, Na fronte trazia luz incandescente, Não temia as travas rompia as amarras; Levantava sempre com ar de contente, Às vezes na marra retrucava a mente. Enquanto seus filhos à escola levava Corria ao mercado com ar de apressada. Retornava a casa já em correria, Um passo pro tanque dois passos pra pia, Mexia as panelas e às vezes cozia. Olhava o relógio secava o suor, Preparada a bóia levava ao marido, Arando a lavoura com rosto sofrido. Buscava sua prole cansada e sorrindo, Valente e altiva tarefas cumprindo, Essa heroína de força divina hoje tão calada, No leito é cuidada por todos amada. Cabeça branquinha com sua voz fraquinha, Cheirinho de anjo de pele macia, Senhora criança somos tuas crias; Teus filhos em prece dizem: Ave Maria!” Goretti Albuquerque |
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| 09/04/2010 22:19:37 :: LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA | |
![]() O que disse a estrela ao mar? Daqui não se fez ouvir, Mas a onda, ao se afastar, Parecia não voltar: Mais e mais queria ir... E o que lhe falou a lua? Ah, desta pude ouvir bem: Disse-lhe que estava nua E que era toda sua E que o via nu também! E o que o mar lhe respondeu? Que ela estava refletida Na fímbria do manto seu E, desde que anoiteceu, Foi por ele possuída... |
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| 07/04/2010 20:25:01 :: Thay | |
![]() Telefone mudo. Telefone mudo. A noite já vai alta Você não volta Não vem ninguém á porta O telefone não toca... Porque eu me importo Se você não se toca Que te toco no fundo do seu ser? E o telefone não toca... Talvez devesse te esquecer Para não mais sofrer Porque deste jeito Não posso mais viver, E o telefone não toca... E já estou a morrer Por este anseio de querer te ver Mas você não passa Por esta porta e O telefone não toca... Quero ouvir sua voz Sem mais algoz Para eu saber que você já vem E que logo estaremos juntos No labirinto profundo do meu viver! Mas... O telefone não toca...Não toca... E você não vem, bater em minha porta... E o telefone não toca. Fim Thay B.(Tarlene Brito) |
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| 06/04/2010 14:50:32 :: VERA MARTINS ITAJAÍ | |
![]() por Vera Martins Itajaí ...e, ela encontrou-se consigo mesma, no templo da alma. Foi assim que tudo começou, ela acordou e deu de cara com ela - ali - a olhando nos olhos - e com uma postura altiva, com um olhar firme e inquisidor - quase provocador...! Então ela assustada, voltou correndo para debaixo dos lençóis de algodão egípcio. Com seu coração batendo aceleradamente e sua respiração ofegantemente holotrópica, pensou, essa não! Continuou pensando..., preciso criar coragem e olhar para mim, preciso me ver, me re-conhecer...! Ela sabia que uma de suas encarnações havia ocorrido no ano de 1841. Mais ainda não conseguia entender; e pensando, como assim..., isso não é possível, uma xerox, uma duplicata minha...! Mas, mesmo morrendo de medo, a curiosidade falou mais alto; então ela descobriu o rosto escondido sob os lençóis, colocou os pés encima do tapete persa ao lado da cama e ergueu-se lentamente na altura da outra, que era ela mesma, e firmando o pensamento levantou a cabeça, e, então a olhou na profundidade dos olhos, e eram os seus próprios olhos...! Mas, como assim? será que existia uma duplicata dela solta por aí? E essa resolveu fazer-lhe uma visita? Assim..., sem nem lhe avisar? Pensou! Então ela disse - ela, essa outra, que estava ali em pé na frente dela, da outra, entendeu? não? tudo bem..., acho que ainda..., nem ela ( ). Disse-lhe a ela, essa outra, eu sou você, agora já me conheces, disse-lhe ela a outra, você precisava me reconhecer, ter um verdadeiro encontro comigo, ou melhor dizendo com você mesma. Você é ela, ela é você, e também é a outra dela mesma...! Pois bem, ela precisava verdadeiramente desse encontro consigo mesma. Mas, bem que podiam avisa-la, que esse encontro era metafísico! Ufa...! Que susto ela passou. Não tinha mais como fugir dela mesma...! Agora ela havia entendido - agora tinha a compreenção exata do que era um desdobramento do seu próprio ser, no astral superior - matéria e espírito - essa dualidade intrínsica nos recônditos da mulher nela oculta, nas profundezas do seu ser, e que agora podia ve-la e, reconhecer o quanto hà vida, no templo da alma. (direitos reservado - autora Vera Martins Itajaí - "série-contos metafísicos") Da autora - Livro - Senhora Secreta - poesia, contos & encontros desconexus. internet/foto - somente para ilustrar o conto. |
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