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Texto mais recente: Sombra e Luz

Textos & Poesias || Pensamentos

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Sombra e Luz
20/05/2014
Autor(a): Soleno Rodrigues de Oliveira

Sombra e Luz

Sombra e Luz
Autor : Soleno Rodrigues
Peça em um ato

   Dona Antônia, uma rica senhora, está gravemente doente. Tentando fugir de suas angústias, ela cria tramas, envolvendo pessoas do seu cotidiano e transformando-as em fantasmas de suas alucinações.

Personagens: 4 femininos
                                    4 masculinos
                                         
                                         
                                          Abre-se as cortinas
Cenário
Um apartamento luxuoso

                                          Cena 1

Aparece dona Antônia em uma cadeira de rodas. Ela fala em voz baixa:

-Como é difícil a vida assim; uma vida longa pode ser um privilégio , mas quase sempre vem acompanhada pelo tormento; pelo sofrimento .Será que vale a pena ter lutado contra a morte; sim, porque viver parece que não é outra coisa a não ser lutar contra o fim. ; adiar ao máximo possível essa data trágica; é como se fosse uma vitória , viver. Viver é uma vitória. Uma vitória que se conquista com alto custo. Viver é uma vitória. Viver é uma vitória?(Perguntando para si mesma)É    difícil responder essa pergunta,    principalmente quando se faz a si mesmo. E a solidão, os filhos, os netos, a neta, as noras .    Todos estão longe de mim.

                              Dona Antônia sente sede e pede para a empregada,    joana, dizendo que quer tomar água, e repete
- Eu quero tomar água; me dê água, me dê um copo dágua.
                                   
                                 Joana entra em cena trazendo um copo com água.

   Dona Antônia: Cadê o pessoal daqui, fugiram todos, foi? Estão escondidos de mim. É, a minha presença assusta eles. Eu é que deveria procurar me esconder deles.
Joana: Não ninguém fugiu Dona Antônia ,o pessoal saiu, seu Carlos saiu; e Rodrigo também    saiu.
Dona Antônia: Eles saem e me deixa sozinha aqui com você.
Joana: A senhora não ficou sozinha; eu sou gente , também.
Dona Antônia: É! É lamentável que seja!
Joana: A senhora não tá sozinha.
Dona Antônia: Eu tenho a sua companhia.(Com ironia)    A sua companhia não faz muita diferença. A solidão é melhor que esse tipo de companhia. Eu não tenho dúvidas disso.
Joana: Ah, não seja injusta; eu nunca fiz nenhum mal pra senhora.
Dona Antônia: sua presença me faz mal! Eu não posso passar sem a sua presença; reconheço ;mais essa tragédia.
Joana: Mal agradecida !    ( Pegando o copo vazio da mão de Dona Antônia)
Dona Antônia: Já não preciso mais de você, pode sair daqui!
Joana: Tá , tudo bem? Se precisar , é só chamar.
Dona Antônia: Pode ir. Pode ir (Falando mais alto)


            Dona Antônia está sozinha , na sala, e diz, em voz baixa:

_ Ah, o tempo, o que ele fez da minha vida , me transformou em um poço de sofrimento e revolta. A vida não devia ser assim; e não há remédio que cure a minha solidão nem a minha angústia; eu não posso fazer nada pra aliviar a minha dor; a minha vida está em fase terminal;    não vai passar, a minha dor; meu Deus! Será que teria sido melhor eu ter morrido jovem .Eu não consigo lidar com a degradação física.; é a pior de todas as degradações que adquirimos ao longo da vida . Como o tempo é forte ; É um guerreiro invencível numa batalha desigual. Eu deveria ter    morrido , jovem; é , eu não faço essa pergunta pra ninguém a não ser    a mim mesma. Mas teria sido melhor ter morrido jovem, a ter que suportar todos esses horrores. Eu sou uma folha seca carregada ,não pelo um vento fraco, mas    por uma    ventania diabólica. E os meus    inimigos se multiplicaram com o passar do tempo.

                                                        
                                             Joana ouve a voz de Dona Antônia e retorna à sala


Joana: A senhora pediu alguma coisa?
Dona Antônia: Não! Se eu pudesse pedir para não vê-la nunca mais, esse    seria meu pedido.
Joana: Ah, não seja injusta. Eu não fico aborrecida por que eu respeito a sua vida infeliz. Eu sei o quanto é ruim essa sua vida desgraçada .Eu acho que é uma questão de justiça, perdoá-la
Dona Antônia: E o que você entende por justiça? O que você entende por perdão?
Joana: Pode ser que eu entendo pouco sobre justiça ,e muito menos sobre , perdão, mas eu sei o que a senhora tá fazendo comigo é uma injustiça. Mesmo assim, eu teho que perdoá-la. Agora,eu não tenho culpa da sua infelicidade
Dona Antônia : Quer dizer    que você sabe fazer juízo de valor; sabe o que é    justo e o que não é justo.
Joana: Essas coisas todo mundo sabe.
Dona Antônia: Não me diga!(Com ironia)
Joana: Pessoas como a senhora acha que gente como eu não sabe de nada; só presta pra servir de empregada pra vocês; não é assim    não; a gente vive também, a gente tem noção das coisas. E o que posso sentir; o que eu pude perceber é que a senhora é uma pessoa muito infeliz. Eu acho que a senhora queria mesmo era ser Deus , como isso não é possível, a senhora tá muito infeliz.Ah, Dona Antonia, a senhora queria ser Deus. (Rindo)
Dona Antônia: Você tá muito ousada; olha que eu posso te mandar embora...
Joana: Faça isso e a senhora vai encontrar uma pior do que eu; dessas que espanca velhinhos.
Dona Antônia: Ah, como você é ousada.
Joana: A senhora não sabe o que está fazendo Dona Antônia; e é por isso que eu ainda aguento as suas caduquices.
Dona Antônia: Você não me respeita.
Joana:E eu tenho mais é o que fazer do que ficar aqui ouvindo suas caduquices .(Rindo e sai de cena)
                                                  

                                             Dona Antônia fica sozinha na sala e ela começa a falar baixinho:

- É,    a velhice; ela vem acompanhada dos flagelo humano; a solidão, a perda da consciência, a fragilidade física...é, a velhice é um massacre que a natureza nos impõe e que julga todos os viventes    que escaparam da violência da    morte prematura. E o que eu faço agora? Eu não suporto uma existência cheia de sofrimentos. Sofrimento físico , sofrimento emociona, sofrimento moral; meu espírito não tem mais alegria; como é difícil eu viver os meus finais de dias. Eu acho que eu não planejei o meu final, o final da minha vida; mas é muito doloroso planejar o próprio final. O ser humano não merecia essa história. A gente não merecia esse destino. Nós seres humanos, não merecíamos esse final. É    muita crueldade!

                                   
                                 Dona Antônia ouve o som da companhia. Joana vem atender a porta. Entram em cena, Roberta , nora; Priscila, neta.


Dona Antônia: Pensei quer tinham esquecido    de mim. Oras, faz um bom tempo que eu não vejo vocês. É natural que essas coisas aconteçam; esquecer os velhos e os doentes é um ato natural que recai sobre as maiorias das pessoas.
Roberta: Como esquecer da senhora, ninguém esquece uma sogra como a senhora .E eu não concordo com o que a senhora fala. Ninguém esquece uma sogra como a senhora.
Dona Antônia: Por que eu sou boa ou por que eu sou má?
Roberta: A senhora é boazinha; A senhora sabe que é boazinha.
Dona Antônia: Ah !Há muito tempo que eu perdi as ilusões; eu não me iludo; eu sei do que é possível fazer    e do que não é possível fazer. Eu não sou boazinha.
Roberta: A gente tá apressada para uma conversa mais longa; não dar pra eu convencê-la que a gente só quer o seu bem e que a gente lembra sempre da senhora. Em outro momento eu vou convencê-la. Quando eu tiver mais tempo livre. Eu não esqueço nunca da senhora.
Dona Antônia: Não seja fingida; ninguém lembra de mim.(Tentando ser simpática)
Priscila: Qué isso vovó? Eu lembro da senhora sempre. E sempre que posso eu venho    visitá-la
Dona Antônia: Não parece, passou tanto tempo sem eu poder vê-la, que as vezes até me esqueço que tenho uma neta tão bonita assim.(Recebendo um beijo de Priscila)
Roberta: Tá melhor, Dona Antônia ? A senhora tá bem, né? Bem disposta, rosto corado... tá bem mesmo.
Priscila: É vovó ,a senhora tá bem melhor.
Dona Antônio: Tô nada, minha filha; não tô bem não.
Priscila: Ah, vovó , a senhora tá com manha. A senhora sabe que gente gosta da senhora, e muito.
Dr. Antônio: Nada de manha; não é manha não; a minha realidade é terrível; eu não consigo suportar esse vazio ; é um final de vida cruel. E não desejo esse mal pra ninguém. . A velhice é uma sentença da natureza
Priscila: Ah, vó, deixa de ser dramática.
Dona Antônia: Dramática, não; sou realista; a minha vida , minha filha ,é um sofrer só, é só sofrimento.
Roberta: A vida é assim, Dona Antônia. A gente, no início é alegria, juventude , sonho ,perspectiva de felicidade, de momentos interessantes; mas o tempo passa e leva tudo; eu mesmo já estou me preparando para essa etapa da vida; eu não quero morrer jovem , não; e tô fazendo de um tudo pra ter uma velhice sem muitas doenças, sem muitos problemas de saúde. E outras coisas que vem com a velhice. Ah, como é difícil envelhecer. Apesar dos avanços médicos , científicos, a velhice ainda continua sendo a grande vilã da existência humana. Quem sabe se os animais reagem de forma diferentes de nós humanos. Porque para nós , a velhice é o maior castigo que a natureza nos impôs .
Dona Antônia: É difícil; é muito doloroso envelhecer, mas tem as compensações, a gente pode ser relegada a segundo plano, ou terceiro plano, ninguém dar importância as nossas opiniões .E sendo assim , a gente não comete tantos erros , como cometia no passado. Eu sei o que eu digo, falo pouco mas digo o que eu penso. (Tentando ser forte)
Roberta: Ótimo!
Dona Antônia: Eu só não posso fazer nada!(Irônica)
Roberta: O importante    é que estamos juntas , aqui.
Dona Antônia: Cadê os homens daqui? Marcelo, Carlos , Rodrigo, Paulo, cadê vocês.( Fingindo    não estar consciente) vocês não vem mais aqui ; parece que a minha presença causa repugnação.É a idade avançada que causa medo em vocês. A minha presença causa medo nas pessoas. É o medo de uma dia eles ficarem assim como to agora. não fujam da vida. Na vida não existem fugas . um dia vocês acabarão assim como eu.
Dona Antônia: Marcelo (Falando Alto)
Roberta: Tá na faculdade!
Dona Antônia: Faz tempo que não vejo Marcelo. E os outros ,Carlos, Rodrigo...
Roberta: Marcelo vai vim, visitá-la. Não sei se é hoje...Mas ele virá visitá-la. Fique tranquila.
Priscila: É vovó ,faz um tempão que o Marcelo não vem aqui, ver a senhora. Mas , eu vou falar pra ele; ele vai    vim, ver a senhora.
Dona Antônia: Mais um que esqueceu de mim!
Priscila: Vovó!
Dona Antônia: E não é mesmo. Todos vocês esqueceram    de mim; a velhice e a doenças assustam as pessoas ; e é até compreensível esse medo; todos esqueceram de mim; todos tem medo de mim.
Roberta: Não seja injusta, a gente tá sempre por aqui; e Marcelo vai vir sim , visitá-la
Dona Antônia: É assim mesmo. Tudo bem. E Carlos , meu filho?
Roberta: Carlos sempre está aqui; ontem ele esteve aqui; e a senhora lembra, não?
Priscila: Ela lembra sim; né vovó? Papai esteve ontem aqui; a senhora ,não lembra?
Dona Antônia: Lembro sim!
Roberta: Ó, a senhora tá bem, olhe aí, lembrou. É Carlos esteve aqui ontem.
Priscila: Vovó tá bem!
Dona Antônia: Eu , né? Tô bem .?
Priscila: Sim, a senhora tá bem, vovó.
Dona Antônia: Tô, tô bem.
Roberta: A gente tem que se acostumar com os desencontros da vida; a vida é assim mesmo; temos que ter paciência ,e enfrentar essa realidade.
Priscila: É, analisando bem, a vida é uma barra.
Dona Antônia: Quando a gente perde o equilíbrio da vida; é como se a gente estivesse no barco a deriva e em alto mar; é os perigos da vida.
Roberta: Temos que aceitar essa condição que a vida nos impõe; não podemos abandonar o barco, mesmo que ele esteja a deriva.
Priscila: É preciso compreender que somos seres frágeis, e que tudo passa.
Dona Antônia: Você ,minha neta ,falando da fragilidade da vida; e dando a sua opinião como se deve se comportar com a chegada da velhice. Você não tem autoridade pra isso;(Querendo ri) nem mesmo a sua mãe tem esse direito. Há uma distância muito grande entre você e a velhice, apesar do tempo passar tão rápido. Bom, isso    é o que eu acho.
Priscila: É , a juventude passa rápido, a vida passa rápido; eu sinto sim ,    essa fragilidade    acompanha todos nós. Somos companheiras de jornada. Eu sou hoje; não sou amanhã. Jovens , hoje; velhos no futuro.
Dona Antônia: Você falando desse jeito ,quando eu tinha a sua idade eu nem pensava nessas situações; eu queria era conquistar as coisas que eu achava que    poderia me fazer feliz.
Roberta: O tempo é outro Dona Antônia; os jovens de hoje não tem muitas ilusões. Eles sabem que a vida pesa. A vida passa rápido.
Dona Antônia: Parece que as pessoas hoje me dia não perde tempo com lamentos, Elas querem mesmo é    aproveitar o momento presente. Para eles a felicidade é o momento atual , quando esse momento é um    momento bom; e assim    eles acham que é um momento feliz; e assim é a felicidade
Roberta: Não há um    espaço grande para a dor. Quer dizer esse tipo de dor. A dor    romântica de antigamente, não tem vez nos dias atuais.
Dona Antônia: A dor faz parte da vida, e sem ela é bem pior. As pessoas perdem a sensibilidade. Imagina ser imune a dor .
Priscila: Chega de falar de dor, vó tá aí bem, vamos falar de coisas mais interessantes. Coisas boas.
Dona Antônia: É bom falar de coisas mais interessantes.(Com ironia)
Priscila: Coisas interessantes!
Dona Antônia: E    na há    vida    tem muitas coisas interessantes.
Priscila: E como tem.
Roberta: E é bom falar dessas coisas interessantes.
Dona Antônia: Na minha condição , eu não tenho opção; eu vou ouvindo os que vocês tem a dizer.
Roberta: E não é bom?
Dona Antônia: É muito bom!(Com ironia)Mas o melhor seria que falássemos ,conversássemos de igual pra igual; eu não queria um monólogo, onde eu invertida de    pura sabedoria dissesse pra    vocês o deveria fazer ou não fazer . Não é isso. Eu gostaria muito que as minhas opiniões fossem iguais as opiniões de vocês ; ou se seja, as minhas opiniões tivessem o mesmo peso que as opiniões de vocês.
Roberta: Ah, Dona Antônia. Há confronto de gerações...
Priscila: É    bom que se diga; cada pessoa tem a sua opinião sobe a vida. A maneira de pensar , a maneira de ver a vida. Eu escuto as suas opiniões, que são valores importantes também; algumas ideias suas são boas; eu não acho que são ultrapassadas não .Eu acho interessantes essas ideias.
Dona Antônia: O tempo pode mudar as ideias, os costumes, mas as pessoas continuam as mesmas,; todos nós    estamos sujeitos aos sofrimentos ; a condição miserável de todos nós, seres humanos...
Priscila: No físico é a mesma coisa, mas a cabeça pode ser diferente..
Roberta: Na cabeça pode ser diferente.
Dona Antônia: O tempo é implacável; ontem foi você ,Roberta; hoje , é Priscila. Que dizer que você já passou Roberta.
Roberta: Também não é assim minha sogra; eu ainda não tenho a sua idade.
Dona Antônia: Pode até não chegar a tê-la. Quem sabe se você não pensa em abreviá-la.(Com sarcasmo)
Roberta: Não seja maldosa! Deus me livre! Suas palavras são envenenadas.
Dona Antônia: Eu    tô apenas sendo realista. E fazendo conjectura.
Roberta: É, a realidade as vezes vem como um ofensa, uma agressão maldita .E quando vem da senhora , já se sabe o que significa.
Dona Antônia: Ainda bem que você reconhece.
. Roberta: A vida é assim! O ser humano não pode escapar das humilhações. Nascemos pra sermos humilhados
Dona Antônia: Poderia ser melhor! Por que a vida é assim? Eu acho que ninguém pode    responder essa pergunta. E é por isso que as humilhações fazem parte da condição humana. Não querem um cafezinho?
Roberta: A gente já tá de saída.(Desligada)
Dona Antônia: Mal chegaram já querem ir embora; a minha presença não agrada a vocês. É o que eu posso concluir.
Roberta: A gente tava apressada, a gente passou por aqui só pra ver a senhora. Eu disse desde que cheguei,    agente tava apressada.
Dona Antônia: Eu sei!
Roberta: foi sim; a gente tá muito apressada; depois , com mais tempo , a gente conversa mais; a gente conversa melhor.
Priscila: É vovó; a gente tá apressada, depois a gente conversa melhor.
Dona Antônia: não se prenda por minha culpa; eu falo o que eu acho que devo falar; mesmo sabendo que ninguém vai dar ouvidos as minhas palavras.
Roberto: Não se faça de rogada Dona Antônia , a senhora tem mais lucidez do que todos nós juntos
                    

                           Roberta e Priscila saem , Dona Antônia fica novamente sozinha, e fala, em voz baixa:

Velhice, velhice; velhice e a solidão; nada me acompanha nesses dias tristes; as companhias familiares são falsas e interesseiras. Eu não acredito mais nas coisas nobres que eu acreditava antes de envelhecer. Tudo parece ser superficial; os meus filhos ; os netos ; a neta, tudo parece ser falso; talvez    seja implicância minha; eles não merecem ser classificados dessa maneira, mas eu não consigo pensar de outro jeito; até com a empregada    há uma clima de conflito. Como é difícil pra mim levar adiante uma vida cheia de solidão e revolta.

                                 Dona Antônia sai de cena sozinha na cadeira de roda


                                                                              Cena 2
                                                            O mesmo cenário

                                             Dona Antônia está com o seu filho Paulo e o neto Rodrigo que moram ela

Dona Antônia: Hoje, eu , Roberta e Priscila conversamos .
Paulo: Que bom que vocês conversaram, vocês se entenderam...porque ultimamente é só    desavença nessa família...
Dona Antônia: ( Interrompendo) Conversamos muito; mas    não nos entendemos
Paulo: Por que ,mamãe? .
Dona Antônia: Elas são mesquinhas, egoístas...
Rodrigo: Que isso vó?
Paulo : Eu posso saber por que? Por que a senhora chegou a essa conclusão?( Um pouco surpreso)
Dona Antônia: Não nos entendemos! Foi isso que aconteceu!( Fingindo não demostrar interesse)
Paulo: Por que?
Dona Antônia:    A gente não se entendeu devido as atitudes dela em relação a divisão dos nossos bens.
Rodrigo: Peraí, vó; a senhora tá viva aí; com saúde.
Dona Antônia:    Não tente me iludir, Rodrigo.
Paulo: E o que foi que elas disseram?   
Dona Antônia: Elas me pediram dinheiro, joias... falou mal de vocês.(Advertindo-os)
Rodrigo: O que foi que elas disseram vó?
Dona Antônia: Disseram o diabo de vocês. Disseram que vocês eram oportunistas; que se aproveitavam de mim, disseram muita coisa ruim, que vocês fazem comigo. Eu não queria nem tocar nesse assunto.
Paulo: Mas isso é um absurdo!
Dona Antônia: É claro que é um absurdo, e vocês não façam nada. Se não vai ser pior; não comentem isso com elas.
Rodrigo: Mas isso não pode ficar assim. Isso não é verdade. Elas vieram aqui atrás de dinheiro, atrás de joias...e depois sai acusando a gente de ser oportunistas..
Dona Antônia: Foi o que aconteceu.
Paulo: É lamentável que isso tenha acontecido
Dona Antônia: Eu também acho. Eu também acho; é essas coisas de família... o interesse fala mais alto.
Paulo: Coisas de família.
Dona Antônia: É muito comum esse tipo de conflito em uma família de posse.
Paulo: Eu não quero esse conflito. Eu não o esfacelamento da    família.
Dona Antônia: Eu também não quero que a família se divida, e eu só    vejo uma maneira de vocês    ficarem fora desse conflito: renunciando tudo que lhe pertence. A herança    , renunciar a herança.
Rodrigo: Ah, vovó! ISSO É IMPOSSÍVEL!
Paulo: Isso não tem sentido.
Dona Antônia: Tá vendo como é difícil. Foi só falar; a reação é imediata.
Paulo: Eu quero ficar fora desse conflito, mas não posso abrir mão de um direito que é meu, é nosso.
Dona Antônia: Faço o que eu disse!
Paulo: Não pode ser assim.
Dona Antônia: É a única saída!
Paulo: Não para uma coisa; e não para outra.
Dona Antônia :E vamos ver no que vai dar!
Rodrigo: Vamos ver, né?
Dona Antônia: Vamos ver!
Paulo: Vamos ver!
Dona Antônia: A vida é um jogo de interesse quando se tem algo que vai ser repartido. Ninguém se entende nesse momento. Os íntimos se torna estranhos. E há confusão e briga. Todos querem mais do que o próximo; e há conflitos,; ninguém se entendem. É essa a condição de quem tem pertences materiais. Ninguém se interessa pelo que    eu possuo de melhor; se é que eu possuo; mas eu julgo que sim, as minhas lembranças mais valiosas    do que todo os bens que vocês tanto almejam
Paulo: Essa questão não pode ser resolvido de outra maneira? Somos pessoas civilizadas; e somos tão unidos, não?
Rodrigo: É verdade , não vamos nos destruir.
Dona Antônia: A vida    é uma briga constante por uma melhor sobrevivência, e    há um momento que essa luta se intensifica; e é preciso tomar a decisão mais oportuna; pode até não ser a escolha certa; é a mais adequada para o instante de um jogo bruto. A crueldade do sistema alia-se a natureza humana, e explode as emoções negativas; é o dinheiro; é o dinheiro que vale a pena. É pelo dinheiro que se briga , se morre    e se mata.
Paulo: Minha mãe ,a senhora me assusta, falando desse jeito; eu não estou entendo essa sua maneira de ver as coisas ; eu tenho certeza que se pode resolver essas situação sem descambar para a dramaticidade; sim por que ninguém vai matar ninguém.. A senhora estar sendo dramática...
Rodrigo: essas intrigas que a senhora falou, vó, não existe entre nós. Somos uma família, família; não vamos brigar por valores materiais.
Dona Antônia: Todos dizem a mesma coisa quando não existe interesse no ar; mas    quando a realidade acorda os dorminhocos sonhadores ,a ganância chega pra ficar. E aí ,é cada um por si.
Rodrigo: Não é assim, minha vó. A gente não ver as coisa desse jeito. Eu tenho certeza que as coisas não são como a senhora tá dizendo..
Paulo: Não pode ser assim    como a senhora tá colocando a coisas. Somos uma família; e vamos continuar sendo uma família, unida nos momentos alegres, nos momentos tristes; como também ficaremos unidas nos momentos maus.
Dona Antônia: É a realidade da vida ; essas coisas que só se aprende com o sofrimento ; as vezes é o sofrimento que o tempo, implacável, nos impõe.
Rodrigo: Eu não creio , e não aceito que as nossas vidas se despedacem assim.; Não é justo
Paulo: É, não podemos permitir que isso venha a acontecer.
Dona Antônia: A vida que vai se esvaindo pode provocar nas pessoas interessadas naquele final uma espécie de antagonismo-vida e morte- Há o desejo que logo a morte venha, enquanto eles brigam pelo que melhor representa a estrutura da vida: Os bens materiais
Rodrigo: O que a senhora tá falando, vó; eu não entendi nada.
Dona Antônia: Sobre a vida e a morte; aqueles que querem a morte de uns, com objetivo de engradecer a vida de outrem.
Paulo: Não é bem assim!
Rodrigo: Fiquei no mesmo.
Dona Antônia: É tão simples a vida.
Paulo: Eu entendi o que ela quer dizer: que estão desejando a sua morte, mas rápido possível , para se melhorar de vida.
Rodrigo: Quem?
Paulo: Nós!
Rodrigo: Ah, vó.
Dona Antônia: Eu já esperava por essa situação ;    eu reconheço que eu tenho culpa nisso que está acontecendo ;eu acredito que eu sou a única    culpada por essa tragédia; eu não eduquei vocês como deveria. Esse materialismo de vocês    tem a ver com o meu comportamento consumista, capitalista.
Paulo: Mamãe, sem crise ideológica, por favor.
Rodrigo: Não se sinta culpada, vó pelo erros dos outros; a senhora fez o que devia ter feito. Se tem dinheiro ,então vamos gastar. A senhora não podia mudar o mundo.
Paulo: Se a senhora errou ou acertou, não importa mais; O problema agora é nosso.

                                          Carlos e Rodrigo saem , Dona Antônia fica novamente sozinha , e fala ,em voz baixa:

-Eles estão se enfrentando. Já vejo um clima de conflito no ar ; é assim a humanidade, é só colocar os interesses deles em jogo, que ninguém se entende. Como é fácil provocar a guerra; é só mexer com o orgulho deles, ninguém suporta o orgulho ferido sem apresentar uma reação ; nem que seja o ódio camuflado. E os meus filhos Paulo e Carlos; minha nora Roberta; minha neta Priscila; minha única neta; meus netos Marcelo e Rodrigo. Meu Deus! Eu criei um clima de discórdia entre eles; Mas não posso voltar atrás; agora é só esperar o circo pegar fogo.

                                                         Dona Antônia continua falando em voz baixa:

- A vida não passa de uma jogada mesquinha, onde cada um quer ganhar mais do que o seu aliado ou o seu opositor. Eu vou aguardar o vai acontecer, mas não deve ser coisa boa não. Me parece que os dia atuais    estão mais tenebrosos do de foi antes. As pessoas, hoje, em sua maioria , só pensa nos bens materiais e no prazer fácil

                                                                                                   Cena 3
                                                                                                Cenário
                                             O apartamento de Carlos    , Roberta , Priscila    e Marcelo

Carlos: E difícil ver mamãe assim, tão mal ..
Roberta: Não diz coisa com coisa; perdeu a noção da realidade.
Carlos: É a idade; o tempo rouba tudo.
Priscila: Eu nunca imaginei que vovó iria ficar assim; ela era uma mulher tão dinâmica; gostava de arte, gostava de uma boa leitura; é estranho vê-la assim, praticamente despersonalizada.
Carlos: Eu também, não. Mamãe era uma pessoa tão atuante, lia muita; gostava de arte. Ficar assim despersonalizada
Roberta: Eu não acho ela despersonalizada não. Ela não aceita a condição que ela tá hoje: a velhice.
Priscila: É, envelhecer é uma barra.
Carlos: E que barra. É    terrível minha filha; se fosse eu pediria a    Deus pra vocês não envelhecerem; eu não me importo , não.Eu to preparado.
Marcelo: Tem que tá preparado pra enfrentar esse monstro: a velhice.
Priscila: Nós, os ocidentais não estamos preparados pra enfrentar a velhice; principalmente no país como o nosso: a velhice    vira piada .
Marcelo: O que é que neste país não vira piada?
Carlos: O país já é uma piada!
Roberta: A gente precisa descobrir o que Dona Antônia pretende , se essa demência é real ou se ela tá inventando ,até que ponto    é doença, se ela tá aproveitando a doença e fazendo um joguinho sórdido.
Carlos: Mamãe?
Priscila: Vovó seria capaz de fazer uma coisa dessa?
Roberta: Seria não , ela é capaz sim, de fazer uma uma sujeira das brabas.
Carlos: Mamãe?
Marcelo: E o que é que vai vir depois?
Roberta: Só o prazer de fazer o mal.
Carlos: Eu Não vejo as coisas por esses ângulo.
Roberta: Mas é isso mesmo.
Carlos: Sei não.
Marcelo: É, tô concordando com a senhora; concordo contigo, sim.
Priscila: E o que é que ela quer com isso?
Carlos: Sei lá.
Roberta: Só o tempo dirá.
Marcelo: Velhinha mauzinha.
Carlos: Olhe!
Marcelo: Perdão.


                                                   A companhia toca ,é Paulo e Rodrigo.


Carlos: Paulo, estávamos falando sobre mamãe,
Paulo: O que é que tem a mamãe?
Carlos: A doença dela.
Roberta: É , Dona Antônia tá doente; a doença dela é estranha, né?
Paulo: É. É estranha.
Roberta: Estranha é o mínimo.
Rodrigo: Eu também não vejo vovó tão mal assim; eu acho que ela não perdeu a lucidez ,não; não totalmente.
Paulo: Mamãe não perdeu a lucidez, e também não é má pessoa , não.
Carlos: Eu acho que ela tá mais lúcida do que todos nós juntos.
Paulo: É bem provável.
Roberta: Pode ser um pouco de doença, um pouco de revolta.
Paulo: Revolta?
Roberta: Revolta!
Priscila: Revolta!
Marcelo : Revolta!
Priscila: Será que ela está nos culpando por essa possível enfermidade.
Paulo: Nada; ela não tá culpando ninguém. Ela deve tá cansada.
Roberta: Deve ser cansaço.
Paulo: Eu já tô cansado ...
Carlos: Olha que sou mais velho do que você .
Paulo: É mesmo.
Roberta: É    , quando eu falei que era revolta esse comportamento de Dona Antônia ; eu    estava me referindo a sua idade avançada; a velhice; a velhice leva as pessoas ao desespero; transforma o ser humano, é a pior forma de morrer; embora para os que estão de fora parece romântico, uma morte suave: falência múltipla dos órgãos. Mas para a vítima não é nada agradável ver a vida indo embora lentamente, mesmo que seja sem dor; ou sem muitas dores;    a vida vai escapando pelo ralo do destino. Aí surge a pergunta, por que a vida é assim? A morte nunca é bem vinda, mesmo se convidada, ela ainda tem característica de intrusa.
Paulo: E mamãe tá passando por essa provação. Ela não ia suportar tudo isso sem esbolsar uma reação ,uma revolta. Se bem ,que para muitos a vida é que é motivo de revolta. Para muitos ,a vida é um motivo para uma grande revolta.
Carlos: Mamãe fala muito na morte,    quando ela deveria falar da vida; da vida que teve, e ainda tem , ao ado dos filhos, dos netos, das noras.
Paulo: Só falta Alice aqui; mas também , aí já seria demais.
Roberta: Não entendi o que vice quis dizer com isso; mas tudo bem.
Marcelo: É a família reunida.
Rodrigo: Discutindo o futuro da vovó. ( Com sarcasmo)
Roberta: Rodrigo!
Rodrigo: Escapuliu!
Paulo: As vezes a gente pensa que a vida é eterna, que a gente não vai sair daqui nunca, e não aproveita os momentos simples , mas que são tão importante para nos fazer feliz;    agente dar importância    s coisas matérias    e    esquece de ser    mais gente, de ser feliz.
Marcelo: Poxa tio, você falando desse jeito me emociona.(Jeito brincalhão)
Paulo: Mas é verdade ;a vida não é só aparência.
Priscila: Tá filosofando.
Roberta: Disso eu não tenho dúvidas.
Carlos: São essas situações que ensina ; que deve servi como lições de vida; mesmo que seja uma contradição; é o que estamos vivendo.
Roberta: É verdade.
Paulo: E que aprendamos a lição.
Priscila: Vamos aprender essa lição.
Marcelo: Toda lição vem com dificuldade; na faculdade também é assim, né?
Rodrigo: É mesmo.
                                                   Paulo e Rodrigo saem , termina a cena 3

                                          Cena 4
                                          Cenário
                                             O apartamento de Dona Antônia
                                       Dona Antônia está sozinha , fala em voz baixa:

-Eles devem estar se odiando, e a essa altura a intriga já esta instalada no meu seio familiar. Como são absurdos os conceitos que estabelecem as normas sociais. Tudo não passa de pura falsidade .Ah, com eu lamento, meus Deus, a existência humana. Eu posso vê-los em estado de conflito insuportável, um acusando o outro pela suas falhas; e assim eles vão seguindo pela vida ,infelizes. Eu não consigo entender a vida , ela não permite a nós lidarmos com as nossas fraquezas, sem atropelar a fraqueza alheia, e por ironia do destino,    atropelamos os mais próximos a nós. E é por isso que agindo dessa maneira; eu não posso suportar sozinha essa minha tragédia, ela precisa ser dividida com alguém, e daí ,com os meus parentes mais próximo, eu divido o meu infortúnio; não poderia ser diferente, eu    dividi-la com os meu inimigos. Os meus inimigos estão distante de mim. Eu estou aliviada pelo meu feito e pela emoções negativas que eles estão vivendo. Brigas, brigas, ah que horror, como se pode viver dessa maneira.

                                                   Dona Antônia chama Joana
Joana: Sim, Dona Antônia , em que eu posso servi-la ?
Dona Antônia: Traga um dágua.
Joana: Pois não.
Dona Antônia: Venha rápido, viu?
               Dona Antônia recomeça a falar, como tom de voz baixa, diz:

-Eu vou beber essa água ,saboreando ela como se fosse um brinde a minha conquista; eu consegui implantar a discórdia entre os meus desafeto, caracterizados como afetos. Como eu estou aliviada ; eu estou vivendo um sonho. Eu poso vê-los discutindo , brigando; todos eles estão condenados a uma vida de separação e dúvidas...
                                            
                                                Joana vem com o copo com água.      
Joana: A água , Dona Antônia!
Dona Antônia: Você tá muito educada , aumentaram o seu salário.
Joana: Não Dona Antônia. Não aumentaram o meu salário; eu sempre fui educada. E por que a senhora    acha que qualquer ação boa que se faz é por interesse, é pelo dinheiro?
Dona Antônia: E não é?   
Joana: Não!
Dona Antônia: Não?
Joana: Não!
Dona Antônia: E por isso que você me serve!
Joana: Eu não vejo nenhum mal nisso.
Dona Antônia: Reposta inteligente.
Joana: A senhora não tá tão caduca assim.
Dona Antônia: Olhe o respeito!
Joana: Recomeçou a caduquice.
Dona Antônia: Vá embora daqui, já.

                                          Joana sai e Dona Antônia volta a falar em voz baixa, diz:
-É , parece que estou do outro lada da história; entre o bem e o mal, eu optei pelo mal. Mas , ao mesmo tempo , eu não considero um mal; na minha condições , ainda que pratique o mal .eu devo ser perdoada, porque a minha dor é mais relevante do que as coisas errada que tenha praticado. Deus irá me perdoar. Eu vivo em um lugar bárbaro; um lugar que deveria ser excluído da história humana; e destruído e aniquilado, inviabilizado a todas as formas de vida.
                                      
                                 Dona Antônia sai de cena


                                                               Cena 5
                                                               O mesmo cenário
                        Todos estão reunidos no apartamento de Dona Antônia

Roberta: Dona Antônia está bem melhor.
Carlos: É, mamãe está bem melhor.
Roberta: Claro que ela está melhor
Priscila: Vovó tá melhor.
Dona Antônia: Será que estou mesmo ,melhor?
Priscila: Tá vovó, a    senhora tá bem melhor.
Paulo: É, a mamãe tá melhor.
Rodrigo: Vovó tá vendendo saúde.
Roberta: Quanto a nós , também estamos bem, todos reunidos aqui.
Paulo: É verdade! Estamos bem !(Com ironia)
Dona Antônia: É muito bom, ver todos reunidos.(Chorando)
Marcelo: A vovó está melhor!
Rodrigo: É, vovó está melhor.
Paulo: Nós queremos ver    a senhora forte. Essa é Dona Antônia; Mãe; sogra. Avó. Ela que por muitas vezes nós deu um puxão de orelha; nessas horas em que deve-se ser enérgica; e ela soube muito bem exercer essa autoridade de mãe , e eu fico eternamente agradecido por essas intervenções oportunas. Dona Antônia ,a senhora é exemplo inegável de tudo que eu já falei antes,. Ou seja , a mãe, a sogra , avó , enfim , a mulher    que nunca se deixou    abater –se diante das dificuldades da vida. E pra senhora, um feliz aniversário
                                       É o aniversário de Dona Antônia, e uma festa surpresa fora preparado para ela. Todos cantam:

-Parabéns pra você/Nesta data querida/Muita felicidade/Muito anos de vida/
                                          Todos cantam e cumprimentam Dona Antônia

                                                                                    (Fim)











              



                  :
























































































  


































Publicado no site: O Melhor da Web em 20/05/2014
Código do Texto: 118672

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