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"A poesia é um nexo entre dois mistérios: o do poeta e do leitor" D.Alonso, poeta espanhol
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Texto mais recente: Prefácio do livro "Público Cativo", de Fabbio Cortez

Textos & Poesias || Resenhas

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Prefácio do livro "Público Cativo", de Fabbio Cortez
04/05/2010
Autor(a): FABBIO CORTEZ

55002: Prefácio do livro "Público Cativo", de Fabbio Cortez Fabbio Cortez - FABBIO CORTEZ
Prefácio do livro "Público Cativo", de Fabbio Cortez

Cativar sem cativeiros

Por Leila Míccolis


Este é o primeiro livro de Fabbio Cortez. Eis o tipo de frase de alto risco para se começar uma apresentação, porque primeiros livros costumam ser associados a primeiros passos – dúbios e incertos. Não temo, porém, essa ousadia – começar com um jargão –, porque, no caso de Cortez, o que poderia ser uma justificativa disfarçada para possíveis deficiências estilísticas, torna-se elogio maior, já que na mestria com que lida com metáforas, e na fluência com que transita por elas, fica expostamente visível o quilate da obra.
O autor começa de onde muito poeta sequer imaginou aproximar-se. Sua poesia é um belo artesanato, que não enfeita apenas: questiona. Cativa, sem cativeiros. Prende a atenção do leitor, sem prendê-lo à rigidez de verdades absolutas e fórmulas fáceis. Abre um leque de possibilidades interpretativas, todas lúcidas e instigantes, desde a nomeação da divisão das partes: um (controverso) - mais de um (solidão perdida) - além do mais (ruas da vida/universos).
“Resgatei” (livrei do cativeiro do anonimato) as palavras entre parênteses, que estavam na versão original, com o intuito de assinalar a bela travessia do autor por sua própria obra: passo a passo ele vai do um – totalmente controverso (até aqui há controvérsias...) ou contra-verso (no sentido da direção contrária do convencional) – ao mais um (em que, dialeticamente, a perda da solidão corresponde a um “mais”, a um ganho afetual) – até chegar a percorrer as ruas do mundo, repletas de outros universos paralelos, para além do um e do mais de um; nesse caminhar, acompanhamos os sutis questionamentos da poiesis, ou seja, o agir da poesia, atuando em todos os tempos, espaços e lugares, fertilizando a essência do planeta.
Esteticamente, a poética de Cortez opta muitas vezes por neologismos, criações lingüísticas que, ao juntarem duas palavras criando uma terceira, inventam conotações exclusivas, originalíssimas, espécies insigts, através das quais a poesia desfamiliariza chavões e estereotipias cotidianas que dificultam/impedem o pensamento crítico. O efeito de estranhamento, que nos leva à reflexão, dá-se também pelo uso de instigantes metáforas, de substantivos tornados verbos e de impactantes figuras de linguagem. Através dessas técnicas, o poeta introduz sua ironia (tropo retórico) poética, joga com a língua – no sentido barthesiano –, rompendo com uma lírica que, em vez de conscientizar, agride, sufoca e fragmenta o indivíduo. Exemplo:

(...) a dor destoutro ser e era eu...

– Dest-outro: belíssima elisão-fusão, tão pouco usada, lembrando-nos desse outro desconhecido que ignoramos, mas que vive em nós. Quais os trágicos anseios desse duplo que não é formado de duas palavras ou de dois seres, mas de um único, chocado e chocando-se contra a multiplicidade de direções, contradições e contra-dicções? O poeta capta o ser debatendo-se. O debate do ser.
No entanto, Cortez usa esses recursos com parcimônia, nos momentos exatos; sabe que não precisa abusar deles para que se perceba a marca de sua poesia. Quem escreve um vou comprar um relógio novo, ou um ampulheto, um raro, uma cercania, um sou então teu copo d’água, um ardentes, uma máquina de ferrugem doce, um sashimi (in)sensível, um o ser e o ser de minhas carótidas teimosas, um pirilampos relâmpagos e tantos e tantos e tantos outros mais, mostra o quanto entende de pathos, das paixões do mundo. Lendo, como que voltamos a acreditar na profunda revolução que o sensório promove através da poesia – que, afinal, é a carne, o cerne e a essência de todas as linguagens.
Por maior que seja, qualquer espaço é mínimo para descrever a fortíssima impressão que essa obra me causou e continua me causando. Melhor então que eu pare por aqui e deixe você viajar através das janelas abertas em cada página, descortinando o véu que encobre a realidade das emoções e intenções humanas. No final da leitura, você vai descobrir – igual a mim – que diante desse primeiro livro já estamos diante de um excelente poeta.


Leila Míccolis é escritora de livros, cinema, teatro, TV e co-editora do portal Blocos Online de Literatura




Publicado no site: O Melhor da Web em 04/05/2010
Código do Texto: 55002
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