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MANOEL DE ALMEIDA
Aniversário: 12/12
Cadastrado desde: 23/06/2011 -

Texto mais recente: “GENTIL CASCA-GROSSA”



Perfil
Manoel Amador de Almeida, filho de Oliveira Amador
de Araújo e Ibrandina de Almeida Araújo; nasci numa
fazenda à beira do córrego Macaco no, então, município de Camapuã/MS, todavia, considero-me areadense, visto ser a cidade de Areado a mais próxima de local onde nasci.
Aos dez anos vim para Campo Grande, para estudar.
Lembro o quanto era tímido e caipira, tanto que, juntando com minha postura desengonçada (era muito magro, alto de orelha grande), isso me rendeu muitos apelidos pejorativos e me fez sentir na pele a discriminação e o preconceito.
Comecei a trabalhar aos treze anos (precisava ajudar
na despesa de casa, onde morava com quatro irmãs e três irmãos). Meu primeiro emprego foi numa banca de espetos e sobá na Feira Central (onde adquiri um pouco de malícia e esperteza); senti-me orgulhoso ao receber meu primeiro salário
semanal (fruto do meu suor ), o qual coloquei a
disposição da minha irmã mais velha, para ajudar na despesa da casa.
Meu currículo escolar, até a conclusão do Segundo Grau, não é dos melhores. Porque saía direto
do emprego para a escola, estava sempre cansado (tendo sido,por várias vezes, repreendido severamente pelos professores,
por estar dormindo em aula). Por outro lado, logo comecei a sentir atração pelos livros. Talvez, pela minha enorme dificuldade
de comunicação e pelos preconceitos que eu sofria por não saber usar a norma padrão da língua, foi me aumentando o desejo de aprender a “falar e escrever bem” e grande admiração por quem o sabia. Tornou-se um leitor regular (minhas primeiras
leituras foram livrinhos com histórias de faroeste e gibis). Com o tempo, diversifiquei minha leitura, sempre como autodidata na
escolha dos livros. Após doze anos que terminei o Segundo Grau, passei no vestibular para o curso de Letras, em 1994, na Uniderp.
Como estudante universitário, fui um dos mais aplicados da minha turma. Tanto que, a despeito da defasagem de conhecimento em algumas matérias, recebi de imediato, o apoio de todos meus professores, os quais me davam sempre
uma palavra de motivação. Para conseguir pagar uma universidade particular, trabalhava em dois serviços: era policial e nas horas de “folga”, era taxista. No entanto, um ano e meio, aproximadamente, antes de concluir o curso,
deixei os dois citados empregos, para iniciar minha carreira de professor.Aproveitei como poucos a biblioteca da Universidade, onde conheci os clássicos da literatura universal, dentre os quais chamaram-me a atenção (principalmente pela maneira criativa no desenvolvimento do enredo) O Paraíso Perdido de John Milton, e O Retrato de
Dorian Gray de Oscar Wilde. Também aí, leu os clássicos da literatura nacional, os quais, considero motivo de orgulho para o País. Dentre muitos, cito como um de meus favoritos O Triste
Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, este é o mais brasileiro dos romances”. Dentre os melhores poetas nacionais, cito Manuel Bandeira, Augusto dos Anjos, Cecília Meirelles e Vinícius de Moraes.
Um fato marcante em minha vida de acadêmico, foi que,a partir da metade do segundo ano de curso, comecei a sentir mal-estar orgânico (dor de cabeça, vômito, câimbras, taquicardia), os quais foram piorando cada vez mais, a ponto de, no último ano de curso, às vezes, ter de sair da aula.
Contudo, não parei de estudar, porque sabia que se parasse,não concluiria o curso. Mas, no dia de minha formatura, em 1998, fui internado no Hospital Universitário, em estado gravíssimo; meu problema era renal. Comecei a dialisar.
Na mesma Universidade, fez o curso de especialização em Língua Portuguesa e Literatura ,
concluído com excelente aproveitamento, cuja monografia recebeu nota máxima de minha professora orientadora e muitos elogios dos colegas e mestres. Porém, até o presente momento,
por não conseguir quitar os débitos junto à Universidade, não pude pegar o certificado nem usufruir dos direitos que uma especialização confere ao profissional (inclusive o de aposentar-me como especialista). Mas isso não importa. Mais importante, foi o conhecimento adquirido no curso, que melhorou muito a qualidade de minhas aulas.Sempre fui uma pessoa reservada (um tanto casmurro), porém após quebrar a difícil barreira da aproximação, torno-me muito querido por quem me conhece.
Considero o sentimento de amizade sagrado, e, na minha maneira exagerada de expressar meus sentimentos, costumo dizer:
quando se é amigo, se preciso, morre-se pelo amigo. Desde criança tive um senso de religiosidade muito forte; porém,não entendo religião como instituição sectarista, como fundamentalismo, como agremiação para encontros de lazer
e desfile de modas, muito menos, como fonte de arrecadação pecuniária.
Hoje, aposentado, como professor de português, pela
rede estadual de ensino; faço hemodiálise três vezes por semana,
contudo,estou desfrutando de boa saúde física. O hábito da leitura continua sendo uma prazerosa necessidade para mim; porém, tenho dedicado mais tempo a escrever, e o faço por gosto.



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