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A Essência e os Atributos de Deus
17/05/2017
Autor(a): Silvio Dutra

A Essência e os Atributos de Deus


Título original: The Essence of God

Extraído de: The Christians Reasonable Service

Por Wilhelmus à Brakel (1635-1711)

Traduzido, Adaptado e
Editado por Silvio Dutra

Ao considerar a doutrina de Deus, discutiremos Seus Nomes, Sua essência, Seus atributos e Sua Pessoa divina. Além disso, também consideraremos as obras de Deus: Suas obras intrínsecas e extrínsecas, bem como Suas obras no reino da natureza e no reino da graça.

Os Nomes de Deus
Para falar de Deus aos outros, é necessário ter uma palavra para indicar de quem estamos falando. Embora seja claro que tal descrição não é necessária para distinguir Deus de outros deuses, pois há apenas um Deus. Como era suficiente para o primeiro humano ter apenas um nome, "homem", pois não havia outro no princípio. Como ele, o Salvador não tinha necessidade de outro nome senão "Jesus", isto é, Salvador, não havendo senão um tal Salvador, também Deus não precisa de outro nome senão "Deus".



O Nome JEOVÁ
Embora um nome não possa possivelmente expressar o Ser infinito, tem agradado ao Senhor dar-se um nome pelo qual Ele deseja ser chamado - um nome que indicaria Sua essência, a maneira de Sua existência e a pluralidade de Pessoas divinas. O nome que é indicativo de Sua essência é Jeová, sendo abreviado como Jah. O nome que é indicativo da trindade das Pessoas é Elohim. Muitas vezes há uma combinação destas duas palavras resultando em Jeová. As consoantes desta palavra em hebraico (YWHW) constituem o nome Jeová, enquanto as vogais produzem o nome Elohim. Muito frequentemente estes dois nomes são colocados lado a lado da seguinte maneira: Jeová Elohim, para revelar que Deus é um em essência e três em Suas Pessoas.
Os judeus não pronunciam o nome de Jeová. Essa prática de não usar o nome de Jeová inicialmente foi talvez uma expressão de reverência, mas depois se tornou supersticiosa por natureza. Em seu lugar eles usam o nome Adonai, um nome pelo qual o Senhor é frequentemente chamado em Sua Palavra. Seu significado é "Senhor". Quando esta palavra é usada em referência aos homens, ela é escrita com a letra hebraica patah, que é a vogal curta "a". Quando é usada em referência ao Senhor, entretanto, a letra kamets é usada, que é a vogal longa "a". Como resultado, todas as vogais do nome Jeová estão presentes. Para conseguir isso, a vogal "e" é transformada em chatef-patah, que é a vogal "a" mais curta, conhecida como aleph da letra gutural. Nossos tradutores, para expressar o nome Jeová, usam o nome Senhor, que é semelhante à palavra grega kurios, sendo esta última uma tradução de Adonai e não de Jeová. Em Apo 1: 4 e 16: 5, o apóstolo João traduz o nome Jeová da seguinte maneira: "Aquele que é, e que era, e que há de vir". Esta palavra se refere principalmente ao ser ou à essência, com conotação de passado, presente e futuro. Deste modo, esse nome se refere a um ser eterno, e, portanto, a tradução do nome Jeová na Bíblia francesa é "Eternel", isto é, o Eterno.
O nome Jeová não pode ser encontrado no Novo Testamento, o que certamente teria sido o caso se tivesse sido um pré-requisito para preservar o nome de Jeová em todas as línguas. Manter que esse nome não pode ser pronunciado em grego confirma nossa visão, em vez de torná-la ineficaz. Mesmo que a transliteração de palavras hebraicas entrasse em conflito com a elegância comum da língua grega, no entanto não é impossível. Como eles podem pronunciar os nomes de Jesus, Hosana, Levi, Abraão e Aleluia, eles são obviamente capazes de pronunciar o nome de Jeová. Não estou sugerindo que o nome de Jeová não possa ser usado, mas que não se pode fazer de seu uso um pré-requisito, como se seu uso fosse indicativo de um nível mais elevado de espiritualidade e de sabedoria superior. É carnal usar este Nome para chamar a atenção para o próprio eu, e assim exibir os sentimentos teológicos de cada um. Jeová não é um nome comum, como "anjo" ou "homem" - nomes que podem ser atribuídos a muitos em virtude de serem de status igual. Pelo contrário, é um nome próprio que pertence exclusivamente a Deus e, portanto, a ninguém mais, como é o caso do nome de toda criatura, cada uma com seu próprio nome.
Pergunta: A Escritura atribui o nome de Jeová a uma criatura, ou esse nome é exclusivamente de Deus?
Resposta: Os socinianos, para evitarem admitir que o Senhor Jesus é verdadeiramente Deus, sustentam que os outros também são chamados por este nome. Nós negamos isso, porém; afirmamos que esse nome pertence exclusivamente a Deus. Portanto, ninguém além de Deus pode ser chamado com este nome. Isto se torna evidente a partir do seguinte: Em primeiro lugar, é evidente quando se examina a composição da palavra. Linguistas sustentam que este nome tem todas as características de um nome próprio. Portanto, nunca tem nada em comum com nomes comuns. Visto que Deus é chamado por este nome, é, portanto, necessariamente o nome próprio de Deus.
Em segundo lugar, este nome também não pode ser aplicável a ninguém, exceto ao Senhor Deus, porque ele tem referência a um Ser eterno que é perpetuamente imutável e é a origem de todos os seres.
Em terceiro lugar, o Senhor se apropria desse nome como pertencente exclusivamente a Ele. "Eu sou Jeová; que é o meu nome; e a minha glória não darei a outro "(Is 42: 8); "Jeová é homem de guerra, Jeová o seu nome" (Êxodo 15: 3); "... e eles me dirão: Qual é o Seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE EU SOU ... EU SOU enviou-me a vós" (Êxodo 3: 13-14).
Estas palavras expressam o significado de Jeová, visto que Jeová é um derivado da expressão verbal "Eu sou". "Mas por Meu nome JEOVÁ não era eu conhecido deles" (Êxodo 6: 3). Isto não significa que o Senhor não era conhecido pelo nome de Jeová antes deste tempo, pois até Eva já o havia chamado com este nome: "Alcancei de Jeová um varão" (Gênesis 4: 1).
No entanto, o Senhor não os fez experimentar o significado deste nome - que Ele permanece o mesmo e é imutável em relação a Suas promessas. Eles agora observariam isto como Ele os levaria do Egito e os traria para Canaã.
Objeção 1. Anjos criados também são chamados por esse nome. " E ela chamou, o nome de Jeová, que com ela falava " (Gênesis 16:13). Aquele que falou com Agar era um anjo, porque ele é anteriormente referido como tal.
Resposta: (1) É crível que Agar estava ciente do fato de que um profeta ou um anjo lhe haviam sido enviados por Deus, e assim considerou estas palavras como tendo sido ditas pelo próprio Deus. Por razões semelhantes, os pastores de Belém também declararam: "Vejamos agora esta coisa que já aconteceu, a qual o Senhor nos deu a conhecer" (Lucas 2:15). Assim Agar não era de opinião que o nome do anjo era "Tu Deus me vê" (El-Rói), mas o atribuiu ao Senhor que por meio deste servo falou com ela.
(2) No entanto, foi sem dúvida o próprio Filho de Deus que, antes de sua encarnação, apareceu frequentemente em forma humana e que, em referência a Seu ofício mediador, é chamado de "Anjo do Senhor" e o "Anjo da aliança". Ele declara em Gênesis 16:10: "Multiplicarei muito a tua descendência". Isto obviamente não pode ser realizado por um anjo criado, mas somente por Deus. Assim Agar se referiu a Jeová que lhe falou como "Tu me vês", se ela percebeu que este era o próprio Jeová ou se ela o identificou como tal por meio do mensageiro que falou com ela.
Objeção 2. Em Gênesis 18, está registrado que um anjo veio a Abraão, que no entanto se refere a Jeová em várias ocasiões.
Resposta: Foi o Anjo incriado, o Filho de Deus mesmo.
(1) Ele é expressamente distinguido dos outros dois anjos que não são chamados pelo nome de Jeová. Isso é verdade somente para Ele.
(2) O Anjo, sendo Jeová, sabia do riso de Sara em sua tenda (versículo 13). Ele profetizou o nascimento de Isaque, que de uma perspectiva natural era impossível (versículo 10). Ele sabia que Abraão mandaria que seus filhos e sua família guardassem o caminho do Senhor (versículo 19). Todos esses incidentes podem ser atribuídos somente a Deus.
(3) Abraão reconheceu que Ele era o Juiz de toda a terra (versículo 25) enquanto adorava e suplicava diante dEle com extrema humildade (versículo 27).
Objeção 3. Moisés chamou o altar que edificou, de Jeová. "E Moisés edificou um altar, e chamou o nome de Jeová." (Êxodo 17:15).
Resposta: Tal opinião é expressamente contrária ao texto. Não se afirma que ele chamou o altar de Jeová, pois de outra forma ele teria terminado sua declaração naquele momento. Em vez disso, ele declara: "Jeová é a minha bandeira".
Impossível como é que ele chamou o altar de "bandeira", tão impossível é que ele chamou de Jeová. Era um símbolo verbal que ele atribuiu ao altar - semelhante à maneira como os provérbios são colocados sobre portas e portões. Por isso ele queria indicar que o Senhor, o Deus da aliança, era sua ajuda, de que o altar, um tipo do Senhor Jesus, era uma evidência tangível.
Objeção 4. A igreja é chamada pelo nome de Jeová. "... e o nome da cidade (isto é, Jerusalém) daquele dia será" Jeová Shamma, "Jeová está lá" (Ezequiel 48:35).
Resposta: É uma expressão que é usada em referência à igreja e em vista disto é afirmado sobre ela, "Jeová está lá." Deus habita nela com Sua proteção e bênção.





O Nome ELOHIM
O nome que se refere ao modo de existência de Deus ou à sua personalidade divina é Elohim, que equivale à palavra grega Theos, e a palavra portuguesa Deus. É raramente encontrado em sua forma singular Eloah, e nunca em um sentido dual. Encontra-se geralmente na sua forma plural, isto é, referindo-se a dois ou mais.
Esta palavra é geralmente usada em conjunto com um verbo singular, como é verdade em Gênesis 1: 1, "No princípio Elohim criou," este ser é em referência a um Deus existente em três pessoas (1 João 5: 7). Um verbo, um adjetivo ou um substantivo, no entanto, são frequentemente colocados em aposição à palavra Elohim quando usada em sua forma plural, à qual é adicionado um affixum pluralis numeri. Isso se torna evidente nas seguintes passagens: E Elohim, isto é, Deus disse: "Façamos o homem" (Gên 1:26); “Quando Elohim me fez vagar." (Gên 20:13); elohim (Kedoshim), "é um Deus santo" (Josué 24:19); “Lembra-te também do teu Criador" (Ec 12: 1); "teu Criador é teu marido." (Isaías 54: 5); "Eu sou o Senhor" (Eloheka), "teu Deus" (Êx 20: 2).
Elohim não é um nome comum ao qual os outros têm reivindicação igual, mas é um nome próprio exclusivamente pertencente a Deus. Não há senão o Senhor que, como Elohim, existe em três Pessoas. Em um sentido metafórico, no entanto, também é usado em referência a outros. Os ídolos são chamados pelo nome elohim devido à veneração e serviço que os adoradores de ídolos lhes proporcionam. Os anjos são chamados por este nome, pois refletem a glória e o poder de Deus. Os governantes são chamados por esse nome devido ao território que lhes foi atribuído, sobre o qual eles governam e refletem a suprema majestade de Deus.
Muitos outros nomes, descritivos e expressivos das perfeições de Deus, são atribuídos a Ele nas Escrituras, como o Todo-Poderoso, o Altíssimo, o Santo, etc.








A Essência de Deus
Dos nomes de Deus, passamos agora à essência de Deus - Sua existência como Deus. Mas, o que direi a respeito disto? Jacó uma vez perguntou ao Senhor Seu nome, isto é, para dar expressão à Sua essência, pois na história primitiva era costumeiro atribuir nomes para expressar a essência de uma matéria. Ele recebeu a seguinte resposta, entretanto: "Por que é que tu pedes Meu nome?" (Gênesis 32:29). Deus não queria que ele penetrasse mais profundamente nos mistérios de Deus. Ao responder a Manoá, o Senhor disse: "Por que pedes assim o meu nome, visto que é secreto?" (Jz 13:18). Em Isaías 9: 6 lemos: "Seu nome é maravilhoso". Vocês, que fingem ter algum conhecimento de Deus, me digam: "Qual é o Seu nome e qual é o nome de Seu Filho se puderem dizer?" (Prov 30: 4). Tudo o que posso dizer é que a essência de Deus é Sua eterna existência. Quando Moisés perguntou o que devia dizer aos filhos de Israel, se lhe perguntassem quem o havia enviado, o Senhor respondeu: (Ehjeh Ascher Ehjeh): EU SOU O QUE EU SOU . E acrescentou: "Assim dirás aos filhos de Israel: יהוה (הוהי), EU SOU me enviou a vós" (Êxodo 3:14). Jó disse a respeito do Senhor no capítulo 12:16, "Com Ele há força e sabedoria" - (Toeschia) ou essência. Este é um derivado de    (jashah), que por sua vez é derivado de (jeesch), e é expressivo de firmeza e continuidade.
No Novo Testamento isso é expresso por meio das palavras (theiotés) e (theotés), ambas traduzidas como "divindade" em Rm 1:20 e Col 2: 9. Além disso, há (phusis), que é traduzido como "natureza" em Gálatas 4: 8, e (morphé) que é traduzido como "forma" em Filipenses 2: 6.
Quem quiser saber mais sobre a essência de Deus deve juntar-se a mim na adoração enquanto fechamos os olhos diante desta luz inacessível. É revelado em certa medida à alma; contudo, só podemos perceber as extremidades das orlas de Seu Ser ao refletir sobre os atributos divinos. Neste ponto, vamos divagar da maneira costumeira em que tratamos o nosso assunto. Não lidaremos minuciosamente com as objeções, para que não se dê a alguém a oportunidade de manter pensamentos sobre Deus que são impróprios, e assim imitar a este respeito tanto o Sociniano como os pagãos e seus seguidores. Contudo, trataremos e responderemos às objeções de maneira muito discreta, apresentando a verdade de maneira expositiva e afirmativa.




Os Atributos Incomunicáveis de Deus
Nosso dom da linguagem pertence ao reino do físico. Nossas palavras e expressões são derivadas de objetos terrestres. É, portanto, uma realidade maravilhosa, bem como uma manifestação da bondade divina que o homem, ao usar sons que são expressivos daquilo que é tangível, seja capaz de dar uma explicação sobre assuntos divinos e espirituais por meio do veículo da linguagem. Nossa mente, sendo finita e com capacidade limitada, deve funcionar no reino dos conceitos e das ideias antes que a compreensão possa ocorrer. É bondade de Deus que Ele se ajuste à nossa capacidade limitada de compreender. Uma vez que um conceito harmonioso de Deus - que inclui tudo o que poderia ser dito e pensado sobre Ele - está além da nossa compreensão, agrada a Deus dar a se conhecer ao homem por meio de vários conceitos e ideias. Esses conceitos descrevem e designam a partir de uma perspectiva humana os atributos essenciais de Deus.
Esta designação pertence aos vários objetos para os quais Deus engaja-Se e as ações que Ele realiza. No entanto, entendemos que esses atributos são um ponto de vista de Deus, de tal modo que eles não podem se divorciar do Ser divino, nem essencial e propriamente uns dos outros, como existem em Deus. No entanto, relacionamos esses atributos como entidades distintas por si mesmos. A justiça e a misericórdia são uma só coisa em Deus, mas diferenciamo-las em relação aos objetos para os quais se manifestam, e os efeitos dessas manifestações. Nosso Deus é inimitável e incompreensível em Sua perfeição e, portanto, é simples e indivisível. Em Deus não pode haver diferenciação entre várias coisas, pois tudo o que seria essencialmente distinto de Deus o tornaria imperfeito. Nossa compreensão limitada deve lidar com cada assunto individualmente, e assim atribuímos nomes distintos a cada atributo. Tudo o que somos capazes de compreender a respeito de Deus é de acordo com a verdade e é consistente com o Seu Ser, mas o nosso entendimento finito não pode penetrar na sua perfeição e infinidade.
Os atributos ou perfeições de Deus são geralmente distinguidos como sendo comunicáveis e incomunicáveis. Todos os atributos de Deus, sendo Seu Ser simples e essencial, são igualmente incomunicáveis no que diz respeito à sua natureza. Esta distinção é feita apenas para fins de comparação. Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança e renova o caído e elege pecadores de acordo com essa imagem, tornando-os novos participantes da natureza divina. Isso não implica que tal pecador se torna divino e é participante do próprio ser e atributos de Deus. De uma perspectiva divina, Deus é incomunicável e o homem finito, e de sua perspectiva, não pode compreender o Ser de Deus, sendo a Divindade infinita, simples e, portanto, indivisível. Portanto, se o homem, em certa medida, fosse participante do próprio Ser divino ou de um dos atributos divinos, seria, por conseguinte, um participante de toda a Divindade, e assim o homem seria Deus.
No entanto, quando falamos da imagem e semelhança de Deus no homem, estamos apenas nos referindo a uma reflexão de alguns dos atributos de Deus, que são infinitos, indivisíveis e incomunicáveis no próprio Deus. Há alguma medida de congruência entre esses atributos e a imagem de Deus no homem; contudo, não como se houvesse igualdade completa, mas apenas por meio de uma semelhança fraca.
No entanto, alguns atributos são tais que nem mesmo a menor reflexão deles pode ser observada em uma criatura moral. Isto sendo verdade, eles são denominados atributos incomunicáveis. Alguns dos atributos de Deus dos quais há uma reflexão e uma leve semelhança no homem são, portanto, denominados atributos comunicáveis. Os atributos incomunicáveis incluem os seguintes: perfeição ou suficiência total, eternidade, infinitude ou onipresença, simplicidade e imutabilidade. Os atributos comunicáveis são os atributos que se relacionam com o intelecto, a vontade e o poder. Vamos discutir cada um destes individualmente a fim de demonstrar de que maneira é o nosso Deus, a quem servimos.

A Perfeição de Deus
A perfeição da criatura consiste na posse de uma medida de bondade que Deus deu e prescreveu a todas as Suas criaturas. Todas as criaturas, qualquer que seja o grau de sua perfeição, devem depender de uma fonte externa para seu ser e seu bem-estar. A perfeição de Deus, entretanto, exclui tal possibilidade, pois Ele não precisa de nada. Ninguém pode acrescentar ou subtrair nada do Seu ser, nem pode alguém aumentar ou diminuir Sua felicidade. Sua perfeição consiste em Sua autossuficiência, Sua autoexistência, e que Ele é o começo - o primeiro (Apo 1: 8). Sua total suficiência está dentro de Si, o (El Shaddai), Todo-suficiente (Gênesis 17: 1). "Não é servido por mãos humanas, como se Ele precisasse de alguma coisa" (Atos 17:25); "Tem o Todo-Poderoso prazer em que tu sejas justo, ou lucro em que tu faças perfeitos os teus caminhos?" (Jó 22: 3).
Assim, não há um fundamento comum entre a perfeição de Deus e das criaturas - exceto no nome. No entanto, o que está no homem é contrário à perfeição de Deus, e assim a perfeição de Deus é um atributo incomunicável. A salvação do homem consiste em conhecer, honrar e servir a Deus. Tal é o nosso Deus, que não só é suficiente em si mesmo, mas que, com toda a sua suficiência, pode preencher e saturar a alma com uma medida tão transbordante que só precisa de Deus como sua porção. A alma assim favorecida está cheia de tal luz, amor e felicidade, que não deseja nada além disso. "Quem tenho eu no céu senão a ti? E na terra não há outro que eu deseje além de Ti." (Salmo 73:25).

A Eternidade de Deus
Nós seres humanos insignificantes somos de ontem, temos um começo, e existimos dentro do contexto do tempo que progride de forma sequencial. Não podemos sequer começar a compreender a eternidade. Por meio da negação, buscamos compreender a eternidade comparando-a com o tempo, afirmando que ela é sem começo, continuação e fim. Se ultrapassarmos isso procurando compreender o "como" e o "porquê", nós o estragaremos para nós mesmos e estaremos na escuridão. Se quisermos considerar a eternidade de Deus dentro do contexto de nossa concepção do tempo, então desonraremos a Deus e entreteremos noções erradas sobre Ele. Tudo o que se relaciona e se assemelha ao tempo, e tudo aquilo que denominamos como eterno num sentido figurado, deve ser totalmente excluído do nosso conceito de Deus. Chamamos algo eterno que,
(1) continua até que tenha cumprido a sua finalidade. Neste contexto, a circuncisão é referida como uma aliança eterna. "... e a minha aliança estará na vossa carne por uma aliança eterna" (Gênesis 17:13). Isso significa que duraria até a vinda do Senhor Jesus que é a personificação de todas as cerimônias, em quem todas as sombras tiveram sua realização e, consequentemente, não têm mais uma função. Também pode ser interpretado como significando que esta aliança, sendo confirmada pela circuncisão, é uma aliança eterna.
(2) A palavra eternidade também pode ser expressiva da duração de uma condição que está em vigor enquanto o homem vive.
"... ele será teu servo para sempre" (Deuteronômio 15:17).
(3) A palavra eternidade também pode se referir a algo que tem estabilidade e que dura. Neste contexto, as colinas são referidas como sendo eternas (Deut 33:15, ver Gênesis 49:26).
Na versão King James essas colinas eternas são chamadas de "colinas duradouras" ou "colinas eternas", que implica eternidade.
(4) A palavra eternidade é usada em referência àquilo que nunca terminará, como a felicidade no futuro. "Eu lhes dou vida eterna" (João 10:28).
Usamos a palavra eternidade em referência a todas essas coisas. Entretanto, não há semelhança com a eternidade absoluta de Deus. Não podemos nos referir a ela de modo diferente do que defini-la como a existência de Deus que é sem começo, continuação e fim, todos os quais são simultaneamente verdadeiros. Isto é expresso na palavra (Jeová), que define um ser para quem o passado, o presente e o futuro são uma realidade simultânea e concorrente - Ele é Aquele que é, que foi e que será. O Ser de Deus é de eternidade a eternidade. Não é fortuito como o tempo está em relação à criatura. Não pode haver cronologia dentro do Ser de Deus, visto que Seu Ser é simples e imutável. Tal também não pode ser verdade em referência à eternidade de Deus; a eternidade é o próprio Ser de Deus.
As Sagradas Escrituras se referem a Deus como o Deus eterno. "Abraão plantou uma tamargueira em Beer-Seba, e invocou ali o nome do Senhor, o Deus eterno." (Gênesis 21:33); "O Deus eterno é o teu refúgio" (Dt 33:27). Afirma-se a respeito de Deus que Ele é o princípio e o fim (Apo 1: 8). Mesmo que estes sejam distinguidos em Deus, eles são uma realidade simultânea.
Não há tempo intermediário nem nada que remotamente se assemelhe à progressão do tempo. "... de eternidade a eternidade, Tu és Deus" (Salmo 90: 4); "Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação." (Tiago 1:17); "Eles perecerão ... mas tu és o mesmo" (Sl 102: 26-27); "Porque mil anos à tua vista são como ontem, quando já passou" (Salmo 90: 4). Assim, concluímos que Deus e o tempo não têm nada em comum.
Mesmo quando anos e dias, ou passado e tempo presente são atribuídos a Deus, e Ele é chamado de Ancião de Dias e outras expressões semelhantes, tal é feito meramente do ponto de vista do homem. A razão para isso é que nós, seres humanos insignificantes e incapazes de pensar e falar sobre a eternidade de maneira apropriada, podemos falar por comparação - o que na realidade é uma comparação muito desigual - tanto quanto é necessário para nós sabermos sobre eternidade.
No entanto, ao fazê-lo, devemos divorciar-nos completamente do conceito de tempo.
Deus existe como imutável enquanto o tempo está em progressão. Deus foi ontem, é hoje, e será amanhã.
No entanto, Deus não mede o tempo como a criatura mede o tempo, assim como Ele transcende o tempo e é externo ao conceito de tempo. Se Ele fez algo no passado, o fará amanhã ou estará ativo no momento presente, isto não sugere que uma mudança de tempo ocorre em Deus. Tal mudança aparente se refere apenas aos objetos de Sua atividade e aos propósitos que Ele realizou.
Portanto, não se eleve além do alcance de sua compreensão, e não limite Deus por suas concepções humanas. Reconheça e creia que Deus é Aquele que habita na eternidade incompreensível; e adore o que não podes compreender; e como Abraão invoque o nome do Deus eterno.

A Infinitude e a Onipresença de Deus
Um ser, seja ele de natureza espiritual ou corporal, é considerado finito se sua existência tem parâmetros bem definidos.
Tal é verdade para toda a estrutura do céu e da terra, bem como de cada criatura individual. O mundo é finito e, embora não haja outro corpo celeste pelo qual se definam os parâmetros da Terra, impedindo-a de se expandir além de seus limites atuais, esses parâmetros são determinados por sua própria massa. A medição da Terra, do seu centro à sua circunferência, está bem definida, e além dessa circunferência nada mais é do que o espaço que tem seus próprios parâmetros. O Ser de Deus, entretanto, é inerentemente sem quaisquer parâmetros, nem é imposto a Ele externamente e assim Deus em Seu Ser é infinito no sentido absoluto da palavra.
Ocasionalmente, quando se refere a algo de que os limites não são conhecidos, nos referimos ao infinito num sentido hipotético, como quando falamos do número total de grãos de areia, grama ou estrelas. Definimos também como infinito aquele ao qual algo pode sempre ser adicionado, que por exemplo é verdadeiro de um número. Independentemente de quanto tempo se conta, a soma final será uniforme ou desigual, uma realidade que muda assim que um número é adicionado - mesmo se você contasse durante toda a sua vida. Quando definimos Deus como sendo infinito, no entanto, o fazemos no sentido literal da palavra, transmitindo assim que o Seu Ser é verdadeiramente sem quaisquer parâmetros ou limitações. Seu poder é infinito, Seu conhecimento é infinito, e Seu Ser é infinito; e é esta última verdade que estamos discutindo aqui.
A eternidade sendo um conceito incompreensível para nós como criaturas do tempo, como criaturas locais e finitas, somos igualmente incapazes de compreender a infinitude de Deus. Nós nos relacionamos com o infinito pensando em uma vasta extensão. Porém, o infinito de Deus exclui os conceitos de quantidade, dimensão e localidade. A fim de ter qualquer compreensão da infinidade do ser de Deus, devemos, por exemplo, fazer uma comparação hipotética com uma vasta extensão, ao mesmo tempo negando que sejam características de Deus.
A infinidade do Ser de Deus é consequência lógica de,
(1) a perfeição do Ser de Deus. Tudo o que é limitado e finito é imperfeito, uma vez que a expansão dos parâmetros implica a aproximação de um grau mais elevado de perfeição. Consequentemente, algo sem limites é melhor e excede em perfeição aquele que tem limites.
(2) É evidente que Deus é infinito em poder - algo que não pode ser atribuído a um ser finito.
(3) O próprio Deus testificando isto pelo Seu Espírito: "Grande é o Senhor, e mui digno de ser louvado; e a sua grandeza é insondável."(Sl 145: 3); "O céu e o céu dos céus não podem te conter" (I Reis 8:27).
Um dos amigos de Jó expressou-se a respeito da infinidade de Deus, tanto quanto ao Seu conhecimento e Seu Ser.
"Poderás descobrir as coisas profundas de Deus, ou descobrir perfeitamente o Todo-Poderoso? Como as alturas do céu é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? Mais profunda é ela do que o Seol; que poderás tu saber? Mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga do que o mar."( Jó 11: 7-9).
Infinito e onipresença são idênticos em Deus. Quando falamos de Sua onipresença, no entanto, estamos apenas nos referindo ao Deus infinito em relação à Sua presença em qualquer lugar. Não estamos definindo seus parâmetros como faríamos com entidades corporais que têm limites espaciais bem definidos. Ele também não é limitado como outros seres espirituais são, e que podem estar apenas em um lugar ao mesmo tempo. Em vez disso, a referência é ao fato de que com Seu Ser Ele permeia tudo, embora não em um sentido local, corporal e dimensional.
Deus, em virtude da união hipostática em Cristo, está no céu com Sua glória, assim como em Sua igreja com Sua graça. Ele habita em cada crente com Seu Espírito vivificante, e está no inferno com a Sua justa ira. Ele está presente em toda parte do universo criado, não apenas em virtude de Seu poder e conhecimento - também em Seu Ser, não sendo parcial ou dimensional, mas porque Seu Ser é infinito, simples e indivisível. Isto é tão incompreensível para a criatura quanto a eternidade de Deus. Devemos, portanto, fechar os olhos de nossa compreensão quanto à maneira de Sua existência e acreditar que Deus é tal como Ele Se revelou na natureza e na Escritura.
A própria natureza instrui cada homem a este respeito, e especialmente aqueles que se aplicam com alguma diligência para se familiarizarem com Deus e a religião. Tais pessoas tornar-se-ão conscientes da onipresença de Deus de modo que todos, não somente reconhecerão que Deus é onipotente e onisciente mas também que está próximo dele em sua presença essencial. Mesmo os homens inteligentes no reino secular expressaram-se vigorosamente em referência a esta realidade.
Deus declara muito claramente em Sua Palavra: "O céu é o meu trono, e a terra é o escabelo de meus pés" (Isaías 66: 1). Quando tal afirmação é feita em referência a um rei, é indicativo de sua presença imediata e corporal. Consequentemente, isso também é verdade quando Deus se refere a Si mesmo em termos humanos para que possamos entender e reconhecer a presença da própria essência de Deus, tanto no céu como na terra. "Sou um Deus próximo, diz o Senhor, e não um Deus de longe? ... Eu não encho o céu e a terra?" (Jeremias 23: 23-24). "... ainda que Ele não esteja longe de cada um de nós: porque nele vivemos, e nos movemos, e temos nosso ser" (Atos 17: 27-28). Acrescente a estes os textos que indicam que Deus não só enche o céu e a terra, mas transcende infinitamente ambos (1 Reis 8:27).
Quando se afirma que Deus está no céu, isso não exclui Sua onipresença sobre a terra. Em nenhum lugar Deus pode ser confinado ou excluído. Deus manifesta Sua presença gloriosa de maneira muito mais evidente no céu - sendo Seu trono - do que na terra, que é Seu escabelo. Usando este modo de falar, a glória sublime e exaltada pela qual Deus transcende todas as criaturas nos é conhecida. Isto é reconhecido pelo homem quando ele tem seu coração e olho para o Alto, reconhecendo assim que Deus também é invisível e estranho a tudo o que há na terra.
Quando se afirma que Deus não estava presente no vento forte, no terremoto e no fogo, mas sim em uma cicio suave (1 Reis 19: 11-12), a referência não é à Sua presença essencial, mas à maneira em que Ele se dirigiu a Elias e se revelou a Ele. Quando se afirma que Deus não está com alguém ou que Ele não subirá no meio de Israel (Êxodo 33: 7), a referência é à manifestação de Seu favor, em vez de à Sua presença essencial. Não é inconveniente que Deus esteja presente em vários lugares vis e ofensivos, pois Sua presença não é caracterizada por envolvimento corporal, mas Ele está presente como a causa energizante, preservadora e governante, assim como Ele está nos ímpios e nos demônios como um Juiz vingador. O sol ilumina tudo sem ser contaminado no mínimo. Um objeto não pode contaminar um espírito, muito menos o Deus infinito. Tudo o que Deus julga adequado para ser criado e ser governado, Ele também considera adequado para Sua presença essencial. Deus se revela no mundo por meio de Suas obras, não como um Deus que está longe, mas como um Deus invisível.
Crente, já que o Senhor está sempre presente com você, circundando o seu andar, o seu deitar e todos os seus caminhos    (Sl 139: 3-5), tenha cuidado para se abster de fazer qualquer coisa que seja inconveniente na Sua presença. Coloque o Senhor sempre diante de você. Reconheça-O em todos os teus caminhos. Tema-o.
Humilhe-se diante dEle. Caminhe com toda reverência e humildade diante de Seu semblante, pois o pecado na presença de Deus agrava grandemente o pecado cometido. A presença de pessoas serve de contenção contra a comissão de muitos pecados, e se a presença de Deus não cumpre o mesmo, revela-se como tendo mais respeito pelas pessoas do que pelo Deus majestoso e santo. Que desprezo e provocação de Deus isso é! Portanto, deixe sua reverência pela presença de Deus impedir que você peque contra Ele e deixe que o motive a viver uma vida agradável ao Senhor.
Por outro lado, crente, permita que a realidade da presença de Deus seja o seu contínuo apoio e conforto em todas as vicissitudes da vida. O Senhor está próximo; ele é um muro de fogo em torno de ti, e ninguém será capaz de te tocar contrariamente à Sua vontade. Se algo acontecer com você, procure refúgio nele e incentive-se com a Sua presença. Como isso reviveu a alma de Davi! "Sim, embora eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque Tu estás comigo" (Sl 23: 4). O Senhor tem prazer em consolar os Seus filhos desta maneira. "Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti." (Isaías 43: 2).

A Simplicidade de Deus
Como não podemos compreender a eternidade de Deus porque somos criaturas do tempo, nem a infinitude e onipresença não-dimensional de Deus porque somos finitos e de natureza local, assim também nós, sendo criaturas compostas, não somos capazes de compreender a simplicidade de Deus. Entretanto, como devemos reconhecer que toda composição implica imperfeição, dependência e divisibilidade, não podemos pensar que Deus seja composto mesmo no sentido mais remoto da palavra. Assim, reconhecemos Deus em todos os aspectos como sendo perfeito e de essência singular.
Os filósofos reconhecem vários tipos de composição, todos os quais negamos ser aplicáveis a Deus. Entre eles estão:
Primeiro, uma composição lógica (ex genere et differentia), ou seja, em relação ao gênero, à natureza e à distinção. Por exemplo, tanto o homem quanto a besta são animais, pois ambos têm uma natureza animal em comum e, portanto, pertencem ao reino animal. No entanto, há também algo pelo qual eles são distinguidos uns dos outros. O homem possui razão além de sua natureza animal, enquanto uma besta é sem razão e inteligência. No entanto, Deus não tem nada em comum com nenhuma criatura, e em virtude de Seu Ser, transcende todas as Suas criaturas, permanecendo distinto delas. Sempre que Deus é referido como um Espírito, a palavra "espírito" não implica que Deus e anjos têm uma natureza comum de que tanto Deus como os anjos seriam partes iguais. A semelhança é apenas uma nomenclatura. Deus é chamado de Espírito para que o percebamos como sendo invisível.
Em segundo lugar, uma composição física ou natural, é constituída por substância e forma, tendo partes individuais.
(1) Substância e forma. Tudo o que foi criado com uma forma tangível tem, além da matéria da qual consiste, algo que identifica tal objeto criado como ouro, uma árvore, um animal ou um ser humano. Longe de nós, de entreter tais noções sobre Deus que é sem corpo e infinitamente afastado de toda noção possível de quaisquer características físicas, não importa como ele seja imaginado pelo homem. A fim de distingui-Lo como tal, Ele é referido como um Espírito. Tal composição como substância e forma simplesmente não existe em relação a Deus.
(2) Um sujeito e seus incidentes. Um anjo, por exemplo, tem a natureza de um anjo, e além disso tem uma mente, inteligência, vontade, santidade e poder. Essas qualidades não são o próprio anjo, mas são complementares a seu ser. Seu ser é o sujeito dessas qualidades, tornando-o completo. Longe de nós pensar em Deus dessa maneira. Deus é perfeito em Seu Ser e Sua perfeição não pode ser melhorada de qualquer maneira.
Tudo o que pode ser discernido em Deus é o próprio Deus. Sua bondade, sabedoria e onipotência é o próprio Deus, sábio e onipotente.
(3) Partes individuais. Nos objetos as partes constituem um todo. Tal não é claramente o caso de Deus porque Deus é um Espírito que não tem nada em comum com um corpo. Se tal fosse o caso, haveria algo menos que a perfeição em Deus, como o todo composto seria mais perfeito do que cada parte individual.
Em terceiro lugar, uma composição metafísica ou sobrenatural. Três aspectos devem ser considerados.
(1) Ex essentia et existentia, isto é, há uma distinção essencial entre a essência e a existência real de algo. É possível compreender um sem o outro. É possível descrever uma rosa e compreender o que é, mesmo durante o inverno, quando não há rosas. Assim, distinguimos entre a natureza essencial de uma rosa e sua existência real. O Ser de Deus, no entanto, é Sua existência real, e Sua existência real é Seu Ser, uma verdade que é transmitida pelo Seu nome Jeová. Não se pode distinguir um do outro e não se pode compreender um sem o outro, pois são um.
(2) Ex potentia et actu, ou seja, há uma distinção entre o potencial e o ato real. Ao discutir o potencial, distinguimos entre potencial ativo e passivo. Potencial ativo refere-se à capacidade de realizar algo, mesmo que não esteja realizando-o no momento. Na criatura tal potencial se distingue da ação, e a excelência de uma criatura em ação substitui a de alguém que tem o potencial para tal atividade. Tal, porém, não é o caso de Deus; nele o potencial para a atividade e o ato em si são um. Deus é uma força singular, ativa. Distinção e mudança neste reino só pode ser percebida na criatura que foi criada, e é mantida e governada. Tal, porém, não é verdade para Deus, que é o Criador, o Mantenedor e o Governador. O potencial latente - ou expressá-lo em linguagem mais inteligível - a possibilidade de existir, deve ser encontrado apenas em criaturas, sendo tal verdadeiro de três maneiras. Em primeiro lugar, refere-se a algo que ainda não existe, mas que, em virtude do esforço, poderia ser levado à existência. Refere-se também a algo que já existe, mas que pelo esforço pode ser mudado. Em terceiro lugar, refere-se a algo que pode ser aniquilado. É óbvio que tudo isso não se aplica a Deus.
(3) Ex essentia et subsistentia, ou seja, há uma distinção entre a natureza ou ser e a existência ou personalidade. A subsistência ou o modo de existência é complementar à existência de um ser em si, pelo qual possui algo que o torna singularmente distinto de outro ser, possuindo uma existência única própria. Assim, concluímos a maneira de existir para pressupor um ser. Suppositium, ou a própria existência, refere-se àquilo que não pode ser comunicado a outra pessoa, nem pode existir em outra pessoa, em parte ou forma. Algo tendo uma existência tão distinta e sendo dotado de razão que nos referimos como uma pessoa. Uma pessoa é uma entidade indivisível e independente dotada de uma natureza racional. Uma pessoa é um ser humano como João, Pedro ou Paulo; ou um anjo como Gabriel ou Miguel; ou uma Pessoa divina, como o Pai, o Filho ou o Espírito Santo.
Em cada pessoa criada existe uma composição de essência, existência real e modo de existência. Um não é o mesmo que o outro, mas se distingue do outro. Considere, por exemplo, a natureza humana de Cristo, na qual podemos discernir a essência e a existência real, mas não uma personalidade humana. Como tal, tem sua existência dentro da Pessoa do Filho de Deus, pois de outra forma Cristo seria composto por duas pessoas: uma pessoa humana e outra divina. Ele é, no entanto, uma Pessoa divina. Em Deus não há composição de ser e de pessoa, pois toda forma de composição implica imperfeição. Cada Pessoa divina não deve ser distinguida nem do Ser divino, nem das outras pessoas como distinguiríamos entre várias matérias, nem como entre uma matéria e a maneira como ela funciona, sendo distinta da matéria em si. Nós insignificantes seres humanos, entretanto, tentamos compreender isto relacionando ou definindo uma maneira de existência. Isso não indica que há composição em Seu Ser, mas apenas nos permite distinguir entre vários assuntos relacionados ao Ser de Deus. O que quer que não possamos compreender, cremos e adoramos, como agrada a Deus revelar-se de tal maneira. Os crentes, sendo iluminados pelo Espírito de Deus, sabem tanto quanto a este atributo como é necessário para fazê-los adorar e glorificar a Deus, bem como experimentar alegria, confiança e santificação.
A Escritura faz referência a essa singularidade quando se refere a Deus de maneira abstrata, como quando fala da divindade, ou quando se refere a Deus como luz, "Deus é luz" (1 João 1: 5); verdade, "Deus da verdade" (Dt 32: 4); e amor, "Deus é amor" (1 João 4: 8). Nada disso pode ser declarado a respeito de uma criatura.
Quando o homem é referido como tendo sua origem em Deus, pertencendo à geração de Deus, sendo filho de Deus, ou participante da natureza divina, e quando Deus é dito ser o Pai dos espíritos, isso não implica que o homem é da mesma essência que Deus, pois isso significaria que o Ser de Deus é comunicável. Nesses casos, a referência é à criação e regeneração através da qual o homem recebe alguma semelhança com alguns dos atributos de Deus. Este ato criativo não produz uma mudança em Deus, mas na criatura.
Da mesma forma, os decretos, quando vistos internamente em Deus, são o próprio Deus decretando. Também a relação que Deus estabelece quanto às Suas criaturas não implica uma mudança ou composição dentro de Deus, pois esta relação é meramente externa e nada acrescenta à essência do Ser de Deus. Sempre que membros humanos, mãos, olhos e boca são atribuídas a Deus, tal terminologia humana ocorre para que os seres humanos insignificantes possam compreender as operações de Deus comparando-as com a maneira como usamos esses membros, etc. Sempre que a raiva, o amor e paixões semelhantes são atribuídas a Deus, devemos ter as consequências e os resultados em vista, como ocorrem quando temos paixões semelhantes.

A Imutabilidade de Deus
A mutabilidade tem referência a uma entidade criada, a incidentes ou circunstâncias, ou à vontade. Cada criatura de uma forma ou de outra está sujeita a mudanças e tem dentro de si o potencial de mudança ou de ser mudado. O Senhor nosso Deus, no entanto, é absoluto, e em todos os aspectos, é imutável tanto na Sua essência como na Sua vontade. Sim, mesmo a possibilidade de mudança é totalmente estranha a Deus. Isto é evidente a partir do seguinte:
Primeiro, é transmitido pelo nome de Deus, Jeová, que significa "Ser eterno". Por meio deste nome, Deus mostra-se imutável. "... mas pelo Meu nome JEOVÁ não lhes fui conhecido" (Êxodo 6: 3), isto é, eu lhes fiz uma promessa sobre Canaã, que, no entanto, não cumpri a seu tempo e não tenho lhes mostrado de verdade que eu sou imutável, mas agora mostrarei que eu sou Jeová, o Deus imutável, cumprindo minha promessa à sua semente.
Em segundo lugar, adicione a estes, textos semelhantes: “Desde a antiguidade fundaste a terra; e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles, como um vestido, envelhecerão; como roupa os mudarás, e ficarão mudados. Mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão." (Sl 102: 25-27); "Porque eu sou o Senhor, não mudo" (Mal 3: 6); "O Pai das luzes, com quem não há mudança, nem sombra de variação" (Tiago 1:17); "Deus, querendo mais abundantemente mostrar aos herdeiros da promessa a imutabilidade do Seu conselho, confirmou-o com um juramento" (Heb 6:17); "E também a Força de Israel não mentirá nem se arrependerá; porque não é homem, para que se arrependa" (1 Sm 15:29); "Pois o Senhor dos exércitos o determinou, e quem o invalidará? A sua mão estendida está, e quem a fará voltar atrás?" (Is 14:27).
(Nota do tradutor: apesar de sermos imperfeitos e limitados para ter um entendimento pleno da essência de Deus e da perfeição de todos os Seus atributos, todavia, ele não nos deixou a incumbência de tatearmos e imaginarmos quem ele seja, pois revelou tudo o que é necessário para a nossa compreensão e adoração da Sua Pessoa, nas Escrituras Sagradas.)
Em terceiro lugar, as razões a seguir também tornam evidente a imutabilidade de Deus. Toda mudança ocorre porque o princípio da mudança é inerente a nós, ou porque nossa natureza é tal que outra pessoa é capaz de provocar uma mudança em nós.
Deus, no entanto, é eterno, transcendente e a causa original de todas as coisas. Toda mudança é ou o resultado de uma falta de sabedoria, cuja percepção necessita de uma resposta ao erro que se cometeu em consequência disso; ou é precipitada por uma falta de presciência, pela qual não se pôde antecipar o que seria encontrado e, portanto, é confrontado com o inesperado. Deus, no entanto, é a suprema Sabedoria, o único Deus sábio, que tem conhecimento prévio de todas as coisas. "Conhecidas a Deus são todas as Suas obras desde o princípio do mundo" (Atos 15:18). Ele está ciente de tudo o que o homem fará ou se absterá de fazer pelo exercício do seu livre-arbítrio, pois o homem em todos os seus movimentos depende de Deus. Ele conhece os nossos pensamentos de longe, o nosso deitar e se levantar,    bem como a nossa fala e silêncio. Mudança também pode ocorrer quando não temos a capacidade de realizar nossa intenção, sendo incapazes de superar um determinado obstáculo. Deus, no entanto, é o Todo-Poderoso, maravilhoso em conselho e excelente em obras; consequentemente, nem mesmo a menor mudança pode ocorrer com Deus.
Além disso, deve-se considerar que se Deus mudasse, Ele melhoraria a si mesmo ou ganharia em sabedoria.
Nenhuma possibilidade pode ser entretida a respeito de Deus como Ele sempre é e permanece como pessoa infinitamente perfeita.
É de acordo com a vontade de Deus que certas coisas mudem. Isso, porém, não provoca uma mudança na Sua vontade. Quando o arrependimento é atribuído a Deus, isso não sugere uma mudança no próprio Deus, mas sim uma mudança de atividade (em comparação com um momento anterior) em relação aos objetos dessa atividade, sendo esta mudança de acordo com Seu decreto imutável. Sempre que Deus emite uma promessa ou uma ameaça que Ele não realiza, isto indica meramente que havia uma contingência, expressamente declarada ou implícita, que determinaria se as circunstâncias ocorreriam ou não. Esse fato já era conhecido de Deus em virtude de Sua onisciência e Seu conselho. O fato de que Deus é Criador, Conselheiro, Governador e Reconciliador, e é um Pai, não indica que qualquer mudança ocorre nele, mas sim nas criaturas. Isso transmite a relação que Deus assim estabelece com Suas criaturas. Esta relação, no entanto, não sugere uma mudança nas partes envolvidas nesta relação.
Desde que Deus é imutável, como você deve temer, pecador não convertido! Pois todas as ameaças e julgamentos, tanto temporais como eternos, com os quais vocês foram ameaçados, certamente e inevitavelmente virão sobre vocês se não se arrependerem.
Crentes, sejam confortados pela imutabilidade do Senhor, pois todas as promessas de que sois os herdeiros certamente serão cumpridas. Nenhuma delas cairá sobre a terra nem será desmantelada, embora as circunstâncias pareçam estranhas e tão contrárias a elas, e, na sua opinião, o cumprimento das promessas é adiado muito mais do que deveria ser o caso. Deus leva Seus filhos nestes caminhos para fazê-los confiar somente em Sua Palavra. Ele torna a promessa obscura e faz com que o oposto transpire para demonstrar posteriormente a imutabilidade de Seu conselho muito mais claramente. "Tu sais ao encontro daquele que, com alegria, pratica a justiça, daqueles que se lembram de ti nos teus caminhos. Eis que te iraste, porque pecamos; há muito tempo temos estado em pecados; acaso seremos salvos?" (Isaías 64: 5).
Isto para os atributos incomunicáveis.
Os Atributos Comunicáveis de Deus
Os atributos comunicáveis de Deus não são menos infinitos e são simples.
Eles não são denominados "atributos comunicáveis" porque Deus comunica esses atributos eles mesmos, ou porque há qualquer equivalência entre o Criador e a criatura. Pelo contrário, Ele comunicou uma ligeira semelhança desses atributos com Suas criaturas racionais. Esses atributos comunicáveis podem ser organizados em três categorias: intelecto ou conhecimento, vontade e poder.

O Conhecimento de Deus
Embora as criaturas racionais possuam uma medida de conhecimento, há, no entanto, uma diferença infinita entre o conhecimento de Deus e o conhecimento de Suas criaturas, tanto em referência ao modo quanto aos objetos de seu conhecimento.
Primeiro, consideremos o modo de conhecimento de Deus. O homem adquire conhecimento por meio da deliberação e da dedução racional, deduzindo e tirando conclusões vendo um fato em referência a outro. O conhecimento inicial sobre um objeto é adquirido por meio de espécies sensíveis, ou seja, observações sensíveis, que são feitas a respeito de objetos físicos através da agência dos cinco sentidos, e por meio de espécies inteligíveis, isto é:
Observações intelectuais que são feitas através da agência do intelecto de uma pessoa a respeito de assuntos sobre os quais o homem raciocina. O conhecimento de Deus, ao contrário, nem tem sua origem na criatura nem flui da criatura para Deus; em vez disso, flui do próprio Deus para a criatura. Deus não se familiariza com as coisas depois do fato em virtude de sua existência e função; anteriormente, Ele conhece as coisas com antecedência para que elas existam e funcionem de acordo com Seu decreto. Deus não decreta Sua obra considerando causa e efeito. Ele não adquire Seu conhecimento sobre Sua criatura através do processo de pesquisa e dedução racional; em vez disso, Ele os conhece desde que Ele determinou que deveriam existir e operar. Seu conhecimento de tudo é completo e instantâneo em consequência de quem Ele é. Ele vê tudo simultaneamente, e cada matéria em particular; isto pertence até mesmo ao menor detalhe de sua existência. “Não se vendem cinco passarinhos por dois asses? E nenhum deles está esquecido diante de Deus. Mas até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois mais valeis vós do que muitos passarinhos.” (Lucas 12.6,7). Além disso, não podemos especular sobre o modo de conhecimento de Deus. Devemos confessar, "tal conhecimento é maravilhoso demais para mim" (Sl 139: 6).
Em segundo lugar: O objeto do conhecimento de Deus. Também aqui há uma diferença infinita entre o conhecimento dos homens e o conhecimento de Deus. O homem conhece apenas algumas coisas, e aquilo que conhece só é conhecido superficialmente, pois não tem capacidade para descobrir a substância mais profunda e essencial de uma matéria. "Porque somos de ontem, e nada sabemos" (Jó 8: 9); "Eis que essas coisas são apenas as orlas dos seus caminhos; e quão pequeno é o sussurro que dele ouvimos! Mas o trovão do seu poder, quem o poderá entender?" (Jó 26:14); “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” (Isa 55.8,9).
(1) Pelo contrário, Deus Se conhece a si mesmo, e isso perfeitamente. "Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus, ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus." (1 Cor 2. 11).
(2) Deus está ciente de Sua onipotência, sabendo que Ele pode realizar plenamente tudo o que Ele gostaria de fazer. Tudo o que ele gostaria de fazer pode realmente acontecer e ser realizado por Ele. A isto nos referimos como a possibilidade de todas as coisas. O Senhor Jesus se refere a isto quando Ele declara: "Digo-vos que Deus é capaz de suscitar destas pedras filhos a Abraão" (Mt 3: 9). Isto é geralmente referido como scientam simplicis intelligentiae, ou seja, o conhecimento na sua forma mais simples ou essencial.
(3) Deus também conhece todas as coisas que existem ou existirão, isto é, antes de sua existência. Isso não é apenas verdade em um sentido geral, mas se relaciona a cada matéria ou ação individual como se cada um fosse singular em sua existência. Este conhecimento é geralmente referido como scientia visionis, ou seja, conhecimento visionário, uma vez que se relaciona com a percepção de coisas que devem ser ou que atualmente existem.
Deus claramente testifica em Sua Palavra que Ele não tem apenas um conhecimento geral sobre assuntos, mas um conhecimento específico de cada questão individual. Tal não é apenas confirmado por textos que se referem ao conhecimento de Deus em um sentido geral, tais como: "Conhecidas a Deus são todas as Suas obras desde o princípio do mundo" (Atos 15:18); "E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas." (Hb 4:13); "Deus ... sabe todas as coisas" (1 João 3:20) - também por textos que se referem ao conhecimento de Deus a respeito de cada assunto individualmente, tais como: "Nem há criatura que não seja manifesta diante dele" (Hb 4:13); "Mas os cabelos da vossa cabeça estão todos contados" (Mt 10:30); - Ele conta o número das estrelas; ele as chama por seus nomes."(Sl 147: 4).
(1) O Senhor observa e conhece todas as coisas, grandes e pequenas. Ele conhece o coração dos reis (Provérbios 21: 1) e observa cada pardal (Mt 10:29).
(2) Ele conhece todas as coisas boas e más: "Tu puseste diante de ti as nossas iniquidades, os nossos pecados secretos à luz do teu semblante" (Salmo 90: 8).
(3) O Senhor conhece todas as coisas secretas: "Tu, tu mesmo, conheces os corações de todos os filhos dos homens" (1 Reis 8:39); "O Senhor conhece os pensamentos do homem" (Salmo 94:11); "Porque Ele sabia o que havia no homem" (João 2:25).
(4) O Senhor tem um conhecimento infalível de todas as coisas futuras que acontecerão devido ao exercício do livre-arbítrio do homem e, portanto, sabe todas as coisas que ocorrerão em relação ao homem. Deus sabe tudo, pois todas as Suas obras são conhecidas dEle desde a eternidade e estão nuas e abertas perante Ele. Isto se torna evidente a partir do seguinte:
Primeiro, a palavra "tudo" compreende tudo. Inclui todos os eventos futuros, incluindo aqueles que ocorrem como resultado do exercício do livre-arbítrio do homem. Se Deus não estivesse ciente desses eventos, Ele seria ignorante em relação a muitas coisas. O contrário é verdade, porém, porque Ele sabe tudo.
Em segundo lugar, o que é mais frequente na ocorrência e mais dependente do exercício do livre-arbítrio do homem do que sentar e se levantar, assim como a função do pensamento e da fala? O Senhor sabe tudo isso de longe, porém, antes mesmo de pensar ou falar. "... porque eu sabia que tu tratarias muito traiçoeiramente" (Isaías 48: 8, veja também Salmos 139: 1-2); "Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci" (Jer 1: 5); "Pois eu sei o que vem à tua mente, cada um deles" (Ezequiel 11: 5).
Em terceiro lugar, isso é verdade para todas as profecias, mesmo aquelas que se referem a tais eventos que só poderiam acontecer como resultado do exercício do livre-arbítrio do homem. Exemplos disso são muito numerosos para mencionar aqui; a revelação divina inteira exemplifica isso. O próprio Senhor Jesus diz: "Agora eu vos digo antes que venha, para que, quando acontecer, creiais que eu sou." (João 13:19).
Em quarto lugar, nada existe ou se distingue da operação de Deus. Deus sustenta tudo por Seu Poder onipotente e onipresente. Nada pode mover-se sem a cooperação divina e assim tudo transparece de acordo com Seu decreto, seja pela iniciação ou permissão do Senhor, dirigindo as coisas de tal maneira que elas realizem Seu propósito. Assim, torna-se evidente que o Senhor tem conhecimento prévio de todas as coisas. Você compreenderá isto com mais clareza e ficará menos confuso se tiver em mente que Deus é onisciente e decretou tudo o que transparece. Seu conhecimento não é derivado de matérias existentes e causas secundárias como é verdadeiro para o homem. Tenha em mente que a partir da perspectiva de Deus, que é a primeira causa de todas as coisas, tudo é uma certeza absoluta, embora pareça ser incerto quando vista da perspectiva de causas secundárias. Da perspectiva de Deus não há contingências; tal é somente verdadeiro da perspectiva do homem. Assim, ao definir a liberdade da vontade, não devemos pensar que ela funciona independentemente de Deus, num plano igual com a Sua vontade ou como uma entidade neutra; ao invés disso, a liberdade é uma função da necessidade. Assim, a liberdade da vontade não contradiz a presciência de Deus. O homem, sem coerção e por escolha arbitrária, executa o que Deus certamente decretou, e do qual Ele estava ciente de que isso ocorreria.
Deus fala à maneira dos homens quando é registrado que Ele prova o homem para saber o que está nele, e também quando Ele declara: "... agora sei que temes a Deus" (Gn 22:12). Ele já tinha conhecimento disso desde a eternidade.
Ele também fala à maneira dos homens quando é registrado que Ele espera se o homem realizará um dever particular. Ele faz isso para exortar e advertir o homem que ele deve estar ciente de que Deus percebe suas ações;    e sabe o que acontecerá.
Jesuítas, arminianos e outros que insistem fanaticamente que o homem tem livre arbítrio inventaram um scientiam mediam, isto é, um conhecimento mediano que se situaria entre o conhecimento absoluto, natural e essencial de Deus, pelo qual Deus está ciente do pleno potencial de todas as coisas. Seu conhecimento volitivo e visionário seria então este conhecimento por meio do qual Ele tem um conhecimento particular e detalhado de todas as coisas, tendo decretado, no que diz respeito às circunstâncias e ocorrência. Tal vontade, estando em posição intermediária em relação a ambos [conhecimento essencial e visionário], seria um meio pelo qual Deus sabe uma coisa por meio da outra, ou seja, aquilo que ocorre por meio de causas e circunstâncias.
Eles definem este conhecimento mediano como sendo o conhecimento de Deus pelo qual Ele está ciente de eventos futuros que ainda não são considerados como certos, uma vez que nenhuma determinação ainda foi feita pressupondo de que maneira esses eventos serão moldados pelo exercício do livre arbítrio do homem. Deixe-me ilustrar por meio de hipóteses. Deus, imaginando que o homem seria criado na perfeição e seria confrontado com uma tentação particular de Satanás, poderia prever que o homem no exercício de Sua livre vontade abusaria de Seus dons. Deus imaginou ainda, depois que o homem havia caído, que o evangelho seria proclamado a ele, urgentemente motivando-o de várias maneiras a acreditar, ocorrendo em um momento em que o homem seria mais flexível, atenta e devidamente preparado. Assim, Ele seria capaz de prever e saber quem faria e quem não se arrependeria, creria e perseveraria até o fim da vida. Tal raciocínio também poderia ser aplicado a outras situações em que anjos ou homens parecem exercer seu livre arbítrio de uma maneira ou de outra. A tolice de tal hipótese será evidente a partir do seguinte:
Primeiro, se Deus tivesse tal conhecimento mediato (por meio de imaginação e suposição e não por conhecimento absoluto), todo o conhecimento de Deus relativo às ações dos homens estaria repleto de incerteza e mera suposição. Mesmo que todas as circunstâncias imagináveis necessárias para induzir o homem a uma determinada ação fossem postas em jogo, o homem, na sua opinião, ainda seria livre para fazer o que quisesse. Eles argumentam que o homem não seria limitado por uma causa necessária, e assim seria incerto o que ele faria. Consequentemente, o conhecimento de Deus relativo a tais ações seria de natureza contingente. Longe de nós entreter tal noção sobre um Deus onisciente!
Em segundo lugar, tal conhecimento mediano implica que Deus não tem controle sobre as ações voluntárias do homem. Tal suposição é um absurdo em referência ao Criador e à criatura. No que diz respeito ao futuro, tais ações voluntárias não teriam qualquer relação causal com Deus, pois não haveria qualquer decreto a seu respeito, nem poderiam ter sido um elemento contingente de qualquer decreto. Então tais ações procederiam inteiramente do homem no exercício do seu livre arbítrio. De fato, em tais casos, Deus seria dependente da criatura, incapaz de decretar qualquer coisa concernente ao homem além da intervenção do livre arbítrio do homem. Consequentemente, todos os decretos só poderiam ser executados sob a condição de agradar o homem a cooperar, sendo ele senhor sobre o seu livre arbítrio e, portanto, incapaz de ser restringido por ninguém, senão por si mesmo. Sua visão [os jesuítas e arminianos] implica que tudo o que Deus decretou é incerto porque o homem pelo exercício do seu livre arbítrio é capaz de mudá-lo.
Para ser Senhor sobre a ação volitiva do homem, não basta que Deus tenha controle sobre as circunstâncias que podem influenciar a atividade da vontade do homem, causando ou não que certas coisas aconteçam, ou para estar em uma determinada condição. Estas circunstâncias não devem depender do exercício do livre arbítrio do homem, pois então estaria no poder do homem ditar as circunstâncias verbal ou fisicamente relativamente a outros indivíduos. Além de tal consideração, deve-se reconhecer que tal poder e controle envolveriam apenas as circunstâncias e situações que induziriam o homem a exercer seu livre arbítrio, mas não se estenderiam à própria vontade. Permaneceria livre e, portanto, independente de Deus, manteria o controle sobre si mesmo em vez de estar sujeito ao Seu controle. Mesmo se eles permitem que tanto a vontade como a sua liberdade tenham sua origem em Deus, eles ainda afirmam que o homem permanece seu próprio mestre relativo ao exercício do seu livre arbítrio. Assim, ele não é dependente de Deus, nem pode ser controlado por Ele. Tais são os absurdos que resultam de imaginar que Deus tem um conhecimento mediano das coisas. Tendo concluído isso, também deve ser postulado que, de acordo com essa visão, tal conhecimento divino é meramente relacionado com circunstâncias que ocorrem ao homem; isso teria então um efeito sobre sua vontade. Isso, por sua vez, resultaria em um determinado evento, em resposta a que Deus estabeleceria posteriormente Seu decreto. Tal raciocínio altera a própria natureza de Deus e do homem, como consequentemente, remove a criatura do reino do controle de Deus. Uma vez que tudo isso é absurdo, concluímos que a existência de tal conhecimento intermediário é um absurdo.
Objeção 1: Em 1 Sam 23: 11-12, lemos que o Senhor, em resposta à pergunta de Davi, respondeu que "Saul descerá", e eles (os homens de Queila) te entregarão. Isto não estava de acordo com o decreto de Deus, embora Ele estivesse ciente disso por meio de Sua intervenção mediata relativa ao exercício do livre arbítrio do homem.
Resposta: Esta não era uma previsão a respeito de um evento futuro, mas sim uma revelação sobre uma realidade atual que, de uma perspectiva humana, poderia ter resultado em um evento que ainda não ocorreu. Como Deus não havia decretado esse acontecimento, porém, Ele sabia que não ocorreria. Davi pergunta sobre o que está escondido dele, para que ele possa decidir se deve ficar ou fugir. Deus revelou-lhe que Saul desceria a Queila e que os corações dos homens de Queila não estavam inclinados para ele; portanto, eles determinariam entregar Davi a Saul quando ele descesse. Saul já se preparara e os corações dos homens de Queila já estavam contra ele. Deus revelou isto a Davi, e ao ver isso a partir de uma perspectiva humana, ele poderia concluir que estava em seu melhor interesse fugir. Uma vez que Deus decretou o resultado final do evento, Ele também decretou os meios que levariam a esse resultado. Assim, se alguém vê este texto relativo ao resultado dos eventos, segue-se que o conhecimento de Deus sobre o resultado final dos eventos é resultado da onisciência essencial. É o resultado do conhecimento singular e abrangente de Deus, pelo qual Ele conhece todas as possibilidades, ao invés de um conhecimento imaginário, mediano, pelo qual Ele decreta em resposta à atividade do homem.
Objeção 2: "... e se isso tivesse sido muito pouco, eu te daria, além disso, tais e tais coisas" (2 Sm 12: 8); "Oh, me escutasse o meu povo! Quem dera Israel andasse nos meus caminhos! Em breve eu abateria os seus inimigos, e voltaria a minha mão contra os seus adversários." (Sal 81, 13-14). Deus tinha previsto como Davi e Israel se conduziriam, e assim concluíram o que lhes ocorreria ou não, mesmo que Ele não tivesse decretado que fosse assim. Consequentemente, não há algo como conhecimento mediano.
Resposta: Tem agradado a Deus fazer promessas condicionais relativas à prática da piedade. Quem vive de piedade os receberá e quem não os receber não os receberá. Deus faz a promessa para incitar o homem à ação e o homem aceita e reconhece que é seu dever. A obediência a tais exortações, no entanto, depende do dom da graça divina que Deus dá ou não de acordo com Seu decreto. Davi e Israel não cumpriram as condições necessárias, e assim o cumprimento da promessa lhes foi negado. Deus decretou que Davi não receberia além do que lhe fora dado e que Ele não livraria Israel de seus inimigos. Em virtude desse decreto Deus sabia que eles não receberiam bênçãos além das que já eram deles. Isto foi de acordo com o Seu decreto e não em resposta ao seu comportamento. Deus está ciente do resultado de todas as promessas condicionais em virtude de Seu decreto, e não em virtude do exercício do livre arbítrio pelo homem.
Objeção 3: "Ao que o homem de Deus se indignou muito contra ele, e disse: Cinco ou seis vezes a deverias ter ferido; então feririas os sírios até os consumir; porém agora só três vezes ferirás os sírios." (2

Publicado no site: O Melhor da Web em 17/05/2017
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