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PAULO FONTENELLE DE ARAUJO

Este cheiro sobre o altar mor, será Deus ou a ferrugem noturna das catedrais
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UM MOMENTO DA CIDADE POSSÍVEL
13/03/2018
Autor(a): PAULO FONTENELLE DE ARAUJO

UM MOMENTO DA CIDADE POSSÍVEL


O avião Airbus saiu da pista,
pareceu alçar voo,
levantou a asa direita,
mostrou a pança esbranquiçada,
mergulhou
e explodiu.

A queda do Airbus em 2007 surgiu assim para o menino,
foi como ver um dinossauro de frente.
perder a noção do tempo
atrás de um monstro luminoso.
E o monstro também era o lado oculto da lua.

Mas o menino estava fora do carro,
estava na primeira fila
da segunda pista,
em pé sobre o viaduto
onde passaria o avião por cima.
Passou o ar quente por baixo
em outra contramão.
O ar quente nascia do quarteirão em chamas
e veio e não parou de vir
e seguiu pela avenida 23 de maio.
Chegaria ao obelisco pelos mortos
da Revolução de 32.
O menino lembrou
e depois não entendeu o monumento:
“Em qual lugar estavam os mortos?”
Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo
se o fogo estava ali?
Alguém gritou que era preciso voar.
Alguém gritou que iria explodir de novo.
Não explodiu.
Alguém gritou que iria explodir de novo.
E quase explodiu,
não fosse o ar preso nos pulmões do menino.

Ele entrou no carro e saiu.
Devagar.
Passou ao lado do fogo e da nave
que se misturava dentro da toca
e ficaria ali.

(Estávamos em São Paulo,
queimava tão perto.
Morreu todo mundo).

Em um aniversário da tragédia,
de julho de 2007,
o menino voltou ao local.
Construíram uma praça e vários obeliscos.
Havia flores, fotografias
e uma chupeta de bebê
(Disseram que o bebê do voo nem existiu).

O Airbus caiu perto do aeroporto de Congonhas,
e falaram do amor das famílias;
falaram da caixa preta,
fácil como um brinquedo.
As famílias das    vítimas    trataram de tudo com uma placa enorme:
“AQUI OCORREU O MAIOR ACIDENTE AÉREO DO BRASIL”.
O menino quis entender a razão do anúncio.
(São Paulo é outro lugar,
em Nova York    Torres Gêmeas são maiores,
aviões e tragédias são    luminosos.
Aqui é mais fácil perder os recordes).

(Perto da Praça das Bandeiras,
há um edifício chamado Joelma,
em um antigo incêndio
morreram quase duzentas pessoas).

(As nove da noite
tudo já    escureceu na praça).

Hoje o menino visitou    o local da queda
finalmente reparou
a árvore que ficara de pé.
Chamam-na de a “árvore da vida”.
mas o menino pareceu ver ali um tipo de jacaré
como destes do papo amarelo.

Ah, um jacaré magnético abocanhara a nave
O jacaré magnético do meio da praça,
não o outro réptil, revelado pela mídia,
o traiçoeiro, ameaçador,
o todo televisivo inesquecível:
“pista molhada para pousos".

*Poema criado por quem viu a queda da aeronave.

DO LIVRO:"A CIDADE POSSÍVEL"

Publicado no site: O Melhor da Web em 13/03/2018
Código do Texto: 136756
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