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EDUARDO EUGÊNIO BATISTA

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Setedados - EDUARDO EUGÊNIO BATISTA

Textos & Poesias || Regionais
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A FARRA DO BOI DA BARRA
Autor(a): EDUARDO EUGÊNIO BATISTA
A FARRA DO BOI DA BARRA

Por sua braveza e porte,
ele é escolhido e laçado.
Animal traiçoeiro e forte,
dentro do caminhão é alojado

Eles vêm do Mato Grosso e Paraná,
quem sabe até de outras regiões.
Em pouco tempo na mangueira entrará
para a farra e alegria dos peões.

Veio gente de todo o tipo e feição,
tinha bêbado, banguela, negro e alemão.
Mulher, cachorro, criança, o Chico e o João.

O boi é solto dentro do picadeiro.
Um homem entra e sacode a camisa.
A besta bufa, corre, atropela e o pisa,
Mas o cara levanta-se bem ligeiro.

Da multidão sai os gritos de olé e vaia.
A idosa de tão nervosa levanta a saia.
Os medrosos botam fogo na sacanagem,
desafiando o homem e berrando, vai... Coragem!

Um garoto entra, pula e balança um pano vermelho.
E lá vai o touro em grande disparada, muito zangado.
Corre, pega e não pega, dá-lhe uma chifrada no joelho,
o menino cai e inteligentemente finge estar desmaiado.
Levanta mancando, vai para a cerca, está ferido.

E lá vai outro abusar e mexer com o animal.
Segura o rabo do touro que dá um coice pro lado,
o moço tropeça e rola animando o povo em geral.

Cambaleando muito um bêbado teimoso o provocou.
Gritavam: Tira ele, deixa ele, a adrenalina subiu então.
Ele que o touro desafiava com o copo de bebida na mão,
Falava com cara de coragem: Vêm tôrinho, vêm torâo.
O touro raivoso e babando, cavoucava o chão.
O bicho mesmo já cansado e nervoso desembestou.
Com uma cabeçada certeira o infeliz derrubou.
Levantou embaçado e com a cara suja de areia preta,
perdia o rumo, mas, ainda assim pro touro fazia careta.
O povo chorando de tanto rir,
Não deixou de o fulano aplaudir.

Agora foi a vez de um baixinho metido a valente.
Encara, acena, provoca e toma um gole de cachaça.
O touro corre, chifra-lhe a boca arrancando-lhe um dente.
A platéia não agüenta e se rasga de tanto achar graça.

Comidas, alegrias, brigas, protestos, curativos e bebedeira.
Na realidade o que essa gente pensa em querer fazer é só a brincadeira.
Mas, na verdade cruel, o maior herói de todos é o tourinho.
Sendo a favor ou contra, no final ninguém nega um churrasquinho.

Só haverá diversão se nós respeitarmos o animal.
Assim tudo ocorrerá em uma luta por igual.
Talvez no fundo ele tenha uma carga de compaixão,
pois o peão da Barra, para nos alegrar, sai até ferido.
Mas aí fica quem sabe a lição da antiga tradição,
da origem de um povo. Herói ou bandido?


Maio de 2002.


Setedados

Publicado no site: O Melhor da Web em 07/03/2010
Código do Texto: 51509
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[ 1311 ] Texto s indicado s , porém não é o autor.




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